Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 14/05/2013

Atlanta, o time da camisa “introcável”

Tantos jogos no sábado (11) da quatrocentona Nuestra Señora Santa María del Buen Aire e escolhi justamente um da terceira divisão nacional?

Com San Lorenzo e Boca no Nuevo Gasometro, fui parar no acanhado e desconhecido Don León Kolbovsky, em Villa Crespo, bairro judeu na zona oeste da capital portenha?

O motivo, um só: ver o Club Atlético Atlanta, time de coração do maior poeta vivo da língua espanhola, Juan Gelman, que chegou à 83ª primavera no último 3 de maio.

Estádio do Atlanta

Estádio do Atlanta (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

Incontáveis vezes tomei o trem da linha San Martín no Retiro com destino a El Palomar e a cancha dos Bohemios estava sempre lá, me convocando pra ver uma peleja no seu pequeno, mas caloroso espaço – inclusive porque o sol abraça toda a plateia de frente em cada exibição do clube fundado no longínquo 1904.

O adversário: San Telmo Football Club, justamente do bairro que sempre me abriga na capital portenha e pelo qual me enamorei desde a primeira caminhada. Acaso (ou não): o time de San Telmo também foi criado em 1904.

Escapei de apanhar – ou de ouvir boas groserias – por pouco, pelo descuido de ir ao jogo trajando a a camisa do Rosário Central. Ingenuamente, acreditei que as cores amarelo e azul, adotadas tanto pelo Atlanta quanto pelos rosarinos, não me trariam qualquer problema.

Fui avisado a tempo, mas a camisa reserva que trazia, a tricolor do Fluminense, não ajudava muito, devido à semelhança com o maior rival dos Bohemios, o Chacarita.

O jeito foi vestir a jaqueta azul celeste e enfiar as blusas em algum buraco na mochila.

Mais do que uma partida de futebol (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

Mais do que uma partida de futebol (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

Tão logo entrei no estádio, iniciei a busca pela cadeira “Juan Gelman” na plateia principal, que imortaliza em muitos dos assentos amarelos os sócios fundadores, beneméritos e ilustres.

Torcedor comemora o gol do Atlanta (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

Torcedor comemora o gol do Atlanta (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

"Los Bohemios" (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

“Los Bohemios” (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

– Fica para lá – me disse um.

– Deveria existir uma [cadeira], mas não sei se há – respondeu outro.

Acabei não encontrando a dita cuja.

Assim como também não consegui trocar a camisa do Fluminense por uma do Atlanta.

– Não leve a mal, mas deixe eu lhe dizer uma coisa: a camisa do Atlanta é a única do mundo que não se troca jamais. Você pode perguntar a todas as pessoas no estádio. Nenhuma vai trocar. Eu mesmo tenho 32 camisas do Atlanta, mas não troco nenhuma. Nenhuma chance… – me esclareceu Sebastian, o simpático careca que aparece na foto abaixo.

Sebastian - dono de 32 camisas do Atlanta

Sebastian – dono de 32 camisas do Atlanta

Após oito tentativas, tive que me conformar com a recomendação unânime:

– Você encontra fácil na [avenida] Corrientes…

A camisa vai ficar para uma próxima viagem. No topo da lista de prioridades.

A experiência, vai ficar para a eternidade da minha memória. Não pelo jogo, bem limitado tecnicamente e que terminou num empate em um gol, mas por tudo que vi e vivi no meio de uma torcida tão apaixonada quanto diversificada na faixa etária.

De bebês a nonagenários, os hinchas do Atlanta me encantaram pelo amor e respeito ao time e à sua tradição.

Muita juventude acumulada

Muita juventude acumulada

Sofrimento em família (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

Sofrimento em família (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

Várias gerações no estádio do Atlanta (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

Várias gerações no estádio do Atlanta (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

Até a próxima, quiçá na “B Nacional”, já que o Atlanta está muito próximo de subir à segunda divisão da país de Maradona e Messi.

O álbum de fotos completo (53 fotos) está disponível no Flickr, no link abaixo:

http://www.flickr.com/photos/rogeriotomazjr/sets/72157633478276081/


Responses

  1. Saludos, y muy buena la nota, tomaste lo que dije para el tìtulo, bien, y espero que te haya gustado la “Experiencia del Gran Leòn Kolbowski”, aunque, el resultado no fue el esperado… Saludos compañero, y èxitos. Aguante Atlanta.

    • Fue una muy buena experiencia, Sebastian, seguramente! Regresaré cuando volver a Buenos Aires! Saludo! Aguante Atlanta!

  2. Oi Rogério, sou um torcedor argentino do Atlanta que mora em São Paulo. Muitas vezes amigos brasileiros me perguntaram por trocar minha camisa, ou por torcer por outro time aqui no Brasil, mas meu coração é só pelo Atlanta.

    Obrigado pela matéria.

    Um abraço!

  3. Cara! Adorei o artigo! A nossa camisa é introcável! mas se vc morar no Rio, me avisa e levo a sua em julho. Abração

  4. traduccion amigos!🙂


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