Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 19/02/2014

A amizade de Sócrates e Eduardo Galeano

Falávamos sobre futebol, ou sobre política, ou ambos, e Galeano lembrou de Sócrates.

Recordara que algum jornalista certa vez lhe perguntou como eram os encontros com o nosso saudoso Doutor.

“Era horrível. Eu só queria falar de futebol e ele só queria falar de política”, respondeu.

Eduardo Galeano e Sócrates

Eduardo Galeano e Sócrates (clique para ampliar)

Autor de “Futebol ao sol e à sombra”, melhor livro já escrito sobre o esporte das massas, Galeano tem muitas outras histórias sobre sua relação com o futebol brasileiro. Algumas dessas estarão no livro que publicarei em 2015.

Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 10/12/2013

Farinhaço no Congresso contra os Perrela e o PSDB

“Não é mole não, tem cocaína financiando eleição!”.

“Sou brasileiro e não me engano, tem cocaína pra financiar tucano!”.

“Não é normal, não é normal, cocaína no Senado Federal!”.

Estas foram as palavras de ordem usadas num protesto realizado nesta terça (10), por volta de 15h, no Senado Federal, contra o escândalo dos 450 Kg de pasta de cocaína encontrados no helicóptero da família Perrela – filho deputado estadual e pai senador, ambos apadrinhados de Aécio Neves – em Minas Gerais.

A Polícia Federal decidiu arquivar e não investigar o caso.

Farinhaço no Congresso

Farinhaço no Congresso

Farinhaço no Congresso Farinhaço no Congresso Farinhaço no Congresso

Até o final do dia publico o vídeo do protesto.

A Globo registrou o protesto. Será que vai passar no Jornal Nacional?

Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 08/12/2013

Kibeloco censura heliPÓptero, mas faz 12 piadas com o PT em 3 semanas

O amigo jornalista Alexandre Lino deu o toque e fui conferir no site do Kibeloco: o portal de humor mais acessado do Brasil publicou, desde o dia 14 de novembro até 8 de dezembro, DOZE piadas debochando de José Dirceu e Genoíno.

Nesse período foi apreendido pela Polícia Federal um helicóptero da família Perrela – pai senador, filho deputado estadual, ambos apadinhados do senador Aécio Neves (PSDB-MG) – carregando 443 Kg de pasta de cocaína.

Mas o Kibeloco, ao contrário do José Simão e de tantos outros humoristas na Internet, não teve nenhuma inspiração para fazer piada sobre o episódio.

As piadas contra os petistas incluíram até insinuação de que Genoino fingiu sofrer problemas do coração para ter autorizado o regime de prisão domiciliar.

O portal é comandado por Antonio Tabet, amigo e roteirista (ou ex-roteirista, não sei dizer e não me interessa) do apresentador Luciano Huck, por sua vez, amicíssimo dos tucanos de São Paulo e de Aécio Neves.

Abaixo seguem algumas sugestões de charges e imagens para o Kibeloco – que costuma publicar sugestões de leitores, como na seção “Pracas do Braziu” – abordar o caso do heliPÓptero.

Esta é mais uma prova de que a censura no Brasil continua existindo, mas hoje é feita não pelo Estado, mas pelo mercado e também com motivações políticas.

Helicóptero TRIFLEX

Helicóptero TRIFLEX

Helicóptero de carreira

Helicóptero de carreira

 

A culpa é do piloto

A culpa é do piloto

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Na história da América Latina está registrada para a eternidade o nome de Manuela Sáenz, revolucionária equatoriana que lutou pela independência de várias nações, rejeitando o destino que sua família aristocrata lhe reservara.

No Brasil contemporâneo, uma das vozes mais ativas das lutas contra as opressões e violações de direitos humanos é a de uma jovem parlamentar, fã da equatoriana – que conheceu através da obra do uruguaio Eduardo Galeano – e igualmente vítima do machismo que todas as mulheres sofrem cotidianamente, mas que ainda é duplamente insidioso no caso daquelas que abraçam a militância política num país que está atrás.

Mesmo “acostumada” – no sentido de sofrer isso constantemente, inclusive de militantes petistas no Rio Grande do Sul, quando ela disputa algum cargo majoritário e se torna adversária do PT – com esse tipo de estupidez, Manuela D’Ávila jamais se cala diante do machismo que, entre outros objetivos, busca desqualificar a atuação das mulheres na política por conta de supostas “fraquezas” relacionadas aos seus sentimentos.

Elas seriam guiadas – segundo as vozes do machismo – não por convicções do pensamento, mas pelas “razões do coração”, como deixou escapar o deputad0 federal tucano Duarte Nogueira (SP), presidente do partido no seu estado e ex-líder da bancada na Câmara, num episódio que só merece o repúdio de qualquer pessoa com mais de dois neurônios ativos.

Confira o vídeo que registra o episódio, ocorrido justamente num dia em que a Câmara debateu durante horas, no plenário Ulysses Guimarães, a violência contra a mulher no Brasil e no mundo.

Abaixo o discurso na íntegra de Manuela na tribuna da Câmara em resposta à estúpida e machista insinuação de Duarte Nogueira.

PS: O episódio NÃO SERÁ NOTÍCIA NA GRANDE MÍDIA brasileira, que legitima e naturaliza TODOS OS DIAS o machismo e o racismo nas suas expressões mais sutis.

Manuela D'Ávila não se cala diante do machismo (Foto: Gustavo Lima/Agência Câmara)

Manuela D’Ávila não se cala diante do machismo (Foto: Gustavo Lima/Agência Câmara)

Manuela D’Ávila (PCdoB-RS), 04/12/2013 - Sr. Presidente Inocêncio Oliveira, Sras. e Srs. Deputados, hoje à tarde, por um período de praticamente 3 horas, este plenário recebeu uma Comissão Geral para debater a questão da violência contra as mulheres. A violência acontece fundamentalmente, como se diz na camiseta que várias mulheres e alguns homens usam no nosso plenário, pelo machismo. O machismo é construído culturalmente. É uma cultura que se instala no nosso País e em outros tantos a partir de diversas atitudes cotidianas que nós identificamos.

Hoje eu estava debatendo, como Líder que sou do meu partido, diga-se de passagem, a única Líder mulher da Câmara dos Deputados, uma Câmara com diversos partidos organizados e com baixíssima representação feminina, Líder de um partido que será presidido por uma mulher, o único partido que será presidido por uma mulher… Cito esses fatos não para nos autoproclamar, mas para identificarmos a cultura machista que persiste na política do nosso País, para que possamos ver como o fato que irei relatar não é um fato isolado, mas um fato que perpassa por toda a cultura do Congresso Nacional, para que a gente não valorize o fato isolado que vivi, mas identifique os fatos cotidianos da cultura política machista do nosso País.

Veja bem, Deputado Inocêncio Oliveira, estava na condição de Líder do meu partido debatendo o noticiário brasileiro, aquilo que sai em todos os jornais do nosso País há pelo menos 20 ou 30 dias, a corrupção e o cartel no Estado de São Paulo, aquilo a que todos os brasileiros têm assistido no Jornal Nacional, nos jornais de grande circulação. Há formação de cartel? A empresa Siemens, da Suíça, todos estão conspirando contra o PSDB ou há de fato corrupção, e corrupção pesada, no Estado de São Paulo? Questionava eu os Parlamentares tucanos na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, numa audiência com a presença do Ministro da Justiça, quando sou surpreendida, após 15 anos de militância e 10 anos de mandato parlamentar, por uma atitude extremamente machista do Presidente do PSDB de São Paulo, que, insinuando coisas que não são notícias requentadas ou não públicas da minha vida privada, diz que o coração tem razões que a própria razão desconhece, ou seja, tentando desqualificar acusações graves e políticas que fiz na condição de Líder de um partido político com a minha vida privada, atitude machista e leviana que não condiz com aqueles que tentam mudar a vida política e a cultura machista deste País.

Presidente Inocêncio, eu não falo aqui porque me sinto ofendida, aliás, me sinto ofendida como milhares de mulheres brasileiras que são ofendidas cotidianamente por essa cultura machista, falo porque não podemos tolerar mais que a Câmara dos Deputados, que o Congresso Nacional conviva com essa cultura de quem não sabe debater política, de quem não tem respostas para dar ao povo sobre o verdadeiro esquema de corrupção, porque o Estado de São Paulo tem que responder ao povo, e, por não ter respostas, vai pelo caminho fácil da violência do machismo contra as mulheres, da violência subjetiva, das falas entre linhas.

Ora, como eu disse na Comissão de Constituição e Justiça, a minha vida privada, embora não seja assunto público, não é promíscua como são promíscuas as relações que estão sendo investigadas no Estado de São Paulo.

A minha vida privada, como a minha vida pública, é honrada. Quem tem explicações para dar sobre a vida pública são os governantes do Estado de São Paulo. É disso que, como Líder do meu partido, cobro explicações, sim, de quem preside o partido tucano, o Deputado Duarte Nogueira, que, por não ter respostas para dar, vejam só, parte para a baixaria, baixaria com a minha vida privada, porque não sabe o que dizer sobre a situação do seu partido no Estado de São Paulo.

Uma pessoa corre grave risco de vida e um PASTOR evangélico debocha da sua condição. Se não já fosse grave suficiente um representante de uma religião tripudiar da vida de alguém, esse “humorista” ainda é um deputado federal, ou seja, representante do povo!

Foi na quarta-feira, 20 de novembro de 2013. Dia da Consciência Negra, mas, como qualquer data, sempre oportuno para a exposição de uma consciência doente e dominada por uma ideologia medieval.

Para piorar, o episódio surreal ocorreu numa comissão de direitos humanos!

Sem mais. Simplesmente assista.

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Dep. Pastor Eurico (PSB-PE)

Dep. Pastor Eurico (PSB-PE)

Na mesma sessão onde o pastor comediante se revelou, a comissão presidida por Marco Feliciano (outro pastor) aprovou dois projetos contrários aos direitos LGBT, ato do qual resultou o texto abaixo, do genial Xico Sá.

PS: No vídeo, o deputado loiro que aparece também é pastor, João Campos (PSDB-GO), que adora falar em corrupção sem lembrar do governador do seu estado e companheiro de partido, Marconi Perillo – ou, como se dizia durante a CPMI do ano passado, o vice-governador de Carlinhos Cachoeira.

http://xicosa.blogfolha.uol.com.br/2013/11/21/dar-meia-hora-de-feliciano-e-o-que-ha/

Dar meia hora de Feliciano é o que há

Leio aqui na Folha.com uma manchete que não me deixa quieto neste botequim sem saideira:

“Comissão de Feliciano aprova dois projetos contra gays em meia hora”.

Desculpe ai, leitor que se ofende com palavrões e quetais, mas só aproveitando os mesmos 30 minutos do relógio deste infeliz para sugerir ao renomado pastor um clássico nacional popular de muita utilidade nesse tic-tac da história: vai dar meia hora de cu, meu rapaz.

Meia horinha… Meia horinha com o relógio quebrado, obviamente.

Todos os formadores da ideia de Nação reconhecem o fulgor de tal termo e aprovariam a recomendação deste blog fincado em terreno baldio da mídia: Gilberto Freyre, Câmara Cascudo, Sérgio Buarque de Holanda, Paulo Prado, Mathias Aires (o maior filósofo brasileiro) e Liêdo Maranhão, o melhor de todos, o homem que decifrou o fiofó a partir dos usos e costumes das ruas brasileiras. Gênio-mor seu Liêdo das Olindas e do Mercado de São José, Hellcife, Pernambuco.

Já que aprova em tempo recorde, vai dar meia hora de cu, meu rapaz.

Só assim.

Ora, relaxa, vai ver um filmaço como “Tatuagem”, de Hilton Lacerda, vossa excelência, vai ver o que é gozar a vida. Está em cartaz, praga.

Diz o telegrama noticioso:

A Comissão de Direitos Humanos da Câmara aprovou, nesta quarta-feira (20), a convocação de plebiscito para consultar a população sobre a realização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, e a suspensão da resolução do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) que abriu caminho para o casamento gay.

Tenta aproveitar cada meia hora para coisas mais saudáveis, tranqueira.

Que mancada, dona Dilma, esse capeta em uma comissão tão estratégica. Que vanguarda do atraso.

Vade retro, satanás, besta-feira, 666, besta-fubana, febre do rato, bubônica, instampô calango!

“Tatuagem” neles, seu Lacerda.

O filme que redescobriu o corpo no cinema brasileiro.

Meia hora, seu Feliciano, sei que aguentas, sei que és um flerte, “calma valente”.

Meia horinha não é nada, sai no folclore, sai na urina, daqui a pouco ninguém nem lembra, fosfosol está em falta na praça.

Que mancada, dona Dilma, essa esquerda pisca demais pro outro lado a cada esquina e depois reclama.

Só meia-horinha não dói, seu Feliciano, é como a votação sacana de hoje, quando dá fé já era, phodeu, irmão, vai por mim, boa sorte.

Vai dar meia hora de Feliciano e estamos quites. Beijo, me curte.

Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 17/11/2013

Isaac Deutscher e a tragédia do nosso tempo

Na primavera de 1967, poucos meses antes de falecer, o jornalista e biógrafo* Isaac Deutscher disse a uma plateia de estudantes – do então Harpur College, atual Universidade Estadual de Nova Iorque em Binghamtom, EUA – o seguinte:

“Vocês estão em atividade efervescente às margens da vida social, e os trabalhadores estão passivos no centro dela. É esta a tragédia de nossa sociedade. Se não enfrentarem esse contraste, vocês serão derrotados”.

Encontrei a citação no livro “Democracia contra capitalismo: a renovação do materialismo histórico”, da historiadora inglesa Ellen Meiksins Wood. Mais especificamente, o trecho abre um capítulo importante da obra, “Capitalismo e emancipação humana: raça, gênero e democracia”, temas que ainda hoje enfrentam a resistência dos marxistas ortodoxos.

Vale a pena refletir sobre ela, especialmente nesses tempos conturbados tempos.

O contexto completo está disponível na transcrição da palestra (“Marxism and the New Left”) de Deutscher, disponível (em inglês) no link abaixo:

http://issuu.com/rogeriotomazjr/docs/marxism_and_the_new_left_-_isaac_de

*Deutscher (1907-1967) foi biógrafo de Trótski e de Stálin.

Isaac Deutscher

Isaac Deutscher

Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 05/11/2013

Dilma é a 5ª chefe de Estado mais popular do mundo

Num ranking elaborado e monitorado mês a mês pela entidade espanhola Asociación Comunicación Política (ACOP), a presidenta Dilma Rousseff figura como a 5ª chefe de Estado mais popular numa lista de pesquisas de avaliação dos governos de 23 países.

A mandatária brasileira teve 58% de aprovação segundo pesquisa realizada pela CNT em setembro passado.

Dilma – que estava em 2º lugar (71%) em junho, caiu para 19º (30%) em julho e recuperou posições desde então – aparece atrás apenas de Rafael Correa (Equador – 84%), Angela Merkel (Alemanha – 65%), Mauricio Funes (El Salvador – 64%) e Evo Morales (Bolívia – 59%).

Os outros países que fazem parte do ranking, pela ordem de popularidade do presidente no último levantamento, são: México, Hong Kong, Venezuela, Itália, Rússia, Austrália, Uruguai, Estados Unidos, Reino Unido, Chile, Irlanda, Argentina, Canadá, Peru, Colômbia, França, Espanha e Costa Rica.

Confira o ranking completo:

Ranking Outubro/2013

Ranking Outubro/2013

Os dados dos outros meses estão disponíveis aqui:

http://compolitica.com/acop/tabla-de-popularidad/

Dilma Rousseff

MARCO FELICIANO

O FELICIANO conquistou, num vácuo político, a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Ganhou visibilidade e eleitores. Em fevereiro próximo termina o mandato sem conseguir nenhum ganho legislativo concreto para o seu campo, já que os projetos bizarros que aprovou ou pautou não têm a mínima chance de serem aprovados em outras comissões de mérito ou na CCJC, no mérito ou na constitucionalidade. Vão virar poeira legislativa.

Marco Feliciano na CDHM

Marco Feliciano na CDHM

Eu havia dito isso* quando o seu partido escolheu presidir a comissão. O maior estrago da sua “vitória” reside na dimensão simbólica (“os fundamentalistas derrotaram os defensores de direitos humanos”). Nada além disso, exceto que talvez Feliciano dobre sua votação em 2014.

Especulações e análises à parte, o presidente da CDHM foi alvo, durante dois meses, de intensos protestos no mundo “real” e no “virtual”. Várias sessões da comissão tiveram que ser suspensas, feitas às portas fechadas ou terminaram em confusão. Sua posição chegou a balançar, embora jamais tenha ficado ameaçada de fato.

MARCO CIVIL

O outro marco, o CIVIL da Internet, terá impacto CONCRETO – nos planos jurídico, econômico, ideológico, cultural e político – sobre TODA a população brasileira (inclusive daquela que não é usuária da Internet).

Mas não houve UMA ÚNICA manifestação de peso, nem nas ruas, nem na web, contra o eficiente lobby das operadoras de telefonia (em parceria com a Globo, que, obviamente, faz cobertura reduzida e distorcida sobre o tema).

Não houve qualquer mobilização para além daqueles que já atuam no setor (e olhe lá!), que se preocuparam mais em atirar pedras e expor “traidores” do que em construir alguma articulação para proteger o essencial do projeto.

O projeto (PL 2126/11) está tramitando no Congresso desde agosto de 2011 e poderá servir de referência para muitos outros países, em função de um turbulento cenário no qual se destacam as denúncias de violação da privacidade de governos, empresas e indivíduos por parte das agências dos EUA.

Marco Civil da Internet

Entretanto, a batalha – que tem a neutralidade da rede como disputa central – em torno do projeto está se desenrolando sob silêncio e invisibilidade quase total.

Se é verdade que as manifestações de junho se assemelharam mais a uma catarse social multifacetada do que a uma confrontação planejada e organizada da ordem vigente, é igualmente verdadeiro que as bandeiras de luta às quais a sociedade civil de esquerda dedica sua energia, no âmbito do Congresso (ou do Executivo e do Judiciário centrais), carecem muito de avaliação estratégica.

Graças a isso, Marco Feliciano vai terminar 2013 com enorme visibilidade e sem ter feito qualquer transformação significativa a partir de sua posição de presidente de uma comissão na Câmara.

E também por isso o Marco Civil a ser aprovado nos próximos dias terá o potencial de garantir uma gigantesca vitória dos atores do mercado sobre os defensores da comunicação democrática – por outro lado, deixará nus os equívocos táticos elementares cometidos por estes últimos, especialmente a confusão entre o papel dos partidos/parlamentares e o das entidades e movimentos.

PS: Particularmente, creio que, se o lobby das operadoras de telefonia (com apoio da Globo) derrubar a neutralidade da rede, o caso vai parar no STF e aí vai ser difícil convencer os ministros de que a discriminação de conteúdos (e dos seus produtores/divulgadores) se justifica pelo aperfeiçoamento da rede. A ver.

*Reproduzo trecho do ponto 14 do texto que publiquei no dia 1º de março: “Na Câmara, o fato de as comissões funcionarem na dinâmica de mudar presidência a cada ano é mais um elemento que dificulta a ocorrência de grandes “cataclismos” na tramitação de projetos, que precisam de bastante tempo para serem analisados, debatidos e votados”.

 

Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 08/10/2013

Meu reencontro com Alberto Granado e homenagem a Che

Em fevereiro de 2012 estive no Museu do Che em Alta Gracia, pequena e linda cidade da província de Córdoba, Argentina, onde o argentino-cubano mais conhecido do mundo passou parte da infância, período no qual conheceu um dos seus grandes amigos e companheiros de viagens e de luta, Alberto Granado.

Um ano antes, eu havia estado na casa de Granado - chamado carinhosamente de “Mial” (Mi Alberto) pelo seu amigo Ernesto – em Havana, Cuba, numa tarde-noite maravilhosa e inesquecível.

Apenas agora publico o vídeo com o registro do meu “reencontro” com Granado, em imagens do grande amigo Daniel Cassol.

Neste 8 de outubro, 46 anos após o Che ter sido preso na Bolívia e deixar o mundo terreno entrar para a imortalidade da história.

Assista ao vídeo:

Reencontro com Alberto Granado no Museu do Che

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La Poderosa

La Poderosa – a moto que Che e Mial usaram para cruzar parte da América do Sul em 1952 (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 15/09/2013

Se Jesus estivesse vivo em 2013

Se Jesus estivesse vivo em 2013

Se Jesus vivesse em 2013, seria um agricultor sem terra brigando pela distribuição de terras para quem quer plantar alimentos.

Seria quilombola e seria indígena lutando contra as milícias de jagunços dos “ruralistas” do agronegócio, o nome “muderno” para se referir aos senhores donos da Casa Grande e da Senzala.

Jesus seria chamado de hippie maconheiro por andar em farrapos e cabeludo.

Seria considerado um subversivo por dizer aos pobres que eles devem combater a injustiça.

Seria uma mulher negra enfrentando o racismo e o machismo nas piadas e nas agressões covardes que resultam em assassinatos.

Seria um defensor intransigente do direito das mulheres a decidirem sobre o próprio corpo.

Seria rotulado de comunista por denunciar os mercadores e vendilhões que vivem movidos pela ganância e à custa da exploração alheia.

Seria acusado de GAYZISTA por defender o direito ao amor livre, independentemente de sexo. E por esse mesmo motivo, Jesus também seria acusado de tentar destruir a família tradicional.

Se Jesus estivesse vivo em 2013, seria perseguido e atacado todos os dias pelos assassinos de reputação da grande mídia, que alguns hipócritas chamam de “formadores de opinião”.

Vivo fosse hoje, Jesus não criaria uma igreja. Seria um militante político e convicto defensor dos direitos humanos.

Se vivesse em 2013, Jesus seria alvo permanente da Polícia Militar e da Polícia Civil, essas instituições fascistas na suposta democracia brasileira.

Jesus em 2013 seria um Amarildo. Jesus foi um Amarildo!

Jesus é Amarildo

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