Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 12/11/2011

Poesia dos Dia (18) – João Cabral de Melo Neto em português e espanhol

Uma das tantas coisas legais que fiz na viagem ao Uruguai e à Argentina em julho foi visitar a livraria El Ateneo, que funciona num antigo teatro de Buenos Aires.

O lugar é lindíssimo. E a diversidade de obras, enorme.

Adquiri a coletânea “Más que carnaval – antología de poetas brasileños contemporáneos”, publicada no México, com os poemas em português e espanhol.

Ótima forma de aprender a língua de Cervantes, Benedetti e Cortázar

E é dela que retiro o poema abaixo, do grande pernambucano João Cabral de Melo Neto.

Adequado para um fim de semana que sobreviveu ao 11/11/11.

*****

O fim do mundo

No fim de um mundo melancólico os homens lêem jornais.
Homens indiferentes a comer laranjas que ardem como o sol.

Me deram uma maça para lembrar a morte.
Sei que cidades telegrafam pedindo querosene.
O véu que olhei voar caiu no deserto.

O poema final ninguém escreverá desse mundo particular de doze horas.
Em vez de juízo final a mim me preocupa o sonho final.

*****

El fin del mundo

En el fin de um mundo melancólico los hombres leen periódicos.
Hombres indiferentes que comen naranjas que arden como el sol.

Me dieran una manzana para que recordara la muerte.
Sé que hay ciudads que telegrafián pidiendo kerosén.
El velo que vi volar cayó en el desierto.

El poema final nadie lo escribirá de ese mundo particular de doce horas.
En vez del juicio final a mí me preocupa el sueño final.

*****

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