Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 14/04/2013

O atraso e as oportunidades perdidas no DF (ou A inépcia de Agnelo)

Enquanto leio “A outra história do mensalão” no meu café preferido, aonde vou quase todos os domingos para o desjejum e para tomar três ou quatro doses do melhor cappuccino de Brasília, sou abordado por um amigo das redes sociais que ainda não conhecia pessoalmente.

Petista como eu, relata, com muitos e ricos exemplos, a decepção – para dizer o mínimo – com o desempenho da gestão Agnelo Queiroz e as incontáveis oportunidades perdidas pela população de Brasília.

Aquele que tinha todas as condições para fazer o melhor governo da história do Distrito Federal, muito provavelmente, será lembrado como o governador que gastou um bilhão de reais para construir um estádio numa cidade onde a maioria esmagadora da população sequer sabe listar três clubes do futebol local.

Na área de comunicação, como já alertei ainda no segundo mês do governo, o GDF tem sido praticamente nulo. A maior “realização” do GDF até o momento foi ter contas ágeis e bem geridas no Twitter e no Facebook, tarefa que poderia ser muito bem cumprida por dois ou três jornalistas competentes e um par de estagiários, nada mais.

As promessas de implantação de redes de banda larga sem fio com sinal aberto foram para a vala do esquecimento, como também registrei aqui no blog.

O Conselho de Comunicação Social do Distrito Federal, tantas vezes prometido em discursos diante das entidades que lutam pela democratização da comunicação, dorme trancado em alguma gaveta cuja chave parece ter sido perdida ou tomada pela turma do Correio.

Agnelo Queiroz – que faz tudo para merecer o jocoso apelido de “Agnulo” – vai terminar a sua gestão (quiçá a única!) sem nenhuma, repito, NENHUMA marca de excelência em qualquer área.

A única secretaria que cumpre as expectativas e tenta trabalhar de verdade é justamente a mais boicotada pelo governo e pelos vereadores cartoriais da Câmara Distrital: a de Cultura, cujo titular, Hamilton Pereira, tem a cabeça pedida diariamente por quem está prejudicado ou incomodado com a política republicana que passou a ser praticada na pasta.

Num território minúsculo como o do Distrito Federal, não existe qualquer justificativa para a péssima qualidade de PRATICAMENTE TODOS os serviços públicos.

Imagine medidas simples – mas de potencial “revolucionário”, com o perdão do clichê que esvazia esse termo do seu significado real, do qual sou defensor convicto – como a implantação de aparelhos GPS nos ônibus e nas paradas, permitindo que os usuários do transporte público saibam precisamente a hora em que o seu veículo vai passar.

Ou a criação de um portal integrado de serviços* vinculado a um mapa de demandas, o que, além de estimular fortemente a participação cidadã, geraria para o governo um poderoso e inteligente banco de dados que dotaria as ações do governo de eficácia e eficiência em níveis extraordinários.

Fico apenas em dois exemplos de oportunidades perdidas, de propostas que foram apresentadas ao governador e a pessoas fortes no governo, como o ex-secretário e ex-político Paulo Tadeu, que achou mais importante a cadeira de um tribunal do que a luta pela mudança da práxis política no DF.

Afinal, o que temos na unidade federativa que abriga a capital do País é uma política que não entrou no século XX e um governo que não passou dos anos 60 em termos de concepção de gestão.

Sou daqueles (felizmente, cada vez mais numerosos) que acha que Agnelo não deve concorrer – não pelo PT – à reeleição. O Partido dos Trabalhadores do DF tem muitos nomes com maior capacidade e, sobretudo, maior disposição para superar e sepultar as décadas de atraso que legaram Joaquim Roriz, Luís Estevão, Arruda e Paulo Octávio e ao quais se soma o atual governador.

A deputada federal Erika Kokay é um desses nomes. Mas não o único. Geraldo Magela seria outro que, apesar de todas as contradições enquanto dirigente partidário, certamente faria um governo muito, mas MUITO mais eficaz do que o inepto Agnelo Queiroz.

Brasília merece algo muito melhor.

*O portal funcionaria mais ou menos assim: da sua casa ou de qualquer lugar do DF, a pessoa poderia registrar uma reclamação (por exemplo, um buraco na rua, um posto de saúde fechado, uma escola ruim etc.) ou solicitar um serviço, que teria um prazo determinado para receber resposta. Com o tempo, o GDF teria não apenas uma grande rede de colaboradores e fiscais voluntários, como teria um mapeamento geográfico dos principais problemas e gargalos dos serviços públicos. O que parece complicado é, na verdade, bastante simples de se fazer: basta integrar informações e bancos de dados. Ou melhor, basta vontade política.

Erika Kokay: se eu votasse no DF, esse seria o meu nome para o governo

Erika Kokay: se eu votasse no DF, esse seria o meu nome para o governo


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