Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 20/04/2012

20 de abril no novo livro de Eduardo Galeano

Pesquei este do blog La pupila insomne (A pupila insone), do jornalista cubano Iroel Sanchez, que reproduziu do jornal mexicano La Jornada.

Passados 51 anos da invasão da Baía dos Porcos (Bahía de los Cochinos), também conhecida como Playa Girón, o escritor uruguaio Eduardo Galeano lança seu novo livro e dedica uma crônica ao episódio.

Cubanos celebrando histórica vitória na batalha de Playa Girón

Trata-se do “Los hijos de los dias” (“Os filhos dos dias”), que será lançado hoje, simultaneamente no México, Argentina e Espanha (e, suponho, no Uruguai também), informa o jornal.

O livro é uma espécie de calendário e traz um pequeno texto para cada dia do ano. Mais detalhes já dei aqui no blog.

Esta semana Eric Nepomuceno me informou, durante a Bienal de Brasília, que faltam apenas “três meses (outubro, novembro e dezembro) do livro” para serem traduzidos para o português. Quem sabe até junho ou julho teremos a nossa edição pela L&PM.

A tradução livre do trecho abaixo é minha e assumo qualquer erro ou imprecisão.

Abril 20

A fabricação de papelões

Foi a maior expedição militar de toda a história do mar do Caribe. E o maior fiasco.

Os donos de Cuba, despojados, desalojados, proclamavam de Miami que iam morrer lutando pela devolução, contra a revolução.

O governo norte-americano acreditou neles, e os seus serviços de inteligência demonstraram, uma vez mais, que não mereciam esse nome.

No 20 de abril de 1961, três dias depois do desembarque na Baía dos Porcos, os heróis, armados até os dentes, apoiados por barcos e aviões, se renderam sem lutar.

***

Abril 20

La fabricación de papelones

Eduardo Galeano

Fue la mayor expedición militar de toda la historia del mar Caribe. Y el mayor fiasco.

Los dueños de Cuba, despojados, desalojados, proclamaban desde Miami que iban a morir peleando por la devolución, contra la revolución.

El gobierno norteamericano les creyó, y sus servicios de inteligencia demostraron, una vez más, que no merecían ese nombre.

El 20 de abril de 1961, tres días después del desembarco en la Bahía de Cochinos, los héroes, armados hasta los dientes, apoyados por barcos y aviones, se rindieron sin pelear.

*****

PS: Fui pesquisar o que a blogueira Yoani Sanchez fala sobre o episódio em que o seu amado país foi invadido por forças treinadas e armadas pela CIA e por outros órgãos do governo dos EUA. Infelizmente, no blog Geração Y não há um único texto que mencione o episódio. Pesquisei por “cochinos” e “playa girón” no sistema de buscas do blog e o resultado foi o mesmo, como mostra a imagem abaixo.

Curioso (ou não) que um blog traduzido para vinte idiomas não tenha uma linha sequer sobre um dos episódios mais dramáticos da história do país da autora.

PS2: Não foram apenas cubanos anticastristas que participaram da invasão. Um dos aviões derrubados pelas defesas cubanas era pilotado por um militar norte-americano. Os EUA sempre negaram a participação direta na invasão, mas jamais aceitaram reconhecer e receber o corpo do seu piloto, porque isso representaria uma confissão. Há alguns anos, por conta da ação incansável dos familiares do piloto, seus restos mortais foram reconhecidos e enviados de volta aos EUA, obrigado a reviver, com isso, o vexame de 1961.

Yoani Sanchez sobre a Baía dos Porcos: nada a declarar

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