Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 30/08/2012

Governo iraniano intensifica perseguição aos bahá’ís

A Fé Baha’i é uma religião nascida em 1844, na Pérsia, hoje Irã, que não possui dogmas, rituais, clero ou sacerdócio.

Após a revolução de 1979, a comunidade Baha’i no Irã passou a ser perseguida de todas as formas. O objetivo do Estado comandado pelos aiatolás é extinguir a Fé Baha’i no Irã, meta revelada com a divulgação, pela ONU, em 1991, de um documento secreto do governo iraniano, o memorando Golpaygani, que abordava a “Questão Baha’i”.

Desde a revolução, mais de 200 adeptos da Fé Baha’i foram executados. O acesso ao ensino superior foi proibido, o que parou a ocorrer apenas a partir de 2006, ainda assim sob várias restrições.

Na semana passada falei aqui no blog sobre o banimento das mulheres em alguns cursos universitários, medida que leva o Irã de volta ao obscurantismo da Idade Média, embora a Pérsia tenha sido, ao longo da história, berço de grandes artífices da ciência e do conhecimento humano.

Nos últimos anos, a perseguição aos baha’i tem aumentado, como mostra o artigo abaixo, de Washington Araújo, editor do blog Cidadão do Mundo.

Governo iraniano intensifica perseguição aos bahá’ís de Semnan

Funcionários, semioficiais, grupos e agentes à paisana perpetraram dezenas de ataques contra um grande número de bahá’ís em Semnan, cidade localizada ao leste de Teerã, desde 2009. Pelo menos 30 bahá’ís foram presos e vários deles agora servem longas penas de prisão. Casas e lojas têm sido alvos de incêndios e inúmeras empresas de propriedade de bahá’ís foram fechadas pelas autoridades.

Os bahá’ís da cidade também são continuamente assediados por meio de uma vigilância minuciosa e constante dos agentes de segurança do estado, incitação ao ódio da parte de clérigos, abusos contra crianças bahá’ís e vandalismo no cemitério bahá’í local.

Segundo Carlos Alberto Silva, secretário geral da Comunidade Bahá’í do Brasil, “essa abordagem coordenada é definitivamente diferenciada e alarmante. Estão tentando impor cada vez mais vigorosamente a política há muito estabelecida pelo governo iraniano de impedir o progresso e o desenvolvimento dos bahá’ís”, disse ele.

Para os bahá’ís do Irã, a opressão é parte de suas vidas desde a fundação de sua Fé em meados do século XIX. Porém, desde a Revolução Islâmica de 1979, os bahá’ís enfrentam uma estratégia de perseguição patrocinada pelo governo, sofrendo incontáveis ataques, detenções e aprisionamentos numa campanha sistemática que se intensificou em 2005 e tornou-se ainda mais forte em 2008-2009.

O número desproporcional de ataques contra os bahá’ís de Semnan explodiu depois que uma série de seminários e manifestações anti-bahá’ís amplamente divulgados foram organizados na cidade desde 2008. As residências de cerca de 20 bahá’ís foram invadidas por autoridades que confiscaram materiais bahá’ís, computadores e telefones celulares. Nove destes bahá’ís que tiveram suas casas invadidas foram detidos, todos sob falsas acusações relacionadas puramente à sua prática da Fé Bahá’í.

Desde 2009, cerca de 26 bahá’ís de Semnan foram condenados a um total de mais de 70 anos de prisão. Atualmente oito estão presos, tendo recebido suas sentenças– que variam de seis meses a seis anos – apenas recentemente. Além desses, outros cumprem períodos de exílio interno depois de terem completado seu período de prisão. Quatro foram libertados sob fiança e aguardam julgamento, e mais oito foram sentenciados mas aguardam em liberdade a apelação ou convocação para cumprir seu período de prisão. Vários outros foram submetidos a interrogatórios.

Três meses atrás, Adel Fanaian foi condenado a seis anos de prisão sob acusações que incluíam “mobilização de um grupo com o intuito de perturbar a segurança nacional” e “propaganda contra o sagrado regime da República Islâmica do Irã”. Estas falsas acusações se baseiam simplesmente em sua iniciativa de oferecer aulas de desenvolvimento moral para crianças e jovens e ajudar jovens a obterem educação secundária.

Carlos Alberto Silva observou que, apesar da difusão da condenável propaganda anti-bahá’í na cidade, há relatos de que a maioria dos cidadãos de Semnan não alimenta inimizade pelos bahá’ís, e muitos buscam sua companhia. “Na verdade, muitos bahá’ís possuem parentes e amigos íntimos que são muçulmanos”, disse ele. “A situação deve ser cuidadosamente examinada por todos aqueles que procuram restaurar o devido processo legal e o respeito pelos direitos humanos no Irã. Esses ataques, efetuados por elementos semioficiais ou agentes à paisana, refletem ainda outra tentativa insidiosa do governo iraniano de insultar os padrões internacionais de justiça sem abertamente chamar atenção para suas ações.”

“Na contramão”

“É um completo absurdo”, diz o Deputado Federal Luiz Couto, da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados (CDHM), “que em pleno século XXI um país que é signatário dos principais tratados internacionais de direitos humanos como é o caso do Irã ainda adote práticas de cerceamento do direito à defesa da maneira como vimos observando no caso dos bahá’ís e em tantos outros, especialmente nos dois últimos anos.”

Segundo o Deputado Federal Roberto de Lucena, também membro da CDHM, “a situação dos bahá’ís no Irã é crítica. Neste momento, cerca de 112 bahá’ís estão atrás das grades não por causa de um crime, mas simplesmente pela sua crença religiosa.”

“Devo lembrar também o caso das sete lideranças bahá’is do Irã. Eles estão cumprindo a pena de 20 anos de prisão. E por quê? Apenas por causa da sua religião” – afirmou Lucena, fazendo alusão a Mahvash Sabet, Fariba Kamalabadi, Vahid Tizfahm, Afif Naemi, Jamaloddin Khanjani, Said Rezaee e Behrouz Tavakkoli, presos desde 2008.

Carlos Alberto Silva considera que o Irã está na “contramão” dos direitos humanos e da promoção da diversidade. “O governo brasileiro, por exemplo, tem buscado formas de promover e proteger a diversidade religiosa no país. Em 2012, por exemplo, os funcionários que recebem denúncias de violações de direitos humanos – o Disk 100 – receberam treinamento para encaminhar denúncias de crimes cometidos por motivação de intolerância religiosa”, relembra ele. “Enquanto isso, a República Islâmica insiste na estratégia de supressão da diversidade”, lamenta o representante bahá’í.

*Washington Araújo – jornalista, editor do blog Cidadão do Mundo

Fonte: Comunidade Bahá´í do Brasil/Ações com a Sociedade e Governo – http://sasg.bahai.org.br


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