Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 21/07/2012

Notas e dicas sobre o Uruguai

O Uruguai, “nação de 3,5 milhões de anarquistas”, como algum literato que escapa à minha memória já disse, é um dos lugares mais aprazíveis para se conhecer. E para se viver, obviamente.

Com a população comparável à da região metropolitana de Fortaleza, espalhada numa extensão pouco menor do que a do Paraná, o país do presidente José “Pepe” Mujica é um dos mais avançados do mundo no que diz respeito à legislação dos direitos sociais.

Como conta Eduardo Galeano, um dos seus habitantes mais ilustres, no Uruguai foram abolidos os castigos corporais nas escolas 120 anos antes da Grã-Bretanha. A jornada de trabalho de oito horas foi adotada um ano antes dos Estados Unidos e quatro anos antes da França. Aprovou lei do divórcio setenta anos antes da Espanha e o voto feminino quatorze anos antes da França.

Estive lá em três ocasiões, basicamente em Montevideo e durante uma tarde em Colônia do Sacramento. Espero regressar em breve para percorrer mais este país tão encantador quanto complexo.

A capital uruguaia, além de ser uma cidade muito bonita, é cheia de “personagens”, de “figuraças” que expressam muito bem a maior riqueza do país: o seu povo. Escrevi sobre isso aqui no blog.

Turismo

– Ciudad Vieja (“Cidade Velha”): bairro histórico de visita obrigatória, com seus monumentos, museus, cafés, bares – com proprietários vindos de inúmeros lugares do mundo – e restaurantes, além do Mercado del Puerto e das lojas com preços bastante razoáveis. Merece pelo menos  dois dias para ser percorrida e conhecida minimamente.

Puerta de la Ciudadela, que divide o centro e a Ciudad Vieja (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

O belo Teatro Solis (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

Plaza Independencia (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

Monumento a José Artigas, herói nacional (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

– Café Brasilero: fundado em 1877, é um dos lugares mais tradicionais da cidade. Cardápio amplo, lugar pequeno e aconchegante e no qual você ainda pode dar de cara com Eduardo Galeano, que tem esse lugar como a sua segunda casa “não à toa”, com já disse. Fica na rua Ituzaingó, entre a Rincón e a 25 de Mayo.

Café Brasilero, um dos mais antigos de Montevideo (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

– Mercado de la Abundancia: lugar interessante principalmente porque é a sede do Joventango, um clube que oferece aulas de tango e outras danças populares, e onde pessoas de todas as gerações se encontram para dançar o ritmo de Gardel nas noites de sexta e sábado. O mercado também possui restaurantes e outros bares. Fica no centro, na esquina das ruas San José e Dr. Aquiles Lanza, a três quadras da famosa praça Cagancha. Recomendo para uma noite de sexta.

Mercado de la Abundancia (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

– Fun Fun: melhor bar de Montevideo, com música ao vivo – e apresentação de tango – quase todos os dias, decorado com flâmulas, bandeiras e camisas de times de futebol do mundo inteiro, com vários tipos de cerveja e chope e petiscos bem saborosos. Na época de férias, é bom chegar cedo (22h) para se conseguir uma mesa, já que as dimensões do lugar são menores do que a sua procura.

Área interna do Fun Fun (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

Apresentação de tango no Fun Fun (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

Até o Santa Cruz está presente no Fun Fun (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

– Museo del Vino: ótimo lugar para ouvir boa música ao vivo, sem o “furor” do Fun Fun, o Museo del Vino tem shows de música popular uruguaia, milonga, tango, son (ritmo cubana), jazz, blues e até MPB e chorinho, além de espetáculos que combinam teatro e música. Obviamente, com uma carta de vinhos de ótima qualidade. Fica na rua Maldonado, esquina com a Hector Gutiérrez Ruiz, no centro. O site é esse: http://www.museodelvino.com.uy

Interior do Mudeo del Vino (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

Show de blues com Virgina Martinez no Museu del Vino (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

– Estádio Centenário: um dos palcos mais nobres do esporte mais popular do Brasil e do mundo, o Centenário é uma ótima opção para se conhecer um pouco da história do futebol uruguaio, que escreveu alguns belos capítulos da história desse jogo, responsável por colocar o Uruguai no mapa, escreveu Galeano. Vale a pena visitar o estádio, que possui um museu. Salvo engano, as visitas podem ser feitas de segunda à sexta, das 10h às 17h.

– Rambla: é a avenida litorânea, com extensão de mais de 20Km, que passa por inúmeros bairros, inclusive pelo centro e pela Ciudad Vieja, e é um ótimo local para caminhadas.

– Pocitos: é o bairro mais agitado, com boates e bares dançantes que atraem a juventude e os turistas. É o bairro que tem a praia urbana mais procurada da capital nos dias de calor.

– Parque Rodó: lugar muito gostoso para se passar uma tarde de ócio ou um dia inteiro. Além de muito verde, possui um teatro, um espaço musical, passeio de pedalinho no lago e é bem servido de restaurantes ao seu redor. E é um dos lugares onde funciona uma feira nos finais de semana.

– Candombe: é o ritmo percurssivo tradicional do Uruguai, criado pelos negros e reconhecido pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade. Uma época boa para visitar Montevideo e ver toda a riqueza do candombe é a época das llamadas, espécie de pré-carnaval que leva às ruas as comparsas (grupos de candombe de bairros ou associações dos mais variados tipos de afinidade). As llamadas são um espetáculo muito bonito de se ver, especialmente se você tiver a oportunidade de acompanhar os preparativos dos integrantes de alguma comparsa nas horas que antecedem o desfile.

Candombe nas prévias das llamadas (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

– Feiras e mercados: Montevideo é repleta de feiras e mercados ao ar livre funcionando nos finais de semana. Informe-se com os locais para escolher quais visitar.

– Chivito e frankfurter: são os sanduíches tradicionais do Uruguai. O chivito é uma refeição completa, com carne, queijo, ovo, verduras, legumes e acompanhado de batatas fritas, além de maionese e molhos variados. Já o frankfurter é um pão simples com salsicha, sem muita graça.

Chivito uruguaio (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

– Medio y medio: bebida criada no Mercado del Puerto de Montevideo, rica mistura de vinho branco e espumante. Imperdível!

Medio y Medio: bebida única de Montevideo (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

– Colônia do Sacramento: pequena e bucólica cidade a 180Km de Montevideo, situada “em frente” a Buenos Aires, é um sítio histórico com bons restaurantes, belas paisagens na margem do rio da Prata e um pôr do sol absolutamente magnífico. É possível ir de ônibus de manhã e voltar no início da noite. A viagem é rápida, tranquila e a estrada é bem bonita.

Um dos incontáveis recantos de Colonia del Sacramento (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

Camarote público para o pôr do sol em Colônia (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

Rua de Colônia (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

Colônia do Sacramento (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

– Punta del Leste: ainda não fui, mas é outro lugar bastante atrativo e de praias famosas internacionalmente. Numa próxima viagem ao Uruguai, será meu destino com certeza.

Hospedagem

Para quem não faz questão de luxo e conforto absoluto que os grandes hoteis oferecem, sugiro a Posada al Sur, na Ciudad Vieja, da qual já falei aqui no blog. Serve tanto como hostel como pousada com estrutura simples, mas agradável. E o melhor são as pessoas que trabalham no lugar, que é parte de um projeto de economia solidária.

Posada Al Sur

***

Esse post é dedicado ao amigo e mestre Márcio Araújo, que vai visitar o país de Mario Benedetti por esses dias e me pediu dicas de lá. O post é caprichado, mas reconhecidamente limitado, diante de tantas atrações para se conhecer no Uruguai. Como sugestão, deixo a excelente e imbatível matéria do Ariel Palacios, correspondente do Estadão em Buenos Aires, sobre Montevideo. Saludos!

http://blogs.estadao.com.br/ariel-palacios/o-charme-da-placida-montevideu/


Responses

  1. Mto interessante … metemos no roteiro …

  2. opa Rogerio! legal seu post. só pra não deixar passar, uma dica de uma quase-habitante desse pequeno grande país. se vais uma próxima vez, sugiro trocar Punta del Este por Rocha (Cabo Polonio e adjacencias)… se ainda assim for a Punta, o pouco que vale de lá é a Casa Pueblo en Punta Ballena. de resto, é só um balneário internacional tomado por argentinos e brasileiros com muito dinheiro. Rocha é mais simples, regional e ainda mais bonito. boas viagens pra vc 😉

    • Maravilha, Clarissa. Vou acrescentar. Já ouvi falar muito e muito bem de Rocha, que é onde fica La Paloma, lugar que o Gustavo Cordera escolheu para morar – só isso já é uma baita credencial! Grande abraço e muito obrigado!

  3. Valeu Roger! Embora tenha alguns grandes amigos uruguaios, principalmente em Montevideo, nunca visitei o Uruguai – que antes do período ditatorial era conhecido por sua forma de governo parecida que se utilizava na Suiça. Agora com todas as tuas dicas dá uma grande vontade de visitar e rever amigos que não vejo há anos…


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Categorias

%d blogueiros gostam disto: