Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 18/11/2011

Dodô, vítima de Bolívar, o Márcio Nunes de 2011

O jovem e talentoso Dodô, 19 anos, lateral esquerdo do Bahia, foi vítima de uma jogada violentíssima, “criminosa”, para usar um clichê do futebol, do zagueiro Bolívar, do Internacional.

Dodô pode ter a carreira comprometida. Mesmo com todo o avanço da medicina, o joelho é a parte mais complexa do corpo humano, no aspecto ortopédico. Para atletas profissionais de futebol, é uma “peça” fundamental que não pode estar 80 ou 90% saudável. Ou está bem ou não se pode jogar.

“Quando o doutor me ligou e falou da contusão, foi como se tivesse tirado meu chão. O máximo que eu fiquei sem jogar foi um mês, por uma contusão que tive no quadril”.

“Passa um filme na cabeça. Saí de casa com 11 anos para morar em Belo Horizonte, quando fui jogar pelo Cruzeiro e deixei tudo para trás pelo sonho de jogar futebol. A partir do momento que você recebe a notícia que não vai poder jogar por seis meses é muito difícil”.

Dodô, em entrevista no dia seguinte ao jogo.

A grande mídia dá pouco destaque ao tema. Claro. É um desconhecido jogador de um time do Nordeste.

E se fosse Neymar a vítima?

*****

Márcio Nunes, para os infantes, foi o zagueiro do Bangu que tirou Zico da Copa de 86*, com uma entrada desleal que quase aposentou o Galinho do futebol.

Foi uma das jogadas mais violentas que a televisão registrou na história do futebol. A cena, vista hoje, é de assustar. Confira o vídeo:

Márcio Nunes lesiona Zico

Com essa entrada, Zico fiCou seis meses sem jogar porque teve os dois joelhos lesionados, com ruptura de ligamentos e lesões que comprometeram seriamente a carreira do maior jogador brasileiro depois de Pelé.

Anteontem, quarta-feira, 16 de novembro de 2011, numa era em que a violência como tática não é mais aceita no futebol, embora ainda há quem persista nessa opção, o zagueiro Bolívar, do Internacional, acertou em cheio o joelho esquerdo do jovem Dodô, do Bahia.

Bolívar acerta Dodô

Bolívar tem 31 anos e foi “campeão de tudo” pelo Colorado. Experiente, não é considerado um jogador violento, embora no futebol gaúcho o referencial de “jogo duro” seja bem diferente do resto do Brasil.

Nesta jogada em particular, entretanto, Bolívar reviveu Márcio Nunes e, mais do que ter sido desleal com um companheiro de profissão, talvez tenha comprometido a carreira de uma “jóia bruta” de 19 anos que foi um dos melhores jogadores da sua posição no Brasileirão 2011.

Com o avanço da medicina, espero e torço de coração para que isso não aconteça e Dodô retorne pleno após a recuperação e logo alcance um merecido lugar de destaque no futebol, pelo que jogou em 2011.

A jogada é o tipo de lance que se supunha estar em vias de extinção no futebol profissional, mas Bolívar atesta o conceito da dialética da violência.

Isso porque o mais revoltante do episódio é a falta de humildade (ou de senso de noção) do atleta (?) do Internacional ao não assumir que teve uma atitude violenta e ainda dizer que Dodô foi “afoito” no lance. É como o atirador com a arma ainda fumegante dizendo que a culpa é do sujeito que se meteu na frente da bala.

O quase adolescente Dodô, ao contrário, teve grandeza de gente grande ao dizer que não guarda mágoa do seu carrasco. Quiça sirva de lição ao “General Bolívar”.

Em 1985, o jovem lateral do Bahia não havia sequer nascido ainda.

Pois saiba, Dodô, que o seu carrasco Bolívar é o Márcio Nunes de 2011.

Força, Dodô!

A entrada desleal de Bolívar em Dodô

O resultado: Dodô de muletas

*Esqueci de colocar essa observação e o amigo Zé Guerra me alertou. Arthur Antunes Coimbra jogou a Copa de 1986 no México. O Zico ficou no Brasil Aquele camisa 10 que entrava sempre no segundo tempo das partidas do Brasil, inseguro, fora de ritmo, o que o levou a perder um penalti contra a França, não era Zico. Era a sombra dele, se muito. Culpa de Márcio Nunes.

– Quando o doutor me ligou e falou da contusão, foi como se tivesse tirado meu chão. O máximo que eu fiquei sem jogar foi um mês, por uma contusão que tive no quadril – disse Dodô, que está emprestado ao Bahia pelo Corinthians.

– Passa um filme na cabeça. Saí de casa com 11 anos para morar em Belo Horizonte, quando fui jogar pelo Cruzeiro e deixei tudo para trás pelo sonho de jogar futebol. A partir do momento que você recebe a notícia que não vai poder jogar por seis meses é muito difícil –
Leia mais no LANCENET! http://www.lancenet.com.br/minuto/Perdi-Dodo-lesionado-jogo-perigoso_0_593340816.html#ixzz1e70hoeSR
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Responses

  1. Se ai na bahia futebol não tem entrada assim, que acontece em casos raros aqui no sul onde existe civilização, não temos culpa de serem um monte de marica que tem medo de um jogador em outro futebol duro ou mole vocês nem sabem o que é para quem vem da quarta divisão, então por favor lavem a boca antes de falar do futebol gaúcho…

    • Trogloditas racistas também têm direito a existir.

    • anonimo tenho certeza que vc não é gaucho, pois conheço pessoas civilizadas dai aonde vc mora e que se envergonham de ter na sua cidade um completo idiota e imbécil….

    • Engraçado que a região, diga-se o estado que tem fama conhecida em todo o país de afeminados faz parte da região sul, não sei se voce é desse estado, mas…
      So um detalhe, nada contra pessoas desse estado, pois tenho grandes amigos de lá.
      Ve se cresce projeto de macho…

  2. O idiota aí em cima teve medo até de dizer seu nome, realmente esconda-se com o pseudo anonimo, pois você além de imbecil é um complexado. O time de quarta divisão foi campeão do Brasileiro em cima de sua criminosa equipe. Futebol é arte e isto que seu homem valete chamado general Bolivar faz é crime e devia ser preso juntamente com você pela fraca cabeça de racista imbecil.

  3. O comentário preconceituoso e anônimo foi aprovado apenas para ilustrar um pensamento abjeto que, embora cada vez mais acuado, ainda resiste em se fazer presente. Comentários com piadas homofóbicas ou outro tipo de preconceito contra os gaúchos não serão aprovados.

  4. Caro senhor Rogério, a princípio não se deveria em hipótese alguma aceitar comentários grotescos e idiota, como o do do sr. anonimo. Acreditamos serem ríspidos e intoleráveis qualquer tipo de preconceito, não somente a homofobia.
    A colocação “no sul onde existe civilização” é de muito maior enfoque.
    Portando o preconceito contra nordetinos (baianos) não devem ser aceitos também em hipotese alguma.
    Obrigado.

    • Prezado Adilson, eu sou militante de direitos humanos há mais de 10 anos e uma das coisas que mais abomino, repudio e combato são os preconceitos de qualquer espécie. Como nordestino de várias origens (nascido no Ceará, criado no Maranhão e filho de baiano), repudio com muita veemência os preconceitos contra os nordestinos. O comentário anônimo foi aprovado apenas para demonstrar que os maiores preconceituosos são covardes e ignorantes que se escondem atrás do anonimato para expressarem suas ideias abjetas. Deixei isso claro ao responder ao comentário. Espero que você entenda agora.

  5. Concordo com praticamente tudo que foi escrito, menos que o Zico foi o segundo maior jogador brasileiro.
    Uma pessoa que diz isso só pode ser flamenguista. O Zico não é nem top 5, apesar de ter sido um grande jogador.

    • Não, Leandro. Longe de ser flameguista, sou Fluminense e Ceará. Mas acho que o Zico foi muito subvalorizado e injustiçado, assim como Rivaldo, que também não teve o devido reconhecimento aqui no Brasil.

  6. Racismo, regionalismo e sem outros “ismos¨, se isso não foi penalty, penalty o que será? Sr. Paulo Sergio de Oliveira, pegue seu paletó e adeus.

  7. Muito bom, Rogério, muito bom.
    Se fosse o Neymar a mídia hoje não teria outro assunto que não este, com toda aquela carga emocional. Comoção nacional. Cobrariam da CBF uma suspensão para o Bolívar, com tempo equivalente a cura da lesão do Neymar. Fariam da data um marco para combater a violência no futebol.

  8. E o juiz nao deu pênalti!!! Deu só “jogo perigoso” e cartão amarelo para o crime do Bolívar! Lamentável. Pior é que a maioria dos jogadores só está preocupada no lance com o que o árbitro vai decidir, em lugar de se preocupar com a situação do companheiro de profissão, no chão.

    O juiz e o Bolívar tinham de ser punidos. Até porque o Dodô vai pagar um preço bem mais alto do que eles dois poderão pagar…

    E o tal anônimo, de seu ridículo comentário? Podia se apresentar, não?


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