Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 01/04/2013

Grande mídia deve desculpas à Nação pelo apoio ao Golpe de 64

Assim como a Igreja Católica, que em 2000 pediu desculpas ao mundo pelos seus pecados – como as mortes na Inquisição e a omissão (ou colaboração) diante do nazifascismo – do passado, a quase totalidade da grande mídia brasileira deveria ter a humildade e a grandeza de se desculpar perante a sociedade brasileira por conta do apoio dado ao Golpe de 1964.

Naquela quadra histórica, os maiores meios de comunicação do Brasil não apenas apoiaram o Golpe, mas clamaram pela derrubada do presidente e deram sustentação ideológica à ditadura civil-militar iniciada em 1964.

Quando a censura e a repressão a jornalistas não alinhados se tornou regra, alguns – não todos! – veículos, tomados pelo espírito corporativista, que não tem nada a ver com os princípios democráticos, “despertaram” para o monstro que ajudaram a parir.

O terror implantado pelos generais e executado por seus subordinados, com a cooperação decisiva de muitos civis, é algo para o qual não existe qualquer justificativa e, principalmente, não pode ser perdoado ou esquecido por uma ilegítima – segundo os tratados internacionais ratificados pelo Brasil – e absolutamente ilegal autoanistia, que ainda hoje é defendida pela quase unanimidade dos grande veículos da mídia nacional e regional.

A defesa da inaceitável Lei de Anistia de 1979, aliás, é o que explica, em parte, a negação da grande mídia em pedir desculpas à sociedade brasileira.

Um pedido de desculpas sinceros seria incompatível com a defesa da legitimidade e da legalidade da Lei da Anistia.

Capa fictícia da revista Época, veículo do conglomerado Globo, que cresceu às custas da ditadura

Capa fictícia da revista Época, veículo do conglomerado Globo, que cresceu às custas da ditadura

O fato é que, enquanto não vierem os pedidos formais de desculpas – em editoriais ou notas assinadas por seus proprietários e/ou porta-vozes institucionais – pelo apoio ao regime odioso que assassinou milhares de cidadãos e cidadãs, bem como perseguiu, sequestrou, torturou e cassou os direitos de outras dezenas de milhares, NENHUM veículo da mídia comercial terá estofo moral para falar em democracia ou “denunciar” práticas autoritárias de quem quer que seja.

Revanchismo? De modo algum. Apenas a cobrança pela retratação de quem tem as impressoras ou os microfones encharcados de sangue inocente.

Carro da Folha de SP queimado como represália à colaboração do jornal com a OBAN

Carro da Folha de SP queimado como represália à colaboração do jornal com a OBAN

Confira no post abaixo alguns editoriais de jornais de várias cidades pedindo e saudando o Golpe de 64.

https://brasiliamaranhao.wordpress.com/2009/04/01/o-que-a-midia-disse-em-1964/

PS: A mais curiosa marca do cinismo e da desfaçatez com que os veículos da grande mídia tratam esse período histórico é a narrativa da cobertura jornalística, que hoje reconhece o golpe, mas não faz qualquer menção à falsificação da história que tentaram impor durante mais de duas década, na tentativa de tratar o golpe como uma “revolução”.


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