Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 01/03/2013

O que significa o PSC na presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara

Em primeiro lugar, registro que poucas pessoas podem dizer que lamentam mais do que eu a escolha do PSC para presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, o que foi confirmado na última quarta-feira (27).

Trabalhei dois anos na CDHM (2009 e 2010) e desde a primeira vez que vim a Brasília, à época do movimento estudantil, em 2001, convivi e mantive relações políticas, profissionais e pessoais com a comissão e com seus integrantes, seja servidores, seja parlamentares.

Tenho grande afinidade e milito com temas de direitos humanos desde 2000, ano em que ingressei no movimento estudantil universitário. E não menos do que ninguém senti a dor de ver a CDHM sendo “capturada” pelos evangélicos por, pelo menos, um ano.

Para fazer esta análise, vou escrever em tópicos, embora não me agrade, para facilitar o diálogo e o entendimento do que quero dizer.

Histórico e contexto político

1. A CDHM foi criada em 1995. Nestes 18 anos, apenas quatro partidos a presidiram: PT (13), PDT (3), PCdoB e PPB (atual PP). E apenas três parlamentares a comandaram mais de uma vez: Nilmário Miranda (1995 e 1999), Luiz Couto (2007 e 2009) e Iriny Lopes (2005 e 2010). A lista completa de presidentes/as está no final do post*.

2. Ao longo de sua trajetória, embora tenha sido o “comando estratégico” de várias batalhas e conquistas importantíssimas – PEC do Trabalho Escravo, Comissão da Verdade etc. – do setor, a CDHM, no âmbito do Congresso Nacional, tem exercido, sobretudo, um duplo papel: trincheira de resistência contra o avanço de matérias legislativas que retiram direitos de segmentos minorizados (indígenas, quilombolas, LGBT e vários outros) e espaço de guarida a movimentos com dificuldades ou restrições (dos mais variados tipos) de acesso ao Estado, em qualquer um dos seus poderes e instituições. Por exemplo, a parceria estreita da CDHM com a ala mais progressista do Ministério Público Federal (a PFDC) ajudou a fortalecer muitas lutas ao longo do tempo. Nos anos em que trabalhei lá, a procura pela comissão era tão intensa e de tão amplo leque de procedências que fazíamos uma piada interna: “De repente, tudo passou na ser uma questão de direitos humanos”, o que, a rigor, não é uma premissa totalmente irreal.

CDHM é trincheira para diversos atores sociais, como os povos indígenas (Foto: Gustavo Lima/Câmara)

CDHM é trincheira para diversos atores sociais, como os povos indígenas (Foto: Gustavo Lima/Câmara)

Processo de escolha

3. A divisão das 21 comissões permanentes da Câmara é feita proporcionalmente ao tamanho das bancadas dos partidos. No rateio, PT e PMDB comandarão três comissões, cada um, em 2013. PSDB, PSD, PP e PR ficam com dois colegiados cada, enquanto PDT, PSC, PTB, PV/PPS (bloco), DEM, PSB e PCdoB presidirão uma comissão. A ordem de escolha também segue o critério das maiores bancadas. E os partidos “nanicos” (PSol e outros) não têm direito a presidir comissões permanentes. Aqui a lista completa da divisão para 2013.

4. Há alguns anos se fala em desmembrar e/ou criar novas comissões permanentes. Turismo e Desporto, hoje juntas, seriam separadas. Seria criada uma comissão de Saúde, cujos projetos tramitam majoritariamente na de Seguridade Social e Família. A única novidade, entretanto, foi a criação da Comissão de Cultura, que deixou de ser um “anexo” da Comissão de Educação. Até o início desta semana, porém, muitos parlamentares e até líderes partidários davam como certa a criação da comissão de Saúde. Nesse caso,  o PT teria direito a escolher uma quarta comissão. E a quarta opção do PT era justamente a CDHM.

5. Exceto pelas comissões de Constituição e Justiça e de Finanças e Tributação, inquestionavelmente as mais importantes do processo legislativo (e político) na Câmara, é impossível dizer com certeza absoluta quais as escolhas dos partidos antes da reunião de líderes onde é feita a definição. É óbvio que existem negociações e diálogos, mas também é estratégico para alguns partidos não revelar as suas reais opções, para evitar movimentos indesejados que possam atrapalhar os planos arquitetados pelos parlamentares.

6. Esse ano, a única grande “surpresa” foi a escolha do PSC. E é dela que trato agora.

PSC e a CDHM

7. O PSC é uma legenda estreitamente vinculada à Assembleia de Deus e é o principal partido “representante” das denominações evangélicas. Possui 14 deputados e duas deputadas. Nesta legislatura, presidiu a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle em 2011 e 2012.

8. Ano após ano, vem aumentando a participação de deputados evangélicos ou católicos conservadores na CDHM. Em vários temas até defendem posições coincidentes com os deputados militantes de direitos humanos, mas expõem o seu obscurantismo em temas como direitos LGBT, liberdade e diversidade religiosa, políticas para mulheres, entre outros.

Movimento LGBT terá que ter o dobro de disposição para atuar na CDHM em 2013 (Foto: Alexandra Martins/Câmara)

Movimento LGBT terá que ter o dobro de disposição para atuar na CDHM em 2013 (Foto: Alexandra Martins/Câmara)

9. Via de regra, os religiosos conservadores – e os trolls saudosos da ditadura – são derrotados e têm apenas conseguido marcar posição ou, vez por outra, realizar algum seminário ou audiência pública sob a sua ótica retrógrada a respeito de direitos humanos.

10. Há alguns anos, porém, circulam boatos frequentes sobre a profunda “cobiça” deste grupo pela presidência da CDHM, especialmente a partir da aliança pragmática feita com os ruralistas. Em 2013, afinal, se concretizou a “ameaça” e a CDHM será presidida por um partido ligado à bancada evangélica. Simbolicamente, é algo difícil de digerir.

11. Embora não seja possível afirmar peremptoriamente como será feita a condução do órgão (provavelmente pelo deputado Pastor Marcos Feliciano), uma vez que os vice-presidentes das comissões também têm apito no processo decisório, não devemos esperar menos do que um ano de constantes e duros enfrentamentos em torno das pautas que a presidência levará aos debates e votações. Se isso resultará numa tragédia ou num gigantesco retrocesso, só o tempo irá dizer. Eu não creio em tanto…

Na mão do PSC, a CDHM realizará algum evento do movimento negro para discutir, por exemplo, a diversidade religiosa? (Foto: Saulo Cruz/Câmara)

Na mão do PSC, a CDHM realizará algum evento do movimento negro para discutir, por exemplo, diversidade religiosa? (Foto: Saulo Cruz/Câmara)

Não estamos no inferno

12. Para desgosto dos fundamentalistas e fanáticos religiosos, as comissões não podem fazer tudo. Na verdade, as táticas protelatórias nestes órgãos – especialmente na de Direitos Humanos, que está longe, MUITO LONGE de ser a mais “visada” e procurada para os grandes embates na Câmara – são numerosas e variadas. E isso faz sentido, já que estes colegiados devem privilegiar o debate, o entendimento e a construção dos consensos mínimos, e não podem se converter em instâncias meramente submetidas à ditadura das maiorias.

13. Outro motivo de desagrado dos novos “donos” da CDHM – e para alento da sociedade civil! – é o fato de a Câmara ter hoje, provavelmente, a maior e mais qualificada “bancada de direitos humanos” da sua história. De cara, dá para citar, como militantes históricos e/ou orgânicos da área: Chico Alencar (PSol-RJ), Dionilso Marcon (PT-RS), Domingos Dutra (PT-MA), Edson Santos (PT-RJ), Erika Kokay (PT-DF), Iara Bernardi (PT-SP), Iriny Lopes (PT-ES), Janete Rocha Pietá (PT-SP), Jean Wyllys (PSol-RJ), Jô Moraes (PCdoB-MG), Luiza Erundina (PSB-SP), Luiz Couto (PT-PB), Manuela D’Ávila (PCdoB-RS), Nilmário Miranda (PT-MG), Padre Ton (PT-RO), Paulo Rubem Santiago (PDT-PE), Rosinha da Adefal (PTdoB-AL) e Arnaldo Jordy (PPS-PA). E além destes, que, obviamente, não poderão ser, todos, integrantes da CDHM, ainda é possível contar com muitos outros que têm “acúmulo” intelectual ou de militância (ou mesmo afinidade/simpatia) na área: Alessandro Molon (PT-RJ), Amauri Teixeira (PT-BA), Dr. Rosinha (PT-PR), Fátima Bezerra (PT-RN), Fernando Ferro (PT-PE), Glauber Braga (PSB-RJ), Ivan Valente (PSol-SP), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Janete Capiberibe (PSB-AP), João Paulo Cunha (PT-SP), José Genoíno (PT-SP), Luci Choinacki (PT-SC), Luiz Alberto (PT-BA), Marina Sant’Anna (PT-GO), Mário Heringer (PDT-MG), Nazareno Fonteles (PT-PI), Nelson Pellegrino (PT-BA), Padre João (PT-MG), Paulo Pimenta (PT-RS) e Valmir Assunção (PT-BA). Pode-se até falar que, NUNCA ANTES NA HISTÓRIA DESSE PAÍS houve tantos defensores de direitos humanos na Câmara.

14. Na Câmara, o fato de as comissões funcionarem na dinâmica de mudar presidência a cada ano é mais um elemento que dificulta a ocorrência de grandes “cataclismas” na tramitação de projetos, que precisam de bastante tempo para serem analisados, debatidos e votados. No caso da CDHM, que possui muito enraizada uma tradição de ampla discussão e abertura à sociedade civil**, é importante ter em mente a necessidade de acompanhamento de CADA SESSÃO, para evitar imprevistos desagradáveis.

Sociedade civil

15. A responsabilidade pela “tomada” da CDHM pelo PSC deve ser debitada, em parte, à sociedade civil militante na área. Nos últimos anos, após o “abandono” das conferências (e outras atividades) nacionais de direitos humanos, tradicionalmente organizadas pelas grandes redes de entidades (FENDH, MNDH, Plataforma DHESCA etc.)***, as organizações passaram a acompanhar de forma muito fragmentada o trabalho (e as batalhas) da comissão. Cansei de ver atividades importantíssimas acontecendo diante de plenários vazios, porque estavam presentes tão somente as entidades envolvidas diretamente com aquela bandeira em debate. É óbvio que isso é parte de um problema maior e mais complexo da configuração da sociedade civil brasileira, mas é fato que a CDHM passou a ser encarada, muitas vezes, como uma mera promotora de eventos. As reuniões de deliberação sobre projetos de lei, por exemplo, são acompanhadas basicamente por assessores parlamentares ou por “observadores” das “consultorias” contratadas pelas grandes empresas ou sindicatos patronais.

Luiz Couto, ao lado de João Paulo Cunha, fala numa audiência pública (conjuinta com a CCJ) esvaziada (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

Luiz Couto, ao lado de João Paulo Cunha, fala numa audiência pública (conjunta com a CCJ) esvaziada, como atestam as três fileiras sem ninguém (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

16. Ao problema abordado acima, soma-se a ABSOLUTA INÉRCIA, ou OMISSÃO mesmo, das entidades de direitos humanos no  período de articulações para a escolha das comissões por parte dos partidos. No final do ano, enquanto o movimento sindical e, do outro lado, os lobistas não arredam pé da Câmara e do Senado, de segunda a sexta, se reunindo com lideranças e cobrando a priorização a determinados temas, projetos e comissões, as entidades de direitos humanos desaparecem, já que apenas o orçamento fica em discussão e poucas delas acompanham esse assunto. O resultado disso é cantado na música de Geraldo Azevedo: “Quando fevereiro chegar (…) a gente ri a gente chora, ai ai ai a gente chora” com o PSC escolhendo a nossa comissão…

E o PT?

17. Onze entre dez interessados nessa pauta estão atribuindo – desde que foi confirmada a escolha do partido do peixinho – a culpa pela tragédia ao PT. Faz parte do jogo político (e é cômodo atacar o partido do governo e a maior bancada da Câmara), mas o mundo real não é tão simples assim.

18. Em primeiro lugar, não é verdade, de modo algum, que o PT “entregou” a CDHM ao PSC. Não houve NENHUMA negociação a respeito disso. Muito ao contrário. A maioria dos petistas citados no item 13 desse texto defendeu a priorização da CDHM nas escolhas do partido e manifestou preocupação com a possibilidade de a comissão ir parar nas mãos de quem acabou parando.

19. Como já foi dito, não era possível ter certeza sobre as escolhas dos partidos “de uma comissão”. E, no caso dos partidos de esquerda, a margem era muito estreita, já que PSB e PDT, por questões internas legítimas, já tinham decidido pelas comissões com que ficaram (Turismo e Desporto, para o primeiro, e Desenvolvimento Econômico para o segundo), e o PCdoB estava atrás do PSC na ordem de escolha.

20. A mobilização dos petistas atuantes em direitos humanos foi tão forte que a CDHM conseguiu subir bastante na lista de prioridades da bancada, já que, na lista baseada na votação pura e simples, havia outras (como Educação) à frente dela, que, por fim, seria a quarta escolha e só não se realizou porque não foi criada a Comissão de Saúde.

21. Mais do que isso, até a antevéspera da reunião de líderes que definiu as presidências das comissões, realizada na quarta-feira (27), deputados petistas dialogavam sobre qual seria o nome indicado para presidir a CDHM, no caso de confirmação da escolha.

22. Se os militantes de direitos humanos protestam pelo “esquecimento” da CDHM, imagine como se sente a CUT e todo o movimento sindical aliado do PT com o fato de a Comissão do Trabalho ter sido presidida raríssimas vezes pelo Partido dos Trabalhadores e este ano, mais uma vez, ser presidida pela direita. E não ignore o fato de que a Comissão de Trabalho, muito mais do que a CDHM, é um espaço de luta renhida da luta de classes real, em torno de projetos de regulamentação do mundo do trabalho, que inclusive se relacionam com direitos humanos, como no caso das convenções da OIT que são rejeitadas seguidamente e vão para as calendas do processo legislativo.

23. E você, militante de direitos humanos, tente se colocar também no lugar da enorme e extremamente ativa base petista na área de Educação, quando o partido acaba priorizando outras comissões e “entrega” esta ao cartel do ensino privado, amplamente representado no Congresso… Enfim, a vida não é fácil.

24. É óbvio que, ao fazer uma escolha, o PT assume a responsabilidade pela escolha que deixou de fazer. Mas, como abordei aqui, não estamos no inferno. Cumprimos magistralmente o nosso papel quando fomos oposição em nível federal. E, no mundo real, que nem sempre cabe em discursos inspirados, mas inconsistentes, a esquerda ainda é contra-hegemônica e precisa saber atuar na adversidade.

Afinal, quem disse que seria fácil mesmo?

*Lista dos ex-presidentes/as da CDHM:

– Nilmário Miranda (PT-MG): 1995 e 1999
– Hélio Bicudo (PT-SP): 1996
– Pedro Wilson (PT-GO): 1997
– Eraldo Trindade (PPB-AP): 1998
– Marcos Rolim (PT-RS): 2000
– Nelson Pellegrino (PT-BA): 2001
– Orlando Fantazzini (PT-SP): 2002
– Enio Bacci (PDT-RS): 2003
– Mario Heringer (PDT-MG): 2004
– Iriny Lopes (PT-ES): 2005 e 2010
– Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP): 2006
– Luiz Couto (PT-PB): 2007 e 2009
– Pompeo de Mattos (PDT-RS): 2008
– Manuela D’Ávila (PCdoB-RS): 2011
– Domingos Dutra (PT-MA): 2012

**Existe uma espécie de “calendário” de eventos que a CDHM realiza quase todo ano e contempla uma boa parte dos movimentos e setores que atuam em direitos humanos no Brasil

***Que saudade de ver o Ivônio Barros animar as redes de direitos humanos e instigar as entidades a acompanharem (e atuarem) não apenas (n)as suas bandeiras, mas sim o “mundo” dos direitos humanos como um todo, inclusive no mundo inteiro.


Responses

  1. Obrigado pela esclarecedora exposição!

  2. Excelente análise. Tudo dependerá da atuação dos deputados progressistas,listados em seu texto, não deixarem a “peteca cair” porque a esquerda perdeu a Presidência.Cabe aqui a palavra de ordem dos angolanos: “A luta continua! A Vitória é certa!”

  3. Muito bom, Rogério! Ótimo texto.

  4. Rogério,

    Respeito sua posição e não quero polemizar com você, pois esse não deve ser o nosso foco, mas gostaria de comentar algumas questões que você coloca:

    – O PT fez uma opção por priorizar outras questões e não a Comissão de Direitos Humanos, negociando uma composição com o PSC (e a bancada evangélica), em nome da coesão da base aliada no Congresso.
    – O exercício da auto-responsabilidade deve sempre ser feito e as organizações e movimentos devem exercitar a auto-crítica. Contudo, na minha opinião, o que mais desmobilizou a agenda nacional dos DHs foi o governo Dilma. Ainda na campanha fazendo acordo com os fundamentalistas religiosos contra pontos importantes do PNDH3 e quando no governo enterrando o PNDH e outras iniciativas no campo do combate a homofobia nas escolas, o PLC 122, retrocessos no programa de DST/Aids; o apoio as comunidades terapeuticas, a péssima política de combate ao crack (abrindo espaço a internação compulsória e higenização das cidades) etc.
    – Desde 2007, empreendemos uma grande mobilização nacional para construir uma agenda e estratégia de Dhs para o Brasil, articulando as diversas lutas e bandeiras. A Conferência de 2008, o lançamento do PNDH em 2009. Mesmo com fragilidades institucionais, houve uma grande articulação de movimentos e redes, junto com a SDH, CDHM e outros, para a defesa do plano frente as críticas conservadoras.
    – Depois de tudo isso, chega o novo governo e diz que ficou uma imagem muito negativa em torno do PNDH. Segundo a ministra “vamos falar de Dhs de modo mais positivo”. A não realização de Conferências e Encontros de Dhs nesse período é resultado de uma frustação de todos/as em razão do descaso do governo com o resultado do intenso processo participativo. Participar de novo para que? Se não há vontade política para implementar o acordado anteriormente.
    – Além disso, as redes e organizações estão muito fragilizadas. Desde o governo Lula, embora tenha havido muita discussão, não se andou nenhum passo no aperfeiçoamento do Marco Legal das Organizações Sociedade Civil e nenhuma inciativa foi feita para o fortalecimento e sustentabilidade das OSCs. Dilma, ainda, suspendeu convênios com as ONGs e deixou o campo sobre suspeição. Além disso, recrudesce a criminalização dos movimentos sociais e as ameaças aos defensores de Dhs, por várias razões, muitas delas relacionadas aos impactos dos projetos de infra-estratura priorizados pelo governo federal.
    – As organizações de Dhs não estão mais presentes na CDHM e em outros espaços (da forma como participavam em outros momentos) pois não conseguem mais estar presentes. A conjuntura mudou. Debitar a entrada de um racista e homofóbico na presidência da Comissão de Dhs às organizações e movimentos de Dhs, e eximir a responsabilidade do PT e da bancada petista da Câmara é lamentável.

    Se for confirmado o nome do Pastor Marco Feliciano para a presidência, será o episódio mais triste da história da CDHM e um grande perigo para o retrocesso dos DHs no país. Demonstra o fortalecimento do obscurantismo e do fundamentalisto religioso no Brasil, que está sendo constantemente alimentado e fortalecido por esse governo.

    Abs,
    Alexandre Ciconello

    • Alexandre, tenho acordo parcial com boa parte das suas ponderações, mas é fato que a ação da sociedade civil em torno da CDHM se tornou, via de regra, mais pontual e focalizada. E, ao contrário de outras comissões, praticamente não houve, nos últimos dois anos, pelo menos, um trabalho de pressão sobre os partidos de esquerda para que priorizassem a escolha da CDHM. O PT tem responsabilidade? Com certeza. Mas a luta política na Câmara não se resume à CDHM. Quando a uma suposta negociação com o PSC, aí você está – além de bem distante da realidade do que houve – desrespeitando os inúmeros petistas que conseguiram, inclusive, que a CDHM se tornasse a quarta opção na lista de prioridades da bancada. Abraço!

  5. […] Por: Rogério Tomáz Jr. em seu blog […]

    • E AS MINORIAS? ENCOLHERÃO!!! AGORA É BATER MESMO. BATER: ECA!!! IDOSO!!! ÍNDÍGENA!!! MULHER/ESTUPRO/GRAVIDEZ/ABORTO=CADEIA. DIREITOS HUMANOS É PRA QUEM CONHECE DO TODO E PARA TO@S NÃO PARA GRUPO SECTÁRIOS, FUNDAMENTALISTAS E ARROGANTES.

  6. Perdemos a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara? Sim, mas ainda teremos a presidência da Comissão de Direitos Humanos do Senado, com a companheira Ana Rita Esgario (PT-ES). Tenho toda a confiança nessa combativa companheira e sei que fará dessa comissão no Senado um importante espaço de diálogo, luta e construção dos direitos humanos no parlamento!

    Não estamos numa terra arrasada, ocupemos os espaços que teremos!

  7. Foi mesmo uma ótima explicação. Muito esclarecedora. Obrigada.

  8. Ao ocupar a comissão das Direitos Humanos, a bancada evangélica espera impedir a tramitação de projetos que considera inadmissíveis, como a possibilidade de troca de sexo por travestis sem autorização judicial e o casamento gay. Projetos com estes temas passam obrigatoriamente pela comissão e podem ser descartados bem antes de irem ao plenário…Não vamos fazer pouco caso disso, embora o PT esteja no Senado, muitos projetos só chedarão lá se aprovados pela Comissão da Câmara…PT deu bola fora bonito!

  9. SOCOOORRROOO

  10. Prezado companheiro e amigo Rogério,

    Partilho com você a dor e tristeza de ver a CDHM nas mãos de força política tão conservadora. Também compartilho contigo a responsabilidade que tem a sociedade civil que na maioria das vezes se faz ausente do parlamento como espaço de fazer política.

    Porém, companheiro o espaço parlamento de fazer política há muito se transformou em espaços para corporações fechadas e eu coloco também aí o “movimento sindical” que de movimento mesmo nada mais tem, são na verdade corporações.

    Além disso, os partidos já não representam forças efetivas políticas, os partidos representam interesses de grupos, das máquinas empresariais ou mesmo representam ideias obscurantistas. Os partidos se transformaram em burocracias, fechados a participação popular, buscam resultados imediatos e com isso se afastaram de serem organizações políticas legítimas. Não falo isso porque sou contra os partidos, digo que os partidos precisam ser repensados.

    Ficou no passado a ideia de um partido de massa, com núcleos de base, com coletivos temáticos e de segmentos atuantes. O que restou foi um aglomerado grande partidário onde quem detém o poder são parlamentares, quem possui altos cargos no governo, ocupa cargos altos no partido, ou está em cargos relevantes em algum poder ou ainda na iniciativa privada. A militância, bom a militância… o que foi feito dela?

    Nesse cenário político onde o sistema político tronou-se fechado e burocrático, onde os partidos são burocracias, como é possível a sociedade civil participar, intervir e possivelmente opinar?

    A sociedade civil sim tem que se reinventar e precisa reinventar os espaços públicos e de construção de poder, diferentes do que aí está, deve abdicar dessa burocracia política e construir um agir político criativo com novas formas de mobilizações.

    A CDHM vai para o PSC e isso se deve mesmo a quem?

    Apenas uma opinião.

    Abs

  11. […] Ele, na Folha de S. Paulo de ontem (3), resumindo bem o futuro (ao menos por um ano) que parece descortinar-se para a atuação da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Sobre a questão, meu amigo Rogério Tomaz Jr. escreveu tópicos fundamentais e esclarecedores aqui. […]

  12. Muito esclarecedora sua exposição!

  13. Excelente explanação!
    Você sempre me orgulha!
    Beijos

  14. […] Conexão Brasília Maranhão: O que significas o PSC na presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara […]

  15. […] [+] O que significa o PSC na presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. […]


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