Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 18/02/2013

A política do Distrito Federal não entrou na República

Se o Maranhão da família Sarney não saiu do Estado Novo, o Distrito Federal ainda não chegou à República.

No submundo da política do Distrito Federal, imperam alguns poucos grupos que controlam o governo distrital e submetem, no que é essencial, os programas e ações implementadas no “quadradinho” do coração do Brasil aos seus interesses econômicos.

A máfia dos ônibus do DF comanda o mais lucrativo sistema de transporte público do Brasil, que também é, proporcionalmente, o pior do País.

No ramo dos táxis, militares aposentados controlam as permissões – taxistas comentam que há quem possua, em seu nome e de laranjas, mais de quarenta licenças para o serviço – e impedem não apenas a fiscalização, mas também a realização de novas licitações para o setor, prometida há décadas.

Mamando nas tetas do Governo do Distrito Federal (GDF), dezenas de institutos de “caridade” picaretas, ONGs de fachada pertencentes a funcionários públicos, blogs fantasmas e entidades “culturais” que extorquem o erário através de deputados distritais.

Aliás, o Legislativo da capital federal é bem menos limpo do que muitas instituições do baixo meretrício do interior do Nordeste onde não há saneamento básico ou água encanada.

Sem falar na turma da segurança privada, que no DF encontrou um amplo “mercado” que é irrigado com recursos públicos e serve para lavagem de dinheiro de incontáveis esquemas.

Outro grupo que age como governo de fato é a máfia imobiliária. Assim como as empresas de ônibus, financiam campanhas, mas também se encarregam de servir o “cafezinho” dos deputados distritais quando é preciso aprovar leis importantes de regularização fundiária, cuja secretaria no governo é dominada por uma patota que caminha a passos muito largos, mas para bem longe da direção do interesse público.

Para calar delatores indesejados, basta irrigar algumas contas e bancar “atividades de formação” no exterior.

Você tinha esperança na juventude? Esqueça. Tribunais às vezes são bem mais atraentes (e rentáveis, no final das articulaçõe$) do que a renhida luta política.

No final das contas, de nada adianta usar samambaias para tentar salvar o DF da inundação do lixo. A coleta de detritos e dejetos pelos profi$$ionais é mais atraente, especialmente com a sigla PPP no meio do negócio. Catadores? Vão se catar!

O cheiro de esgoto da política do DF é muito pior do que a seca de agosto.

E a síntese do que existe de pior na política se reuniu e fincou raízes aqui. Não há coronel que seja pior do que as Máfias Reunidas S/A.

O Distrito Federal, definitivamente, não chegou à República.

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