Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 17/02/2012

Mais um assassinato na conta de Ali Kamel e da Globo

Negar a existência do racismo é uma enorme contribuição para a perpetuação desse abjeto problema social.

É isso exatamente o que faz o poderoso chefão do jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel, através do seu livro “Não somos racistas” e da orientação que impõe aos veículos do maior grupo de comunicação do Brasil.

A doutrina negacionista do Lord Ratzinger da Globo ultrapassa o jornalismo e é difundida também nos conteúdos que seriam apenas “entretenimento”. A capa do livro de Ali Kamel já foi exibida em demorado super-close durante uma novela, num ato que supera qualquer peça de merchandising e atesta o inegável papel de divulgadores ideológicos de uma  visão de mundo específica que, entre outros elementos, nega o fenômeno racista no Brasil para poder mantê-lo nas suas formas mais sutis e insidiosas, quase imperceptíveis.

Duas caras: novela da Globo faz propaganda ideológica

O texto abaixo relata mais um caso de assassinato motivado pelo racismo. Pesquei da Sulamita Esteliam, que, por sua vez, reproduziu artigo de Mabel Dias, do blog Senhora das Palavras.

Mais um crime na conta de Ali Kamel.

Pesquise no G1 – usando o termo “racismo” – por um texto que fale sobre crime racial. Terá muita dificuldade para encontrar algo no Brasil. Para Kamel, o racismo só existe (se existe) lá fora.

Mesmo os crimes racistas praticados pela polícia – inclusive por policiais negros – não saem nos veículos comandados por Ali Kamel. Como o que ocorreu recentemente em Porto Alegre, do qual foram vítimas dois estudantes africanos, noticiado pelo portal Sul 21.

Imagine a força que teria a luta contra o preconceito racial se uma emissora como a Globo assumisse a bandeira. Apenas imagine. Com Ali Kamel, nunca irá acontecer.

E enquanto isso não acontecer, as digitais do Lord Ratzinger global estarão em cada mão que apertar um gatilho ou usar um punhal ou qualquer outra arma ou maneira de cometer um crime racista.

*****

O assassinato de mais um jovem negro no Brasil

Mabel Dias

http://www.senhoradaspalavras.blogspot.com/2012/02/o-assassinato-de-mais-um-jovem-negro-no.html

O assassinato do jovem Gualter Rocha, no Rio de Janeiro, no dia 1º de janeiro de 2012, me fez refletir sobre a violência urbana que temos assistido cotidianamente e a insuflação, direta ou indireta por parte de alguns jornalistas e outros segmentos da sociedade a reagir sob a máxima “olho por olho, dente por dente”Gualter que adorava dançar, e foi o idealizador do “passinho”, no funk carioca, gritava por socorro por onde passava. Dizia que estava sendo perseguido. As câmeras de vigilância de uma empresa gravaram o jovem correndo desesperadamente, mas não mostraram quem estaria atrás dele. Pedindo ajuda em várias casas, ele conseguiu entrar em uma, onde morava um casal de idosos e sua filha. Atordoado, Gualter continuava pedindo abrigo, mas o casal, assustado, entrou na casa e nada fez.

A polícia prendeu dois suspeitos de terem matado o rei do passinho. O supervisor de uma empresa de segurança e um dos vizinhos do casal de idosos. De acordo com o laudo do Instituto Médico Legal, Gualter foi morto por asfixia mecânica, ou seja, estrangulado. Um dos acusados disse que o que o matou foram as drogas. Mas o exame feito no adolescente mostrou que não havia nenhuma substância em seu sangue. Antes de ser asfixiado, Gualter foi brutalmente espancado e seu corpo foi arrastado até a rua.

O casal, que não conhecia o rapaz, ficou obviamente assustado e se recolheu. O medo deles com certeza deve estar associado a tantas notícias de caso de violência que vem tomando conta do país. Não o ajudaram. Gualter estava sozinho e não estava armado. Pedia proteção. Mas a vontade de fazer justiça com as próprias mãos fez com que o segurança e o vizinho do casal matassem Gualter. Um jovem que tinha tudo pela frente e que foi morto por ter sido confundido com “um meliante, elemento”, termos usados constantemente pela polícia e pela própria imprensa para se referir a assaltantes. Não perguntaram nada, apenas bateram e mataram.

E será que é desta forma que o problema da violência no Brasil será solucionado? Reforçando a prática de atos violentos como resposta a outros atos violentos? É desta forma que a imprensa pensa e acredita estar ajudando a mudar o quadro ao qual toda a sociedade brasileira está passando? É incentivando a população a se armar que alguns jornalistas pensam que vão solucionar os índices de assassinatos no país?

Gualter, assim como muitos adolescentes brasileiros, poderia estar vivo, brilhando nos palcos dos bailes e shows de funk, como também em alguns programas de TV, como o de Regina Casé, onde era presença marcante. Gualter – é horrível dizer isto, mas é verdade, faz parte das estatísticas dos diagnósticos realizados pelos mapas da violência que revela o alto índice de assassinato de jovens pobres e negros no Brasil. E fica por isto mesmo. Isto a imprensa não fala tão pouco reflete o porquê que isto acontece. A fala do segurança, suposto assassino de Gualter, revela o pensamento bastante comum na sociedade: o envolvimento com drogas que leva a morte destes jovens. É fácil dizer: morreu porque estava envolvido com o tráfico de drogas. Não era o caso de Gualter e de tantos outros jovens brasileiros. E fica por isto mesmo?

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Responses

  1. Reblogged this on Mamapress and commented:
    Como estou no Brasil neste momento, percebo as sutilezas do racismo global de forma mais gritante, chego a pensar que estou paranóico, quando assisto as novelas e vejo a ideologogia racista da eliminação do ego negro até no último fio de cabelos. Big Brother, pretinhos otários, negros “fora do lugar” e coisa e tal, chego a parecer chato quando comento para meus parentes que já estão acostumados a tanta vilipendiação do ser humano em doses maciças e globais todos os dias. Bom saber que tem gente por aqui que também vê as coisas que percebo. Aí vai um blog, que apesar de ainda não ter matado a cobra, pelo menos mostra o pau. MR


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