Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 03/05/2012

Carta a mamma mia

Últimos minutos do 3 de maio de 2012.

Dia em que minha mãe completa 55 anos de uma vida muitíssimo bem vivida.

Os últimos 14 vividos fisicamente distante dos quatro filhos e do restante da família, mas sempre muito presente nos corações de quem está em Fortaleza, São Luís ou Brasília e tem constantes pensamentos voando até a Itália.

Dela aprendi e herdei muito do que sou e do que expresso no meu dia a dia.

O choro fácil e o riso mais fácil ainda, coisas de quem tem o espírito leve… leve como deve ser a vida.

A teimosia que – embora nem sempre assim compreendida – é mais a forte crença nas próprias convicções do que a cegueira de quem não aceita mudar de ideia.

A coragem de não colocar muros diante dos sonhos.

E a franqueza e a sinceridade de quem sabe o valor disso, mesmo com as dores que estas irmãs gêmeas podem gerar.

A saudade é forte. É quase implacável. Lutar contra ela, a saudade, é como atirar contra a morte, como diz o grande poeta argentino Juan Gelman (outro aniversariante deste 3 de maio).

E é com ele, junto com uma garrafa de vinho italiano, que brindo aos 55 da minha mamma, cuja voz tive o prazer de escutar no meio da tarde desse 3 de maio que começou com uma linda mensagem da minha coroa no seu Facebook…

Quando chegar a esta frase, ela certamente já estará com o rosto encharcado (assim como eu). Não enxugue estas lágrimas. Beba-as. Têm gosto de saudade.

Teu Junior

*****

Arte poética

(Juan Gelman)

Entre tantos ofícios exerço este que não é meu,
como um amo implacável
me obriga a trabalhar de dia, de noite,
com dor, com amor,
sob a chuva, na catástrofe,
quando se abrem os braços da ternura ou da
alma,
quando a enfermidade funde as mãos
a esse ofício me obrigam as dores alheias,
as lágrimas, os lenços saudadores,
as promessas no meio do outono ou do fogo,
os beijos do encontro, os beijos do adeus,
tudo me obriga a trabalhar com as palavras, com
o sangue.
Nunca fui o dono de minhas cinzas, meus versos,
rostos escuros os escrevem, como atirar contra a
morte.


Responses

  1. Senza parole …. sem palavras e tantissimas lagrimas …. tiamo

  2. Coisa linda frango!!! Me arrepiei aqui!!! Lindo demais!!! Mama deve ta enchendo o balde de lencinho…eheheheeheh Bjo.


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