Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 06/09/2013

O tango e a poesia, de Montevidéu a Brasília

Brasília, 5 de setembro de 2013

Normalmente, deixo a mochila guardando alguma mesa e fico vinte, trinta minutos passeando pelas prateleiras de literatura estrangeira – quiçá algum dia o Sebinho organize uma seção da América Latina – e de poesia.

Hoje, precisava – essa é a palavra – apenas tomar um café e desacelerar a semana em uma hora livre de qualquer pensamento ordinário.

Logo veria que Hermes ou alguma outra divindade homônima de Tot não me permitiria ir embora sem o peso de um livro a mais para a minha biblioteca.

Antes de me apresentar a tese irrefutável de que Anápolis é o centro do Brasil – com várias e preciosas lições de Lingüística intercaladas – tanto na dimensão geográfica quanto na política, o vovô Antonio Carlos Queiroz, mais conhecido pelo acrônimo ACQ, me presenteou com um exemplar da antologia “Tangos que fueron y serán”.

Reunindo mais de 150 letras dos tangos universalmente conhecidos às quase esquecidas canções do alvorecer do século XX, a riquíssima coletânea justifica plenamente a epígrafe de Raúl González Tuñón: “Pero… viejo, ¡esto es poesía!”.

Ao final, um glossário do lunfardo, a gíria portenha tão fortemente vinculada ao ritmo musical nascido no rio da Prata.

ACQ e o presente tanguero

ACQ e o presente tanguero

tango

Montevidéu, 21 de dezembro de 2012

Numa fugaz passagem – poucas porém intensas horas – pela capital uruguaia, fui terminar a noite no lugar cujo nome é muito representativo da alma dos habitantes desse pequeno-enorme país.

A abundância de vida que ostenta o povo uruguaio, no melhor dos sentidos, é sempre muito bem expressa no Mercado de la Abundancia, o primeiro na história de Montevidéu.

Com a carioca Tamara e a neuquina Fernanda de testemunhas e parceiras, ainda arrisquei uns passos no salão inaugurado em 1859.

Mas o espetáculo ficou por conta de Yamandú e sua esposa Marí.

Septuagenários com energia de adolescentes, dançaram como se não houvesse o dia seguinte e encantaram quem tinha olhos para vê-los.

Em busca do segredo de tanta vitalidade, fui prosear com o casal “juvenil de espírito”, como me disse Yamandú dias depois, por e-mail, ao tempo em que me enviava quatro belos poemas de sua lavra, sobre temas do tango e, obviamente, com generosos goles de lunfardo.

Apenas agora publico dois dos quatro poemas enviados por Yamandú. Na mesma noite-madrugada em que me delicio com a coletânea que me regalou o mestre ACQ.

Gracias, Yamandú!

Noroc, ACQ!

TANGO

EL  TANGO es  . . .  como  LA VIDA.

Te   “CHIMENTA”   de  MUCHAS COSAS.

Del  DESAMOR,   de PENAS,   HERIDAS,

de  AMOR,  CARIÑO   y situaciones  JOCOSAS.

EL TANGO  es VIDA,  es  PASIÓN.

ES  JURAMENTO  AL  PIE  DE  UNA  FAROLA

ES  LAMENTO  de  un  BANDONEÓN

o  ALEGRÍA,  en la  PRIMA  de  una  VIOLA.

EL TANGO  es  BAILE  EN  PAREJA,  es  UNIÓN

y   UNIDOS   PEGARON  EL  SALTO

del  “PIRINGUNDÍN”   MALEVO,  al  SALÓN.

del   “BAJO”   EMPEDRADO,   al  ASFALTO.

El   VARON   INVITA    a   la   DAMA

y  son   DOS ALMAS  así   ABRAZADAS.

En  los  pasos  ELLA se LUCE  GALANA

si  él  propone  los  CORTES  y  las QUEBRADAS.

Al  principio ?                 Era  sólo  INSTRUMENTAL

Luego,             la  PALABRA acompañó  al   SONIDO

Y  esa  pareja    “ PALABRA/SONIDO”,     VIRTUAL

Como    “MUJER/HOMBRE”,    HOY  se  ha  REPETIDO.

¿ELLA?       SUTIL,   SE APOYA EN  SU HOMBRO

¿ÉL?    LA CIÑE,  GALANTE,  POR LA CINTURA

Y,   MIENTRAS  LOS  PIES  CAUSAN  ASOMBRO,

SUS  MANOS,   UNIDAS,   COMPLETAN FIGURA.

AUNQUE YA NO HAYA “BAJO”, NI FAROL EN UNA ESQUINA

“TAITAS”,  COMPADRITOS  NI  “ MINAS”   DIQUERAS

AUNQUE  FALTEN PATIOS CON AROMA A  JAZMIN Y GLICINA

EL TANGO PERDURARÁ, LO QUIERAS O NO LO QUIERAS.

tango

MERCADO DE LA ABUNDANCIA

CAMINANDO SIN  RUMBO CIERTO

ME TOPÉ CON LOCAL DE  PRESTANCIA

NO ERA EL “MODELO”, NI  EL  “DEL PUERTO”

era ?      el . . . . . .

POR  SAN JOSÉ  SU  PRINCIPAL  ENTRADA

¿OTRA?   LATERAL,  POR  LA VIEJA  “YAGUARÓN”

DE  HIERRO:  TODA  ESTRUCTURA  LABRADA

CERCHAS,  COLUMNAS,  CAPITELES,  PORTÓN.

PLANTA  BAJA: EXPOSICIÓN DE ARTESANOS

ARRIBA:      AMPLIA  “PLAZA DE COMIDAS”

DONDE  SE  OFRECE  A  LOS PARROQUIANOS

CARNE  ASADA,  PLATO  DE  OLLA  Y  BEBIDAS.

LOS  SÁBADOS  POR  LA NOCHE

SE  TRANSFORMA  EN  “UNA  MILONGA”

SHOW  EN  VIVO:  MUCHO  DERROCHE

CANTO,  BAILE,  TANGO,

LATINO  Y  CONGA.

CON   ESPÍNDOLA  Y   SUS INVITADOS

DISFRUTAS  EN  AMENO  AMBIENTE

de TANGOS:   BAILADOS,    CANTADOS,

CULMINANDO  CON  RITMO  CALIENTE.

PRIMERO ?    . . .  SE  FLOREAN   PAREJAS

AL  RITMO  DEL  TANGO  y  del  MILONGÓN

AL  FINAL  CUAL  ENJAMBRE   DE  ABEJAS

TODOS  BAILAN   EN  AQUEL  SALÓN.

Donde ustedes comieron: “EL RINCÓN DE LOS POETAS”

BRINDAN   COMIDAS   CALIENTES,

“EL ESQUINAZO”  Y  EL DE LAS PIZZETAS

CARNES,  PARRILLA  O  PASTELES  CRUJIENTES.

MOZAS ,   MOZOS  VIENEN  Y  VAN

CON  RAPIDEZ  Y  GRAN  SIMPATÍA

COMIDAS, BEBIDAS  Y  EL  PAN

SIRVEN  CON SERVICIAL  MAESTRÍA.

NO  FALTA  UN  RINCÓN  DE  CULTURA

NI   ESCENARIO  PARA  “VIOLA”  Y  “FUEYE” (*)

PARA  COMPLETAR  ESTA  BELLA  ESTRUCTURA

DE  FINALES   DEL   DIECINUEVE (**).

[Marí   y  Yamandú, 21/12/2012]

(*) “VIOLA” – guitarra   “FUEYE” – bandoneón –  (**) 1880

Espírito juvenil

Espírito juvenil no Mercado de la Abundancia


Responses

  1. Roger, Roger, siempre encontrando tesoros por donde pasa….! Oro puro!

    Un abrazo!

    Pedro

  2. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkdrooooooooooooooo


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