Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 18/07/2014

Vitória de Flávio Dino no Maranhão pode alterar tabuleiro político nacional

Em 2015, justamente trinta anos após assumir, de forma inesperada, a presidência da República, José Sarney deixará de ser, pelo menos no plano formal, um dos cardeais da política brasileira. E a eventual – cada vez mais provável – vitória de Flávio Dino (PCdoB) ao governo do Maranhão poderá alterar ainda mais o tabuleiro político nacional.

O outono do patriarca – com o devido perdão ao verdadeiro imortal Garcia Márquez – da oligarquia maranhense não chega meramente pelo desejo de aposentadoria. A renúncia à disputa por mais um mandato no Congresso Nacional é consequência do enfraquecimento paulatino experimentado há anos, tanto na terra das palmeiras onde nem sempre cantam os sabiás e no Amapá quanto no Planalto Central.

Vacinado pelas dificuldades enfrentadas em 2006, quando venceu por pequena margem (53% a 43%), “El Bigodón” sabe que não venceria o pleito ao Senado este ano no Amapá. Tal qual o pai em 1990, que mudou o domicílio eleitoral para o antigo território, temendo a iminente derrota para Cafeteira, Roseana Sarney sabe que dificilmente seria reconduzida à Câmara Alta pelos maranhenses em outubro. Por isso, evitou o vexame da derrota e também anunciou sua saída da política institucional.

A escolha do suplente de senador Edison Lobão Filho (PMDB) para a disputa do governo contra Flávio Dino é apenas mais um entre tantos sinais do desespero que tomou conta da oligarquia.

Medíocre parlamentar, Lobinho até recentemente era apenas conhecido como um playboy destemperado na noite de São Luís. Daí que para muitos foi uma cena chocante vê-lo alçado à condição de senador, mesmo considerando os padrões não muito elevados do Senado.

Com o esmaecimento da influência de Sarney sobre o PMDB nacional, que não ocorrerá imediatamente, mas é inevitável, deverá haver forte movimentação interna, sendo eufemista, em torno do espólio do ex-presidente.

Nos últimos meses, o PT nacional – a contragosto do “PT de bigode”, a ala sarneísta da legenda no Maranhão – deu vários passos para sinalizar a intenção de descolamento da família. O último foi negar ao diretório estadual a permissão de indicar o vice da chapa de Lobão Filho.

Obviamente, a dilapidação do capital político de Sarney não dependerá exclusivamente ao resultado no seu estado de origem, mas este será um fator de grande peso.

Flávio Dino

Será o primeiro governador da história do PCdoB?

Em caso de vitória, Flávio Dino será o primeiro governador da história quase centenária do PCdoB. Não há dúvidas de que o partido dedicará uma enorme parcela da sua energia e da sua estrutura à eleição que poderá sepultar uma das unanimidades – em termos de rejeição e ojeriza – nacionais. Daí que a visibilidade da eleição maranhense será bem maior e poderá ter consequências bem mais impactantes do que teria em condições normais.

Flávio Dino – junto com seu arco de alianças, que reúne um amplo e heterogêneo espectro ideológico – certamente se tornará um ator político de estatura nacional: “o homem que enterrou a oligarquia Sarney” mesmo em um partido pequeno, enfrentando uma colossal máquina política e midiática no estado e com apenas oito anos de carreira política, na qual brilhou como deputado federal e ministro, é bom lembrar. Este será o seu cartão de visitas.

O que será da política brasileira sem Sarney? Para responder isso, é bom prestar atenção aos resultados de outubro no Maranhão.

Rogério Tomaz Jr.
Jornalista formado na Universidade Federal do Maranhão (UFMA)


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