Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 13/09/2012

Sutilmente, Veríssimo detona mídia e PSDB

Na Internet circulam diariamente trocentos mil textos, abordando os mais diversos temas, atribuídos ao escritor Luís Fernando Veríssimo.

Na maioria das vezes, os textos são muito mal escritos e denunciam logo a falsidade da autoria.

Este que segue abaixo, embora provavelmente não vá circular tanto quanto os artigos falando de amor e temas de autoajuda, é autêntico. Em vários sentidos. Saiu hoje (13) na coluna de Veríssimo no Estadão.

E é um sutil petardo, bem ao estilo dos gênios que só precisam de meia dúzia de palavras para expressar sua mensagem.

Na direção da “grande imprensa”, citada explicitamente, e do PSDB.

Ao texto do gaúcho, que também é músico, embora não assuma o ofício.

Veríssimo tocando sax

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,o-grande-silencio-,929924,0.htm

O grande silêncio

13 de setembro de 2012 | 3h 13Luis Fernando Verissimo – O Estado de S.Paulo

É sempre bom investigar a origem dos fatos e das palavras. Você pode descobrir coisas surpreendentes. Por exemplo: o final abrupto de uma frase de jazz moderno, vocalizado, soava algo como “be-ree-bop”. É daí que vem o nome do novo estilo de tocar jazz, “bop”. O “biribop” foi usado numa música brasileira que falava da influência do novo jazz no samba – “eba biribop”, lembra? – e não demorou para que o “biribop” do samba se transformasse em “biriba” e acabasse sendo o nome do cachorro mascote do Botafogo, segundo alguns um dos maiores responsáveis pela boa fase do time na época – e nome de um jogo de cartas. Hoje quem joga biriba (ainda se joga biriba?) não desconfia que tudo começou nos clubes de Nova York onde alguns músicos faziam uma revolução que não tinha nada a ver com o baralho.

A procura de origens pode levar por caminhos errados, é verdade. Ainda no campo da música: quando a Bossa Nova começou a ser tocada nos Estados Unidos uma das curiosidades dos nativos era o significado do termo “bossa”. Quem procurou num dicionário leu que “bossa” era a protuberância nas costas de um corcunda, não podia estar certo. Aí alguém se lembrou de um LP gravado pelo guitarrista Laurindo de Almeida nos Estados Unidos anos antes, junto com três americanos, uma saxofonista, uma baterista e um contrabaixista, que incluía ritmos brasileiros. E surgiu a teoria que o disco do Laurindo de Almeida teria sido muito ouvido no Brasil e a marcação do baixo nos sambas muito impressionara os músicos locais. Claro, “bossa” era uma corruptela de “bass”, contrabaixo em inglês. Tudo esclarecido. (Não foi a única injustiça que fizeram com o João Gilberto, o verdadeiro criador da batida da bossa. Ainda inventaram que ele roubara o jeito de cantar do Chet Baker.)

Mas tudo isto, acredite ou não, tem a ver com o mensalão. Ouvi dizer que a origem do esquema que está sendo condenado no Supremo é uma eleição em Minas que envolveu alguns dos mesmos personagens de agora, só que o partido favorecido foi o PSDB. Se a origem é esta mesmo, ou – como no caso da origem da bossa nova – há um mal-entendido, não sei. Mas não deixa de surpreender a absoluta falta de curiosidade, da grande imprensa inclusive, sobre esta suposta raiz de tudo. Só o que há a respeito é um grande silêncio. O barulho com o esquema precursor mineiro ainda está por vir ou o silêncio continuará até o esquecimento? É sempre bom investigar a origem dos fatos e das palavras. Inclusive porque dá boas histórias.


Responses

  1. Devo ler ainda sobre “Mensalao”


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