Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 19/06/2013

Carta aberta ao Greenpeace sobre a “sonolência” do povo brasileiro

Brasília, DF, 19 de junho de 2013

Caros dirigentes do Greenpeace Brasil,

Como militante de direitos humanos e interessado na agenda socioambiental, sou cadastrado para receber os seus boletins, declarações, notícias e informes de campanhas.

De antemão, esclareço que não me coloco entre aqueles que, mesmo no campo da esquerda, consideram genericamente que as “ongs estrangeiras” representam uma ameaça à soberania e aos interesses nacionais. Também considero que o modelo energético brasileiro é dominado por concepções equivocadas (para dizer o mínimo), tal qual ocorre com outras questões estruturais do nosso país.

Chegando ao que me faz escrever estas linhas, nesta terça-feira, 18 de junho, recebi por e-mail uma mensagem – intitulada “O gigante acordou” – assinada pelo seu diretor da campanha de Clima e Energia que me deixou bastante intrigado.

No entendimento geral – clamor por uma “mudança significativa de comportamento” e “pedidos por serviços acessíveis e de qualidade na saúde, educação e no transporte público” – e no objetivo (“cidades mais justas”), coincidimos plenamente.

Também endosso e felicito o Greenpeace por reafirmar sua disposição para continuar colocando as campanhas na rua, na forma de protestos e ações pacíficas e criativas, algumas das quais já participei e divulguei.

O que me intrigou, entretanto, é a avaliação de que o “Brasil acordou – e não pretende dormir mais” e que a sociedade brasileira se encontrava em “estado de sonolência”.

Sei muito bem da elevada qualificação profissional dos integrantes do Greenpeace e, portanto, não posso crer em desconhecimento da nossa história enquanto sociedade.

Seria desnecessário, portanto, dizer que os povos indígenas que aqui vivem estão há séculos acordados e em luta pela garantia da posse e da restituição dos seus territórios. O genocídio que eles sofreram – e que ainda hoje sofrem, de forma silenciosa e em baixa intensidade – não lhes dá direito de dormir ou de entrar em estado de sonolência.

Ademais, os camponeses sem terra e/ou perseguidos pelos latifundiários lutam igualmente há séculos por condições dignas de vida. Antonio Conselheiro em Canudos; João Pedro Teixeira, Adelson Julião e as Ligas Camponeses; Manoel da Conceição (ainda bem acordado!) e os trabalhadores rurais do Maranhão; as milhões de pessoas ligadas ao MST (incluindo os mártires de Eldorado dos Carajás) e aos outros inúmeros movimentos sem terra que lutam por um outro modelo agrícola e fundiário, coerente, inclusive, ao que defende o Greenpeace; a Comissão Pastoral da Terra e os heróicos e solitários adeptos da Teologia da Libertação que enfrentam as milícias e os jagunços nos rincões do Brasil, como o brasileiríssimo dom Pedro Casaldáliga.

E os/as milhares de militantes do movimento negro, que encaram de peito aberto e cabeça erguida o racismo e buscam a igualdade de direitos e oportunidades? Tampouco se pode falar em sonolência deste segmento.

O que dizer das mulheres e da militância LGBT, que sofrem cotidiana e sistematicamente todo tipo de violência física e simbólica que lhes impede de gozar plenamente dos seus direitos básicos? Ninguém dorme no ponto quando seus direitos estão em jogo.

E o tripé de milhares de professores, funcionários e estudantes das universidades federais, que deflagraram mais de uma dezena de greves e incontáveis mobilizações nacionais nas últimas duas décadas? E posso falar, como testemunha que participou ativamente de alguns desses momentos, que dormir é o que menos se faz nesses processos.

Preciso falar do movimento sindical, que já enfrentou tanques (petroleiros em 1995) e levou às ruas multidões colossais no início dos anos 1980, contribuindo decisivamente para derrubar a ditadura que nos sufocava?

Aliás, por falar em ditadura, centenas de famílias brasileiras ainda hoje não dormem porque jamais souberam o que aconteceu com seus entes que ousaram levantar armas ou vozes contra o regime civil-militar instaurado em 1964. E outras dezenas de milhares certamente têm gravado na pele e na memória as dolorosas lembranças daqueles não tão longínquos tempos nos quais, para muitos, o sono era algo raro e até perigoso.

Ainda poderia discorrer sobre a luta do movimento sanitarista que resultou na construção do SUS e que hoje continua a peleja pelo seu aperfeiçoamento e implementação efetiva. Ou sobre a ação conjunta das dezenas de milhares de pessoas vinculadas aos conselhos tutelares e à luta pela defesa dos direitos de crianças e adolescentes.

E claro que não posso dormir e esquecer os jornalistas, radialistas, midialivristas, blogueiros e toda a sorte de comunicadores populares que empunham a bandeira da democratização da comunicação e difundem outras, como a dos direitos humanos.

Nenhum destes atores políticos que listei jamais dormiu ou esteve na sonolência. E todos eles estão não apenas felizes com as recentes manifestações Brasil afora, mas estão participando e ajudando a organizá-las, a garantir a visibilidade e a divulgação dos pontos de vista de quem as faz.

O que sempre aconteceu e continuará ocorrendo, sem qualquer dúvida, é o permanente processo de invisibilização, deslegitimação e criminalização (quando não a eliminação física dos integrantes) destes atores enquanto sujeitos da história, em processos comandados pelos setores dominantes política e economicamente da nossa sociedade.

Por tudo isso lhes peço: por favor, jamais digam novamente que o povo brasileiro esteve dormindo ou em sonolência. Além de não corresponder à realidade histórica e contemporânea, afirmar isso é, em última análise, um desrespeito ao sangue, ao suor e às lágrimas derramadas ao longo destes cinco séculos.

Dito isso, vamos continuar nas ruas e praças, mas também nos acampamentos, assentamentos, territórios indígenas, comunidades quilombolas, nos sindicatos, grêmios, centros acadêmicos e demais entidades estudantis, nos conselhos de direitos e de políticas públicas e em todos os espaços da sociedade civil e do Estado, porque a política está em todos esses lugares, o tempo todo. Ela não pode se resumir a partidos políticos. E muito menos a ONGs.

Vamo que vamo!

Cordialmente,

Rogério Tomaz Jr.
Jornalista

Esse povo alguma vez dormiu? (Foto: Sebastião Salgado)

Esse povo alguma vez dormiu? (Foto: Sebastião Salgado)

Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 18/06/2013

Os protestos e a hipocrisia da mídia: Diário de Pernambuco

Imagem postada no Facebook pelo usuário Thiago Azurém ajuda a desnudar a hipocrisia da maior parte da mídia comercial, que tem nojo de povo e de qualquer mobilização popular.

Em fevereiro de 2012, Recife foi sacudida por manifestações contra o aumento das passagens do transporte coletivo.

O Diário de Pernambuco é o jornal dos latifundiários de Pernambuco, os senhores de engenho que usam jagunços para assassinar os sindicalistas nos canaviais e os lutadores pela terra na Zona da Mata.

Confira as capas e tire suas próprias conclusões.

Diário de Pernambuco e os protestos: hipocrisia pura!

Diário de Pernambuco e os protestos: hipocrisia pura!

Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 05/06/2013

Visita de um brasileiro a Famatina (o Belo Monte da Argentina)

A visita a Famatina ocorreu em fevereiro de 2012. O vídeo, só consegui editar e publicar em julho do ano passado.

Mas havia esquecido de postar aqui no blog esse pequeno registro de uma das maiores lutas travadas na Argentina na área ambiental nos últimos anos.

"A água vale mais do que o ouro" (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

“A água vale mais do que o ouro” (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

A história da minúscula cidade de Famatina, na província de La Rioja, e da resistência dos seus habitantes à cobiça das grandes mineradoras multinacionais mereceria um livro ou um filme. Ou vários.

Enquanto isso não surge, vamos divulgando o que podemos. E nos somando à resistência.

Tal qual Belo Monte, trata-se de uma batalha de Davi contra Golias. Felizmente, no caso do nosso vizinho o pequeno Davi está derrotando o gigante.

"Meu povo não se vende" (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

Confira o vídeo.

Visita de um brasileiro a Famatina

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"El Famatina no se toca" é o mantra da resistência à exploração das serras de Famatina, especialmente do monte General Belgrano, também conhecido por monte Famatina, com seus 6.250m (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

“El Famatina no se toca” é o mantra da resistência à exploração das serras de Famatina, especialmente do monte General Belgrano, também conhecido por monte Famatina, com seus imponentes 6.250m (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

PS: A trilha sonora que usei no vídeo é toda do grupo independente Jamaicaderos, de Buenos Aires, também engajado nas lutas populares da Argentina.

Mais sobre Famatina neste blog:

05/02/2012

Famatina: o Belo Monte da Argentina (e o péssimo exemplo para o Brasil)

22/02/2012

Chilecito e Famatina: primeiras impressões

 

Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 29/05/2013

Facebook censura Dilma Bolada por crítica a Aécio Neves

O Facebook entra para a lista de grandes empresas que adotam a censura política no Brasil.

Um post da “Dilma Bolada” – perfil satírico criado pelo estudante Jeferson Monteiro – com uma crítica ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) publicado no último sábado (25) foi apagado cerca de três horas após sua publicação, segundo o próprio administrador do perfil.

Resta saber se Aécio Neves, que fez questão de defender a blogueira cubana Yoani Sanchez por conta da perseguição que ela diz sofrer do regime cubano, também vai criticar o Facebook. O mesmo vale para a “nata” da direita que se perfilou em defesa da “liberdade de expressão” da blogueira.

A empresa de Mark Zuckerberg se junta à Gol (que censurou artigo do jornalista Rodrigo Savazoni em 2010) e a praticamente todos os grandes meios de comunicação do Brasil, que sistematicamente censuram posições contrárias às suas e ainda distorcem os pontos de vistas de quem não segue a cartilha neopaleoliberal dos demotucanos, de quem estes veículos são porta-vozes oficiosos.

A censura do Facebook foi noticiada em detalhes pela revista Fórum – que, aliás, inspirou o post apagado – e pela colunista Mônica Bérgamo, da Folha de São Paulo. Seguem abaixo.

A informação que deve ter incomodado os tucanos (?) gestores da rede virtual no Brasil: Aécio Neves é réu num processo que apura desvio de R$ 4,3 bilhões da saúde.


http://revistaforum.com.br/blog/2013/05/facebook-censura-post-de-dilma-bolada-critico-a-aecio-neves-inspirado-em-noticia-da-forum/

29/05/2013 1:16 pm
Facebook censura post de Dilma Bolada crítico a Aécio Neves inspirado em notícia da Fórum

notícia publicada pela Fórum aponta que Aécio Neves é réu e será julgado por desvio de R$4,3 bilhões da saúde

Por Igor Carvalho

O Facebook deletou uma postagem do perfil Dilma Bolada, inspirado em uma matéria publicada pela Fórum, criticando o senador Aécio Neves (PSDB). Por conta disso, o carioca Jeferson Monteiro, que administra o perfil nas redes sociais, afirmou que está considerando a possibilidade de retirar a sátira do ar.

Fórum se solidariza e compreende a pressão sofrida por Jeferson, mas apela para que ele não desista do perfil que criou, que é um dos mais divertidos da rede.

Confira o texto postado no Dilma Bolada, questionando a censura do Facebook e cogitando a possibilidade de sair das redes sociais.

NOTA DE ESCLARECIMENTO:

Queridos internautas e queridas internautas, venho por meio deste esclarecer um episódio que ocorreu no último sábado à noite.

Infelizmente é um assunto desagradável que de antemão peço desculpas a todos por ter que abordá-lo. Pois então, no último sábado à noite, enquanto assistia à novela, vi algumas inserções comerciais de Aécio no intervalo comercial. No twitter, recebi o link de um seguidor de uma matéria da Revista Fórum que dizia que o cidadão é RÉU de um processo por improbidade administrativa. Achei curioso e resolvi fazer um post aqui no Facebook, mas antes, como de costume, fui checar se a citada notícia havia sido veiculada em algum lugar, e encontrei no portal Fala MG e no Bahia Notícias.

Pois bem, então fiz o post por volta das 10 da noite no sábado, euzinha mantive a linha de sempre, falei que não levava desaforo pra casa e chamei Never de piadista. A reação foi imediata: o post teve mais de 1300 likes em 10 minutos e 600 compartilhamentos(números surpreendentes para um sábado à noite), as reações contrárias também foram muitas, estas inclusive me fizeram, naquele momento, não retomar ao assunto pois sempre levo em consideração a percepção de vocês. Mas para a supresa de todos, cerca de 3 horas depois, o post foi APAGADO!

Fiquei chatiadíssima com essa situação e sem entender o que havia ocorrido. No twitter, na segunda, meus seguidores pediram que eu refizesse o post e decide por refazer. Ainda na segunda, a coluna da Mônica Bergamo da Folha me procurou para saber o que havia ocorrido. Eles entraram em contato com o Facebook Brasil que disse que não comentaria o caso, o que me causa ainda mais indignação. O Facebook é uma rede social livre e tem suas próprias regras e diretrizes, por isso tomo todos os cuidados necessários para obedecê-los, e ao meu ver não houve nenhum descumprimento à sua política de privacidade. Pelo contrário, eu acho que meu post era um belíssimo caso de liberdade de expressão em nosso país que já teve tempos muito difíceis onde as pessoas eram oprimidas.

Em tempo, ultimamente tem sido complicado estar aqui com vocês, não digo nem por mim afinal competência, simpatia, conexão e beleza sempre me acompanham, mas falo pelo jovem fake golpista Jeferson Monteiro, apesar dos pesares me preocupo com cada um de vocês e com ele não tem seria diferente, tenho observado há muito que ele vem sofrendo constantes ataques de pessoas opositoras e contrárias ao meu Governo, membros do PSDB e da “Juventude” do Partido estão numa intensa e incessante perseguição a ele, todos os dias ofendendo, usando duras palavras, fazendo acusações infundadas e ameaçado de processos quando se pensa em responder à altura. É muito complicado que tenhamos pessoas com pensamentos tão limitados e conspiratórios que só pensem que as pessoas fazem as coisas por dinheiro. Dirijo-me ao Presidente deles e peço que aconselhe seus filhotes e que eles tenham um pouco mais de bom senso e educação.

Exposto tudo isso, gostaria de reafirmar: esta rede é minha, apenas minha sem vínculo com ninguém mais. É extremamente desagradável que eu tenha que parar no meio do meu expediente para escrever isso para vocês.
Também peço desculpas a todos aqueles que, independente do partido, tenham que se deparar com essas declarações. O meu compromisso é com vocês, dilmetes, independente se você é do time dos vermelhos, dos tucanos, do dudu ou dos sustentáveis. Sou a Presidenta de todos!

Diante de tudo o que foi dito, hoje vou tirar o dia para refletir e tomar a decisão se continuamos ou não juntos aqui. Por isso, vou analisar todos os pontos e hoje às 20h, eu farei uma nota oficial aqui na página para anunciar se eu, Dilma Bolada, fico ou se vou.
Enfim, tenham certeza que tomarei a melhor decisão para todos nós e peço que entendam e me apóiem independente de qual seja.

Por fim, faço um apelo ao Facebook, ao Alexandre Hohagen, que conhece nossa página, e a imprensa para que todos saibamos o que ocorreu. Vivemos num país livre e nossa maior rede social não pode nos privar o direito ao acesso à informação e a liberdade de expressão e opinião. Informo ainda que hoje, excepcionalmente, não atenderei demandas da imprensa. Espero que compreendam.

Em tempo, agradeço a Folha e a coluna pela ajuda no caso, aqui vocês podem conferir a coluna de hoje: 
http://bit.ly/18uhIBq

“Prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras.”
Brasil, país rico é país onde é assegurado o direito de manifestar livremente opiniões, ideias e pensamentos.

#RainhaDaNação #InternetSemPresidenta #DilmaBoladaCensurada #VouLigarProMarkinho #CensuraEuVETO #ImaginaNaCopa #SeuRecalqueBateNaMinhaPopularidadeEVolta

Postado originalmente em http://migre.me/eMuUa.

*****


http://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2013/05/1286403-novos-conselheiros-do-cnj-serao-escolhidos-em-concurso-com-dezenas-de-candidatos.shtml

Censura a Dilma Bolada na Mônica Bérgamo

Censura a Dilma Bolada na Mônica Bérgamo

 

29/05/2013 – 03h01

“Dilma Bolada” é censurada no Facebook após piada sobre Aécio Neves

DILMA FRUSTRADA
Uma frase postada no sábado pelo perfil “Dilma Bolada”, sátira inspirada na presidente e que tem 335 mil seguidores no Facebook, foi apagada pela rede social três horas depois de ir ao ar. Ela fazia referência a um processo contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG). “Inventar mentira contra mim é mole, querido”, dizia a piada, como se fosse escrita pela petista. “Fiquei frustrado”, afirma Jeferson Monteiro, administrador da página.

DIRETO AO PONTO
A assessoria de imprensa do Facebook, que se reserva o direito de excluir postagens que descumpririam suas regras, diz que não comenta casos específicos.

AMEAÇA
O autor de “Dilma Bolada” diz que já sofreu ameaças de ser processado por causa das sátiras. E nesta quarta divulgou nota dizendo que pode “suicidar” a página do Facebook. Em um texto na rede social, ele diz, como se fosse a presidente: “Eu acho que meu post era um belíssimo caso de liberdade de expressão em nosso país que já teve tempos muito difíceis onde as pessoas eram oprimidas”.

AMEAÇA 2
Monteiro prossegue: “Em tempo, ultimamente tem sido complicado estar aqui com vocês, não digo nem por mim ['Dilma Bolada'] afinal competência, simpatia, conexão e beleza sempre me acompanham, mas falo pelo jovem fake golpista Jeferson Monteiro, apesar dos pesares me preocupo com cada um de vocês e com ele não tem seria diferente, tenho observado há muito que ele vem sofrendo constantes ataques de pessoas opositoras e contrárias ao meu Governo, membros do PSDB e da ‘Juventude’ do Partido estão numa intensa e incessante perseguição a ele, todos os dias ofendendo, usando duras palavras, fazendo acusações infundadas e ameaçado de processos quando se pensa em responder à altura”.

AMEAÇA 3
Em outro trecho da carta aberta, Jeferson Monteiro afirma que vai refletir para decidir se continua nas redes sociais. Leia, em “Poder”, a reação dele e a íntegra do texto.

 

Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 27/05/2013

Erro em rampa do Boulevard Shopping prejudica cadeirantes em Brasília

No Boulevard Shopping, na Asa Norte, em Brasília (DF), um erro de engenharia (ou de execução da obra) torna o final da rampa de saída do supermercado um obstáculo praticamente intransponível para cadeirantes.

Na última sexta-feira (24), um cadeirante me pediu auxílio para poder sair da rampa e entrar na calçada.

- Não adianta nada [se referindo ao final da rampa] – disse o cadeirante.

Assista ao vídeo abaixo e confira.

Dentro de dois meses irei ao local novamente para conferir se o shopping corrigiu o erro.

Rampa do Carrefour em Brasília prejudica cadeirantes

-

Carrefour em Brasília

Carrefour em Brasília

PS: Atualizei o post às 21h de segunda (27), após ser contatado pelo SAC do Carrefour (através do Twitter e pelo telefone) e receber a informação de que a rampa é de responsabilidade da administração do shopping.

Eu sempre tive convicção do que esse post comprova agora.

Torcida de futebol se conta é no estádio, não em “pesquisas” entre a população. Torce para algum clube? Então vá para o estádio apoiá-lo.

A história – criada pela Globo e o restante da Flamídia – da “maior torcida do Brasil” só tem sentido se for levado a sério a categoria “torcedor de poltrona”.

Nesse quesito, aí sim, o Flamengo tem a maior torcida do Brasil e do mundo!

Cruzando dados de médias de público e da última pesquisa sobre a preferência da população pelos clubes de futebol, criei o que chamo de Índice de Torcida Efetiva (ITE).

Do ponto de vista do espetáculo, do futebol real - a torcida na arquibancada, vibrando e sofrendo com o time em campo, é um elemento imprescindível à paixão que tornou o futebol o esporte mais popular do planeta -, é óbvio que o ITE é muito mais valioso do que saber que “tantos por cento” da população torce por um time X.

As tabelas e gráficos abaixo demonstram e ilustram que – entre os 20 times de maior torcida do Brasil, segundo o “ranking” divulgado recentemente* – é o Ceará Sporting Club, o “Vozão do Coração do Meu Povão”, o “Alvinegro de Porangabuçu”, o detentor do melhor ITE do Brasil, com índice de 1,585 (considerando os campeonatos da Série A de 1971 até 2011).

Torcida do Ceará

O Flamengo? É o penúltimo entre os 20 clubes, à frente apenas do Corinthians.

O cálculo do ITE? Simples: pegue a média de público e divida pelo total da torcida, segundo o ranking, e multiplique por 100. Ou seja, o ITE corresponde ao percentual da torcida que efetivamente comparece ao estádio para apoiar o seu time.

Considerando a média de 2012 do Flamengo (12.250 pagantes por jogo), por exemplo, o ITE do time (que possui 16,8% da preferência dos 190 milhões de brasileiros/as, ou seja, cerca de 31,9 milhões de torcedores) no ano foi de 0,038. Já o Santa Cruz, com sua média de 24.347 pagantes no ano passado, liderou o ranking do ITE com 1,831.

Há inúmeras críticas que podem ser feitas à concepção do ITE.

Entretanto, nenhuma vai tirar o título da “nação rubro-negra” de “maior torcida de poltrona” do mundo.

Nem mesmo o Corinthians, apesar de possuir um ITE geral (de 1971 até 2011) menor do que o do Flamengo, pois os corintianos não chegam nem perto dos flamenguistas em termos de chatice.

Confira os números e gráficos.

20 MAIS NUMEROSAS TORCIDAS DO BRASIL (2013)

Clube % Total
1 Flamengo 16,80%        31.920.000
2 Corinthians 14,60%        27.740.000
3 São Paulo 8,10%        15.390.000
4 Vasco 5%          9.500.000
5 Palmeiras 4,90%          9.310.000
6 Cruzeiro 3,80%          7.220.000
7 Santos 3,40%          6.460.000
8 Grêmio 3%          5.700.000
9 Atlético 2,60%          4.940.000
10 Internacional 2,50%          4.750.000
11 Fluminense 1,80%          3.420.000
12 Botafogo 1,60%          3.040.000
13 Sport 1,40%          2.660.000
14 Bahia 1,20%          2.280.000
15 Vitória 0,80%          1.520.000
16 Santa Cruz 0,70%          1.330.000
17 Atlético-PR 0,70%          1.330.000
18 Náutico 0,60%          1.140.000
19 Paysandu 0,60%          1.140.000
20 Ceará 0,50%              950.000

Fonte: 
http://www.novotopico.com/ranking-das-maiores-torcidas-do-brasil-atualizado-26-03-2013-t29688.html

Médias de Público em 2012

Clube MÉDIA 2012
1 Corinthians         25.222
2 Santa Cruz         24.347
3 São Paulo         24.298
4 Grêmio         23.530
5 Bahia         18.981
6 Atlético         18.274
7 Sport         17.811
8 Vitória         16.192
9 Náutico         12.894
10 Fluminense         12.644
11 Flamengo         12.250
12 Palmeiras         11.983
13 Cruzeiro         11.677
14 Paysandu          9.726
15 Internacional          9.270
16 Ceará          8.853
17 Botafogo          8.522
18 Santos          8.108
19 Vasco          7.559
20 Atlético-PR          3.323

Fontes: 
http://globoesporte.globo.com/futebol/brasileirao-serie-a/publico-brasileirao.html


http://globoesporte.globo.com/futebol/noticia/2012/12/corinthians-tem-melhor-media-de-publico-de-todas-divisoes-em-2012.html

Índice de Torcida Efetiva em 2012

CLUBE ITE 2012
1 Santa Cruz 1,831
2 Náutico 1,131
3 Vitória 1,065
4 Ceará 0,932
5 Paysandu 0,853
6 Bahia 0,833
7 Sport 0,670
8 Grêmio 0,413
9 Atlético 0,370
10 Fluminense 0,370
11 Botafogo 0,280
12 Atlético-PR 0,250
13 Internacional 0,195
14 Cruzeiro 0,162
15 São Paulo 0,158
16 Palmeiras 0,129
17 Santos 0,126
18 Corinthians 0,091
19 Vasco 0,080
20 Flamengo 0,038

Médias de público gerais (1971-2011)

Clube Média (1971-2011)
1 Flamengo                   26.979
2 Bahia                   24.139
3 Atlético                   24.067
4 Corinthians                   22.349
5 Cruzeiro                   19.276
6 Internacional                   18.259
7 Palmeiras                   17.653
8 São Paulo                   17.444
9 Grêmio                   17.174
10 Vasco                   17.133
11 Fluminense                   16.129
12 Santa Cruz                   15.607
13 Sport                   15.183
14 Ceará                   15.056
15 Botafogo                   13.735
16 Paysandu                   13.562
17 Santos                   13.212
18 Vitória                   12.746
19 Náutico                   11.739
20 Atlético-PR                   11.605

Fonte: 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:P%C3%BAblicos_no_Campeonato_Brasileiro_de_Futebol#M.C3.A9dia_geral_por_clube

Índice de Torcida Efetiva (1971-2011)

CLUBE ITE (até 2011)
1 Ceará 1,585
2 Paysandu 1,190
3 Santa Cruz 1,173
4 Bahia 1,059
5 Náutico 1,030
6 Atlético-PR 0,873
7 Vitória 0,839
8 Sport 0,571
9 Atlético 0,487
10 Fluminense 0,472
11 Botafogo 0,452
12 Internacional 0,384
13 Grêmio 0,301
14 Cruzeiro 0,267
15 Santos 0,205
16 Palmeiras 0,190
17 Vasco 0,180
18 São Paulo 0,113
19 Flamengo 0,085
20 Corinthians 0,081

GRÁFICOS

ITE 2012

(Clique para ampliar)

Índice de Torcida Efetiva em 2012

Índice de Torcida Efetiva em 2012

ITE 1971-2011

(clique para ampliar)

Índice de Torcida Efetiva (1971-2011)

Índice de Torcida Efetiva (1971-2011)

Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 18/05/2013

Goles de Cortázar (1)

Inauguro hoje uma categoria nova aqui nessa biroska virtual. Trechos de autores que valem a pena ser “bebidos”, iniciando pelo argentino Julio Cortázar.

Aceito sugestões.

A VOLTA AO DIA EM 80 MUNDOS

Julio Cortázar

DO SENTIMENTO DE NÃO ESTAR TOTALMENTE

Jamais réel et toujours vrai
(Num desenho de Antonin Artaud)

Serei sempre crianças para muitas coisas, mas dessas crianças que trazem em si o adulto desde o princípio, de maneira que quando o monstrinho vira realmente adulto acontece que este por sua vez traz em si a criança, e nel mezzo del camin se dá uma coexistência poucas vezes pacíficas de ao menos duas aberturas para o mundo.

Isto pode ser entendido metaforicamente, mas de qualquer modo indica um temperamento que não renunciou à visão pueril como preço da visão adulta, e essa justaposição que caracteriza o poeta e talvez o criminoso e também o cronópio e o humorista (questão de dosagens diferentes, de acentuação paroxítona ou proparoxítona, de escolhas: agora eu jogo, agora eu mato) se manifesta no sentimento de não estar totalmente em qualquer das estruturas, das teias que a vida constrói e onde somos ao mesmo tempo aranha e mosca.

Muito do que escrevi se classifica sob o signo da excentricidade, porque nunca admiti uma clara diferença entre viver e escrever; se ao viver consigo disfarçar uma participação parcial nas minhas circunstâncias, não posso porém negá-la no que escrevo porque escrevo precisamente por não estar ou por só estar pela metade. Escrevo por incapacidade, por deslocação; e como escrevo num interstício, estou sempre propondo que outros procurem os seus e por eles olhem o jardim onde as árvores têm frutos que são, naturalmente, pedras preciosas. O monstrinho continua firme.

(…)

Julio Cortázar - A volta ao dia em 80 mundos

Julio Cortázar – A volta ao dia em 80 mundos

MAIS SOBRE GATOS E FILÓSOFOS

Que sorte excepcional, ser um sul-americano e especialmente um argentino que não se sente obrigado a escrever a sério, a ser sério, a sentar-se em frente à máquina com os sapatos engraxados e uma sepulcral noção da gravidade-do-instante. Uma das frases que mais amei premonitoriamente na infância foi a de um colega: “Que engraçado, todo mundo está chorando!” Nada mais cômico que a seriedade entendida como valor prévio a toda literatura importante (outra noção infinitamente cômica quando pressuposta), a seriedade de quem escreve como quem vai a um velório por obrigação ou dá uma bronca num padre.

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Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 16/05/2013

Deley na festa estranha com gente esquisita

Grande jogador de futebol na sua época, o hoje deputado federal Deley (PSC-RJ) tem atuação apagada no campo da política, mas nesta madrugada de quinta-feira (16) protagonizou um “lance” que vai ficar na memória de muita gente.

Não exatamente pela grandeza, vale dizer.

Assista ao vídeo abaixo e tire as suas próprias conclusões.

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Dizem que ele deveria ter cantado o resto da música do Legião Urbana…

Deley na tribuna (Foto: Leonardo Prado)

Deley na tribuna (Foto: Leonardo Prado)

Vicente Massot, diretor do principal jornal de Bahía Blanca, cidade industrial e portuária a 650 quilômetros de Buenos Aires, pode ser preso pela Justiça argentina devido ao apoio sistemático do diário à última ditadura no País 1976-1983), informa o Página 12 na sua edição de 11 de maio.

A prisão do diretor do jornal La Nueva Provincia (LNP) foi pedida pela unidades fiscal que investiga os crimes de lesa humanidade ocorridos na cidade.

Vicente Massot: "engrenagem a mais da ditadura argentina" (Foto: Pablo Piovano)

Massot: “engrenagem a mais da ditadura argentina” (Foto: Pablo Piovano)

“Não estamos falando de jornalismo nem de simpatia por uma posição política, mas da concretização de uma etapa do plano criminoso, especificamente elaborada, que La Nueva Provincia executou à perfeição, sem fissuras e com um compromisso maior, inclusive, do que muitos dos condenados”, disseram os fiscais José Nebbia e Miguel Palazzani.

Os juízes Jorge Ferro, Martín Bava e José Triputti, que conduziram em 2012 um processo judicial contra agentes da ditadura em Bahía Blanca, apontaram que o jornal desenvolveu “campanha de desinformação e propaganda” não apenas para “impor a versão” dos carrascos, mas para criar “um estado de anomia legal na sociedade, que permitiu o exercício brutal de violência irracional” por parte do Estado. O tribunal considerou que a família Massot, que dirige o jornal, teve papel destacado na “indução de culpa sobre as próprias vítimas, familiares e amigos” e na “persuasão ao silêncio de toda a população”.

Mães da Praça de Maio em busca dos seus filhos desaparecidos (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

Mães da Praça de Maio em busca dos seus filhos desaparecidos (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

Segundo os fiscais, que elaboraram um relatório de 137 páginas, LNP teve “uma participação criminosa concreta e específica” que “se disfarçou sob a roupagem da atividade jornalística”.

O documento cita editoriais e notícias do próprio jornal para atestar a sua condição de “engrenagem” da ditadura. “Estamos ganhando a batalha no campo militar e perdendo no cultural”, disse o LNP em abril de 1978.

Alguma semelhança com o que ocorreu (e ainda ocorre) no Brasil?

Os fiscais também listaram antecedentes, como a condenação, no célebre Tribunal de Nuremberg, Tribunal de Nuremberg do dono do jornal alemão Der Sturmer, decido ao seu trabalho “de propaganda do regime genocida”, bem como o Tribunal Penal Internacional para Ruanda, que condenou o responsável pelo jornal Kangura, que instigou o genocídio cometido naquele país em 1994.

A decisão sobre a prisão de Massot está nas mãos do juiz federal Santiago Martínez.

A matéria completa do Página 12 (em espanhol) segue abaixo.

No Brasil

Enquanto no Brasil ainda se luta para, ao menos, identificar e responsabilizar torturadores da ditadura civil militar que vigorou entre 1964 e 1985, na Argentina o poder público e a população avançam na persecução judicial a todos os agentes que, de uma forma ou outra, deram sustentação ao regime ilegal que sufocou a democracia entre 1976 e 1983.

Se aqui ainda ainda prevalece a espúria Lei da Anistia – uma autoanistia, vale dizer – sobre todos os tratados de direitos humanos internacionais dos quais o País é signatário, no nosso vizinho, que já colocou na cadeia alguns dos generais que comandaram o regime de terror, o próximo passo é penalizar os títeres que colaboraram, no âmbito da sociedade civil, para garantir a ação da ditadura na eliminação dos seus opositores.

Imaginem se aqui os donos da mídia – como os Frias (Folha), os Marinho (Globo), os Mesquita (Estadão) e os Sirotsky (RBS/Zero Hora), só para ficar nos grupos mais visíveis – tiverem que enfrentar tribunais por conta do seu apoio ao regime dos milicos… vão dizer que é o Golpe Comunista lulopetista.


http://www.pagina12.com.ar/diario/elpais/1-219785-2013-05-11.html

Página 12, sábado, 11 de maio de 2013

Un engranaje más dentro del plan criminal

Los fiscales consideraron, con apoyo del fallo del Tribunal Oral que el año pasado condenó a represores de Bahía Blanca, que Vicente Massot, como responsable del diario, tuvo un rol específico dentro del plan del terrorismo de Estado. Antecedentes del nazismo y Ruanda.

Por Diego Martínez

La unidad fiscal que investiga delitos de lesa humanidad en Bahía Blanca pidió la detención de Vicente Massot, director del diario La Nueva Provincia, por su participación en el plan criminal implementado por la última dictadura. La responsabilidad de los directivos del diario ya había sido señalada por el Tribunal Oral que condujo en 2012 el primer juicio a represores locales. “No estamos hablando de periodismo ni de simpatía por una posición política, sino de la concreción de una etapa del plan criminal, específicamente diseñada, que La Nueva Provincia ejecutó a la perfección, sin fisuras y con un compromiso mayor incluso que muchos de los condenados”, destacaron los fiscales José Nebbia y Miguel Palazzani. El pedido de detención alcanza a Mario Gabrielli, entonces jefe de redacción del diario bahiense. La decisión sobre el futuro de Massot y Gabrielli está ahora en manos del juez federal Santiago Martínez.

Los jueces Jorge Ferro, Martín Bava y José Triputti marcaron en su sentencia la “campaña de desinformación y propaganda negra” de LNP, no sólo para “imponer la versión de los victimarios”, sino para crear “un estado tal de anomia legal en la sociedad, que permitió el ejercicio brutal de violencia irracional” desde el Estado. El tribunal enfatizó el rol de los Massot en “la inducción de culpa sobre la propia víctima, familiares y amigos, la persuasión al silencio de toda la población y la incitación a considerar a los opositores como inadaptados sociales, que conduce a la deshumanización del grupo humano”. Recordaron que el propio Adel Vilas, cara visible de la dictadura en Bahía, aludió a LNP como un “valioso auxiliar de la conducción” militar. “La actuación de los directivos de LNP, por protagonismo, fluidos contactos, confianza, trato directo o ‘prima facie’ complicidad, con las autoridades del 5º Cuerpo, no se halla alejada de toda la ilegalidad que existía en la época”, escribieron.

Para los fiscales, LNP tuvo una “participación criminal concreta y específica” que “se disfrazó bajo el ropaje de la actividad periodística”. “El compromiso” con el genocidio se materializó en “el ejercicio de funciones de acción psicológicas”, explicaron. El detalle incluye fusilamientos presentados como enfrentamientos, elogios a la “eficacia” militar, datos sobre militancias “extremistas”, todo ilustrado con fotos robadas por los militares. “A ese nivel de complicidad, compromiso y acuerdo llegaba el ‘diario del sur argentino’ con la dictadura. Un nivel que lo ubica en el plano de la coautoría funcional, desplegando un rol específico y perfectamente delineado en los reglamentos de operaciones psicológicas y de inteligencia”, apuntaron Nebbia y Palazzani.

El documento de 137 fojas incluye hallazgos notables. “Estamos ganando la batalla en el campo militar y perdiéndola en el cultural”, editorializó LNP en abril de 1978. La primera persona del plural “es reflejo fiel de su pertenencia al plan de las Fuerzas Armadas, cumpliendo su rol de propaganda y a la vez de alerta para que la ‘guerra’ siguiera en el campo cultural”, advierten. En una de tantas notas para denostar a Jacobo Timerman como “responsable ideológico de la subversión”, los Massot destacaron su rechazo por los “plumíferos comunistas” de La Opinión y confesaron: “No es éste el lugar para dar sus nombres, cosa que hemos hecho en lugar y momentos adecuados; nombres de argentinos algunos y de excrecencias extranjeras otros”.

Diana Julio de Massot, directora hasta su muerte, fue “la cabecilla del grupo”, recordaron. El rol de Vicente Massot “era múltiple”. Desde 1974, cuando se modificó el contrato social de la empresa, fue socio, léase dueño. Según un acta de septiembre de 1975, la dirección decidió que “todo trato con el personal se canalizará por intermedio del señor Vicente Massot”. Fue en esos meses cuando el conflicto con los gráficos llegó a su pico y cuando la dirección denunció la “labor disociadora” de los delegados Enrique Heinrich y Miguel Angel Loyola, que meses después serían fusilados. El 24 de marzo de 1976, Massot se paseó por la rotativa con su mamá, bandera en mano, para provocar a los gráficos. En marzo de 1977 representó a la empresa en una reunión de la Sociedad Interamericana de Prensa, donde destacó que al enfrentar el país la “escalda del marxismo internacional” era lógico que se tomaran decisiones “lesivas respecto de determinadas libertades”. En 1979, ante declaraciones de Juan Pablo II sobre la violencia en la Argentina, editorializó en su radio (LU2) que el Papa se dejó influir por “madres cuyo dolor será muy entendible, pero que no es justificable, o bien por determinadas camarillas en el Vaticano que apoyan todo tipo de reivindicaciones marxistas o subversivas”. “Es inconcebible”, se ofuscó. En 1980, como “asistente de dirección”, visitó con su mamá a Albano Harguindeguy, ministro del Interior de la dictadura.

Los fiscales citaron dos antecedentes de directivos de periódicos condenados por su rol en genocidios. El Tribunal de Nuremberg condenó al dueño de Der Sturmer por “su labor de propaganda del régimen genocida”. Entendió “que era posible que no estuviese directamente implicado en la comisión física de los asesinatos de los judíos, pero que había alentado y conocía tales actos”. Los dueños de LNP “conocían la metodología que se estaba empleando, al punto de exigir que se modificara y se comenzara a fusilar masivamente”, recordaron. Igual que Vilas, “el criminal de guerra Himmler dijo que Der Sturmer ‘ha contribuido enormemente a descubrir al enemigo de la humanidad’”. El Tribunal Penal Internacional para Ruanda condenó al dueño del periódico Kangura por instigación directa y pública a cometer genocidio. Desde el diario “se promovía el odio y se hacía un llamado al exterminio” y “se manipulaba la conciencia de los lectores instigándolos al odio”, fundamentó. A partir de un análisis de derecho internacional y jurisprudencia sobre libertad de expresión, el tribunal concluyó que “la incitación a la violencia, las amenazas, los libelos o los falsos anuncios no pueden considerarse amparados por la libertad de expresión, ya que en el derecho internacional este principio no es incompatible con la prohibición de la discriminación y de los discursos del odio”.

 

Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 14/05/2013

Atlanta, o time da camisa “introcável”

Tantos jogos no sábado (11) da quatrocentona Nuestra Señora Santa María del Buen Aire e escolhi justamente um da terceira divisão nacional?

Com San Lorenzo e Boca no Nuevo Gasometro, fui parar no acanhado e desconhecido Don León Kolbovsky, em Villa Crespo, bairro judeu na zona oeste da capital portenha?

O motivo, um só: ver o Club Atlético Atlanta, time de coração do maior poeta vivo da língua espanhola, Juan Gelman, que chegou à 83ª primavera no último 3 de maio.

Estádio do Atlanta

Estádio do Atlanta (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

Incontáveis vezes tomei o trem da linha San Martín no Retiro com destino a El Palomar e a cancha dos Bohemios estava sempre lá, me convocando pra ver uma peleja no seu pequeno, mas caloroso espaço – inclusive porque o sol abraça toda a plateia de frente em cada exibição do clube fundado no longínquo 1904.

O adversário: San Telmo Football Club, justamente do bairro que sempre me abriga na capital portenha e pelo qual me enamorei desde a primeira caminhada. Acaso (ou não): o time de San Telmo também foi criado em 1904.

Escapei de apanhar – ou de ouvir boas groserias – por pouco, pelo descuido de ir ao jogo trajando a a camisa do Rosário Central. Ingenuamente, acreditei que as cores amarelo e azul, adotadas tanto pelo Atlanta quanto pelos rosarinos, não me trariam qualquer problema.

Fui avisado a tempo, mas a camisa reserva que trazia, a tricolor do Fluminense, não ajudava muito, devido à semelhança com o maior rival dos Bohemios, o Chacarita.

O jeito foi vestir a jaqueta azul celeste e enfiar as blusas em algum buraco na mochila.

Mais do que uma partida de futebol (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

Mais do que uma partida de futebol (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

Tão logo entrei no estádio, iniciei a busca pela cadeira “Juan Gelman” na plateia principal, que imortaliza em muitos dos assentos amarelos os sócios fundadores, beneméritos e ilustres.

Torcedor comemora o gol do Atlanta (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

Torcedor comemora o gol do Atlanta (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

"Los Bohemios" (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

“Los Bohemios” (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

- Fica para lá – me disse um.

- Deveria existir uma [cadeira], mas não sei se há – respondeu outro.

Acabei não encontrando a dita cuja.

Assim como também não consegui trocar a camisa do Fluminense por uma do Atlanta.

- Não leve a mal, mas deixe eu lhe dizer uma coisa: a camisa do Atlanta é a única do mundo que não se troca jamais. Você pode perguntar a todas as pessoas no estádio. Nenhuma vai trocar. Eu mesmo tenho 32 camisas do Atlanta, mas não troco nenhuma. Nenhuma chance… – me esclareceu Sebastian, o simpático careca que aparece na foto abaixo.

Sebastian - dono de 32 camisas do Atlanta

Sebastian – dono de 32 camisas do Atlanta

Após oito tentativas, tive que me conformar com a recomendação unânime:

- Você encontra fácil na [avenida] Corrientes…

A camisa vai ficar para uma próxima viagem. No topo da lista de prioridades.

A experiência, vai ficar para a eternidade da minha memória. Não pelo jogo, bem limitado tecnicamente e que terminou num empate em um gol, mas por tudo que vi e vivi no meio de uma torcida tão apaixonada quanto diversificada na faixa etária.

De bebês a nonagenários, os hinchas do Atlanta me encantaram pelo amor e respeito ao time e à sua tradição.

Muita juventude acumulada

Muita juventude acumulada

Sofrimento em família (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

Sofrimento em família (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

Várias gerações no estádio do Atlanta (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

Várias gerações no estádio do Atlanta (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

Até a próxima, quiçá na “B Nacional”, já que o Atlanta está muito próximo de subir à segunda divisão da país de Maradona e Messi.

O álbum de fotos completo (53 fotos) está disponível no Flickr, no link abaixo:


http://www.flickr.com/photos/rogeriotomazjr/sets/72157633478276081/

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