Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 23/07/2012

Evasão fiscal só não é maior do que a hipocrisia dos ricaços

Ricaços brasileiros acumulam 1/3 do PIB em paraísos fiscais

Eu também acho que a população brasileira paga impostos demais para os serviços de má qualidade que tem à sua disposição. Sobretudo os mais pobres, que, proporcionalmente, pagam muito mais impostos do que os ricos. Estes se beneficiam da nossa tributação regressiva, que penaliza quem possui menos renda e blinda quem ganha mais.

Entretanto, o nosso problema maior não é a carga tributária elevada, pois esta é apenas consequência de dois elementos, estes, sim, responsáveis pela deficiência do Estado na garantia dos nossos direitos essenciais: corrupção e evasão fiscal.

O caso da corrupção merece um post à parte. Mas vale dizer que os 502 anos nos quais o Brasil foi governado por uma elite entreguista e colonizada impediram qualquer possibilidade de desenvolvimento de um Estado minimamente estruturado para atender às necessidades e direitos fundamentais da nossa sociedade.

Os raros momentos em que vivenciamos experiências emancipatórias – como o que vivemos no presente momento – são exceções na nossa história e foram rapidamente abortados por meio da violência ou superados pelo retrocesso de governantes alinhados aos interesses externos, que nunca deixaram, ademais, de garantir privilégios à minoria que manteve o poder durante os cinco séculos.

Já a evasão fiscal é, de longe, o esporte preferido dos ricaços brasileiros.

E aí, além do crime em si, espanta a hipocrisia colossal dessa turma, criadora do “movimento” Cansei e do Impostômetro. A chamada “classe A” tupiniquim é pródiga na arte de subtrair os cofres públicos através da corrupção. Mas o que impressiona é a vultosa – e incalculável – quantia desviada por meio da evasão fiscal.

Volta e meia alguma operação da Polícia Federal deixa atônito quem acompanha a política e a economia e se depara com valores astronômicos encontrados nas offshores das ilhas do Caribe ou em outras zonas.

Recente estudo da Tax Justice Network, divulgado pela BBC no final de semana (ler abaixo), estima que a elite mundial acumulava US$ 21 trilhões em paraísos fiscais até o final de 2010. O autor do levantamento, entretanto, avalia que a cifra é “conservadora” e o valor real poderia chegar a US$ 32 trilhões.

Para se ter uma ideia do que isso representa, basta dizer que a FAO (agência da ONU para alimentação e agricultura) calculava, em 2009, que seriam necessários 44 bilhões de dólares para ERRADICAR a fome no mundo, que atinge um bilhão de pessoas no planeta.

Ou seja, seria necessário destinar 0,2% – considerando 21 trilhões de dólares – do capital “aplicado” em paraísos fiscais para acabar com a fome global.

Jacques Diouf, então diretor da FAO, também lembrava que o mundo gastava naquele ano 1,34 trilhão de dólares em armas. Isto é, nem mesmo a indústria da guerra não chega perto da indústria da evasão fiscal.

A pesquisa da Tax Justice Network aponta também que o Brasil é o quarto país na lista de maiores quantias acumuladas em paraísos fiscais, livres da tributação nacional. Atrás apenas da China, Rússia e Coréia do Sul, somente os ricaços brasileiros teriam acumulado 520 bilhões de dólares(um terço do nosso PIB), ou mais de UM TRILHÃO DE REAIS nas offshores.

Enquanto isso, o Impostômetro criado pelos maiores caloteiros chega agora, enquanto escrevo estas linhas, a R$ 854 bilhões.

Sem mais comentários. Fique com as matérias da BBC. Os dados da lista de países foi publicada pela Folha Online.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/07/120722_ricos_evasao_rp.shtml

‘Super-ricos’ têm US$ 21 trilhões escondidos em paraísos fiscais

Rodrigo Pinto
Da BBC Brasil em Londres
Atualizado em  22 de julho, 2012 – 11:47 (Brasília) 14:47 GMT

Em um momento em que muitas das principais economias do mundo enfrentam duras medidas de austeridade, um estudo mostra que alguns poucos cidadãos continuam se dando ao luxo de manter suas fortunas intactas, longe das garras afiadas das autoridades tributárias.

Reuters

Servidores públicos espanhóis protestam contra cortes no orçamento do país, paret das medidas de austeridade adotadas para conter a crise

A elite global super-rica somou pelo menos US$ 21 trilhões escondidos em paraísos fiscais até o final de 2010, segundo o estudo The Price of Offshore Revisited, escrito por James Henry, ex-economista-chefe da consultoria McKinsey, e encomendado pela Tax Justice Network.

A valor é equivalente ao tamanho das economias dos Estados Unidos e Japão juntas.

Segundo Henry,o valor é conservador e poderia chegar a US$ 32 trilhões.

O estudo também lista os 20 países onde há maior remessa de recursos para contas em paraísos fiscais. No topo da lista está a China, com US$ 1,1 trilhão, seguida por Rússia, com US$ 798 bilhões, Coréia do Sul, com US$ 798 bilhões, e Brasil, com US$ 520 bilhões (ou mais de R$ 1 trilhão).

‘Perdas enormes’

James Henry usou dados do Banco de Compensações Internacionais, do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial e de governos nacionais.

Seu estudo trata apenas de riqueza financeira depositada em contas bancárias e de investimento, e não de outros bens, como imóveis e iates.

O relatório surge em meio à crescente preocupação pública e política sobre fraude e evasão fiscal. Algumas autoridades, inclusive na Alemanha, têm até pago para obter informações sobre supostos sonegadores de impostos.

Henry disse que o movimento de dinheiro dos super-ricos em todo o mundo é feito por “facilitadores profissionais nas áreas de private banking e nas indústrias de contabilidade, jurídica e de investimento”.

“As receitas fiscais perdidas são enormes. Grandes o suficiente para fazer uma diferença significativa nas finanças de muitos países”.

“Por outro lado, esse estudo é realmente uma boa notícia. O mundo acaba localizado a uma pilha enorme de riqueza financeira que pode ser chamada a contribuir para a solução dos nossos mais prementes problemas mundiais”, disse ele.

‘Escolha política’

John Christensen, diretor da Tax Justice Network, afirmou à BBC Brasil que as elites de países que hoje enfretam crises, como a Grécia, têm uma longa tradição de envio de recursos para paraísos fiscais.

Segundo ele, os tributos que poderiam ser recolhidos sobre o dinheiro em paraísos fiscais seria “mais do que suficiente para manter os serviços públicos e erradicar a pobreza nestes países”.

“Eu e outros economistas vimos dizendo que austeridade é uma questão de escolha. Há muitos anos, os governos sabem que há recursos em paraísos fiscais. Nós apenas quantificamos isso. Mas muitos governantes optam por não taxar estes recursos. Até porque eles próprios estão entre os que remetem para os paraísos fiscais”.

Outras descobertas do estudo incluem:

  • No final de 2010, os 50 principais bancos privados movimentaram mais de US$ 12,1 trilhões entre fronteiras para clientes privados.
  • Os três bancos privados que manipulam a maior parte dos ativos offshore são UBS, Credit Suisse e Goldman Sachs.
  • Menos de 100 mil pessoas em todo o mundo detêm cerca de US$ 9.8 trilhões em ativos offshore.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/07/120722_ricos_evasao_brasil_rp.shtml

Ricos brasileiros têm quarta maior fortuna do mundo em paraísos fiscais

Rodrigo Pinto
Da BBC Brasil em Londres
Atualizado em  22 de julho, 2012 – 11:43 (Brasília) 14:43 GMT

Os super-ricos brasileiros detêm o equivalente a um terço do Produto Interno Bruto, a soma de todas as riquezas produzidas do país em um ano, em contas em paraísos fiscais, livres de tributação. Trata-se da quarta maior quantia do mundo depositada nesta modalidade de conta bancária.

A informação foi revelada este este domingo por um estudo inédito, que pela primeira vez chegou a valores depositados nas chamadas contas offshore, sobre as quais as autoridades tributárias dos países não têm como cobrar impostos.

O documento The Price of Offshore Revisited, escrito por James Henry, ex-economista-chefe da consultoria McKinsey, e encomendado pela Tax Justice Network, mostra que os super-ricos brasileiros somaram até 2010 cerca de US$ 520 bilhões (ou mais de R$ 1 trilhão) em paraísos fiscais.

O estudo cruzou dados do Banco de Compensações Internacionais, do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial e de governos nacionais para chegar a valores considerados pelo autor.

Em 2010, o Produto Interno Bruto Brasileiro somou cerca de R$ 3,6 trilhões.

Ricos brasileiros

Ricos brasileiros são os quartos no mundo em remessas a paraísos fiscais

‘Enorme buraco negro’

O relatório destaca o impacto sobre as economias dos 139 países mais desenvolvidos da movimentação de dinheiro enviado a paraísos fiscais.

Henry estima que desde os anos 1970 até 2010, os cidadãos mais ricos desses 139 países aumentaram de US$ $ 7,3 trilhões para US$ 9,3 trilhões a “riqueza offshore não registrada” para fins de tributação.

A riqueza privada offshore representa “um enorme buraco negro na economia mundial”, disse o autor do estudo.

“Instituições como Bank of America, Goldman Sachs, JP Morgan e Citibank vêm ofrecendo este serviço” John Christensen, diretor Tax Justice Network

Na América Latina, chama a atenção o fato de, além do Brasil, países como México, Argentina e Venezuela aparecerem entre os 20 que mais enviaram recusos a paraísos fiscais.

John Christensen, diretor da Tax Justice Network, organização que combate os paraísos fiscais e que encomendou o estudo, afirmou à BBC Brasil que países exportadores de riquezas minerais seguem um padrão. Segundo ele, elites locais vêm sendo abordadas há décadas por bancos, principalmente norte-americanos, pára enviarem seus recursos ao exterior.

“Instituições como Bank of America, Goldman Sachs, JP Morgan e Citibank vêm oferecendo este serviço. Como o governo americano não compartilha informações tributárias, fica muito difícil para estes países chegar aos donos destas contas e taxar os recuros”, afirma.

“Isso aumentou muito nos anos 70, durante as ditaduras”, observa.

Quem envia

Segundo o diretor da Tax Justice Network, além dos acionistas de empresas dos setores exportadores de minerais (mineração e petróleo), os segmentos farmacêutico, de comunicações e de transportes estão entre os que mais remetem recursos para paraísos fiscais.

“As elites fazem muito barulho sobre os impostos cobrados delas, mas não gostam de pagar impostos”, afirma Christensen. “No caso do Brasil, quando vejo os ricos brasileiros reclamando de impostos, só posso crer que estejam blefando. Porque eles remetem dinheiro para paraísos fiscais há muito tempo”.

Chistensen afirma que no caso de México, Venezuela e Argentina, tratados bilaterais como o Nafta (tratado de livre comércio EUA-México) e a ação dos bancos americanos fizeram os valores escondidos no exterior subirem vertiginosamente desde os anos 70, embora “este seja um fenômeno de mais de meio século”.

O diretor da Tax Justice Network destaca ainda que há enormes recursos de países africanos em contas offshore.


Responses

  1. Ehhh Mfilho , a coisa aqui nn é diferente, pensavo q Italia era 1° lugar a nivel mundial, vejo coisas ABSURDAS aqui, impressionante … Com o governo do Sr.Monte as coisas mudaram um pouquinho, isto é, a Finanza esta’ fazendo mais controles, nos grandes e pequenos centros. Interessante q a mesma para os” grandes carros (blitz) no meio das ruas, grandes marcas” p um controle : sorpresa total, o mesmo nn é registrado em Italia e sim Alemanha, um dos motivos, o seguro custa mto menos… Ja’ vi casos em TV de pessoas que declaram 20, 25milE e possuem aps em centro historico(carissimo), carros e carros de grandes marcas. Mas mesmo assim a Finanza continua fazendo bliz nos grandes centro, como Milano, Torino, Roma etc Suiça tem um acordo c Italia p lavagem de dro.Outro dia foi denunciado um VIP q se dirigindo a um banco da suiça levava em uma bolsinha apenas 20milhoesE… ligaram imediatamente p Finanza italiana … ta’ ainda rolando o processo, mas é um amigo de berlusca rsrsrs baci


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