Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 23/03/2013

Hora do Planeta: hipocrisia pura ou ilusão dos desinformados

Hora do Planeta?!

Apagar a luz por uma hora para “economizar energia”?!

Hipocrisia pura ou ilusão de pessoas desinformadas. Em alguns casos, chamo os “verdes” de verDESinformados. São os ambientalistas de boteco ou de petições eletrônicas da Avaaz e afins que sabem quase nada sobre política ambiental e, muito menos, sobre como isso está inserido no capitalismo.

Deixe seu carro parado na garagem por um único dia e assim contribuirá muito mais do que fazer uma “Hora do Planeta” toda semana. Se vendê-lo e passar a usar transporte coletivo público ou táxi, aí, sim, estará quase realizando uma “microrrevolução”!

Ah, o transporte público é horrível e penoso? Então me diga como é maravilhoso viver numa grande cidade – como Brasília, São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Fortaleza, Salvador, Recife, Belém, Vitória, São Luís, Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis e tantas outras – sem engarrafamentos no trânsito causados pelo excesso de veículos individuais?

A hipócrita campanha “Hora do Planeta” é como o Al Gore no seu documentário – “Uma verdade inconveniente” – feito com muitas verdades para proclamar uma grande mentira: que os problemas ambientais podem ser superados com “boa vontade” e com “cada um fazendo a sua parte”.

No capitalismo, onde uma única fábrica de alumínio (Alcoa, em São Luís/MA) consome quase a mesma quantidade de energia e água do que um milhão de habitantes? Jamais! Nunca serão! Conta outra piada.

Por isso, digo com vontade: “Hora do planeta” é a PQP todos os CEOs das 50 maiores empresas do planeta…

Leiam abaixo o texto do Raphael Tsavkko sobre isso, bem mais incisivo e elaborado do que esta minha breve reflexão/desabafo…

http://acervo.revistabula.com/posts/colunistas/hora-do-planeta-ou-a-estupidez-do-consumismo-cool

POR EM 20/05/2011 ÀS 06:42 PM

Hora do Planeta, ou a estupidez do “consumismo cool”

publicado em 

Vivemos a era do “ambientalismo de butique”, aquele que joga tinta em modelos com casacos de pele, mas usa camisas descoladas de empresas com trabalho escravo. Mas a camisa foi feita com algodão orgânico — plantado por crianças pobres da Guatemala. Não agride à natureza — só ao ser humano
O fenômeno da #Horadoplaneta é apenas um “gancho”, mas se encaixa perfeitamente em outros (ou todos) os movimentos de sofá promovidos pela classe média para tentar mudar o mundo sem sair do lugar.

Por mudar o mundo, compreende-se o de fazê-los ter mais tempo ou mais possibilidades de consumir, passando a ideia de que o fazem de forma responsável, mesmo que, no fim, não mude em nada as relações de produção ou mesmo a mentalidade classe mediana de seus impulsores.

Consumo ou consumismo sem culpa. Uma contrapartida inócua que, de quebra, ainda os fazem sentir-se como parte de um grupo que se importa com o mundo — mas não com as pessoas.

“A #Horadoplaneta é tipo, vamos criticar consumismo, mas só por 1h enquanto usamos nosso iPad para dizer ao mundo o quanto cool nós somos.”

Tuitei isso em resposta a um camarada, no Twitter, que disse: “Vem cá, lógico q apenas isso ñ ajuda em nada, mas qual o problema de aproximar pessoas ao tema e fazê-las repensar p/ serem + sustentáveis?”.

Se não ajuda em nada, já temos um problema, pois a ideia é vendida como se desse algum resultado. Só isto resolverá metade dos problemas do mundo.

Mas, não pensemos em termos de “sucesso material” e sim na ideia de “fazer repensar para serem mais sustentáveis”. Isto, meus amigos, é o novo mantra do “ambientalismo de butique” que Marina Silva vende tão bem. No caso dela realmente de butique, lembram-se da Natura. Ela ainda carrega um algo mais de exotismo, ao juntar o fanatismo evangélico na jogada, mas é apenas para atrair ainda mais adeptos.

É aquele ambientalismo que joga tinta em modelos com casacos de pele, mas usa camisas descoladas de empresas com trabalho escravo. Mas a camisa foi feita com algodão orgânico — plantado por crianças pobres da Guatemala. Não agride à natureza — só ao ser humano.

É a substituição do ser humano pelos animais, em alguns casos, como uma ONG que surgiu das trevas ha algum tempo defendendo o suicídio coletivo da humanidade para não criarmos problemas para a natureza. Até hoje não sei se era “séria”. Até onde o termo permite, claro.

A hora do planeta passa a mensagem de que as pessoas — e não as grandes companhias — são responsáveis pelos problemas de “sustentabilidade”, de energia, de água e etc. É a ideia de que meia dúzia de adolescentes são responsáveis pelas agruras do mundo e que, apagando a luz por uma hora, ou usando papel higiênico duas vezes, dos dois lados, vão mudar o mundo, quando o problema está em todo um modelo econômico e na gestão dos meios de produção.

A ideia central deste ambientalismo cool é que você nem precisa sair de casa pra mudar o mundo. Pode apenas tuitar que fez a diferença enquanto apaga a luz — mas usa baterias de lítio no celular — e muda o mundo.

Pra que sair às ruas e exigir uma mudança efetiva de sistema? Ou melhor, a maioria sequer sabe o que significa o sistema capitalista! O interesse é usar uma “ecobag” com alguma marca chique, mostrar pras amigas e amigos e esperar pelo lançamento do mais novo iPod ou iPad no mercado. Mas sempre exigindo que estes consumam menos energia ou não maltratem os cavalos exóticos da Mongólia — mas se for trabalho escravo de crianças na China não tem problema, eles tem muitas crianças lá!

Este tipo de “manifestação” passa a imagem errada de “revolução do sofá”, sem crítica ao modelo e ao consumismo em si. Na verdade sem crítica alguma que faça a diferença.

Vivemos na era do imediatismo. O filósofo e pessimista francês Paul Virilio descreve em seus estudos a lógica da velocidade de nossa sociedade atual. Tudo hoje é rápido, queremos tudo de forma imediata, agora, pra ontem e, com a internet, conseguimos de certa forma reduzir distâncias, barreiras e, consequentemente, o tempo.

Tudo que fazemos é dominado pela técnica, pela redução do tempo de execução, pela redução das distâncias, não surpreende, então, que haja também redução na capacidade de alguns raciocinarem sobre seus atos. Consequentes ou inconsequentes.

Nesta era da velocidade, a ideia de uma hora sem ferramentas tecnológicas parece um suplício. E de certa forma é isto mesmo. Diz Virilio que “a velocidade da luz não meramente transforma o mundo, mas se torna o mundo. A globalização é a velocidade da luz.”. Por detrás disto a ideia de que se passarmos uma hora apartados desta realidade mudaremos o mundo. Apagar a luz é mais do que ficar no escuro, mas é se desligar do mundo por alguns momentos. Ou deveria ser.

Seria interessante, se a lógica não fosse a do consumo, se esta uma hora significasse uma total alienação do mundo e não uma luz da sala apagada e laptops conectados à rede ou celulares iluminando o ambiente.

A ideia por detrás da #Horadoplaneta e de outros eventos similares não desafia a ordem da globalização (a ordem capitalista), mas se apropria dela, dos meios de comunicação à velocidade da luz para fazer sua propaganda.

A lógica da globalização não é questionada. A #Horadoplaneta obedece à lógica mercantil, de empresas patrocinarem eventos globais para colar usas marcas em pseudo-responsabilidade social, enquanto nas horas vagas continuam com suas práticas de concorrência desleal, trabalho degradante e outras práticas que, em teoria, vão de encontro com o que pregam em suas propagandas e eventos.

O problema real dos desperdícios da indústria, do consumo de supérfluos, da falta de sentido em todos terem todos os últimos gadgets sem que possam usar a metade em seu tempo livre — é o ter apenas pelo ter —, da propaganda excessiva em torno de produtos desnecessários não é questionada.

A culpa é do indivíduo e a indústria quer apenas ajudar, patrocinando um evento global para que o povo se conscientize de seu papel nefasto. É a lógica invertida. Ou a falta de lógica.

Trata-se, enfim, da ideia de que devemos consumir, mais e mais, mas como “pena” devemos nos desligar (mas só um pouco) por uma hora anualmente e tudo se resolverá.

É mais que consumismo cool, é a estupidez humana em seu auge, com patrocínio e tudo.


Responses

  1. Do jeito que os eco mafiosos estão com fome do dinheiro alheio, criarão qualquer dia o imposto da existência. Para existir teremos que pagar uma taxa para poder habitar o planeta. Duvida? Com esse bando de alienados que aí está, não há de faltar bobalhões que aplaudirão de pé a iniciativa.
    É o fim da civilização!


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