Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 07/10/2011

Resposta ao abutre da Veja que atacou SPM por se sentir ameaçado

Augusto Nunes (arrrghhh, tenho náuseas só de escrever esse nome) é uma espécie de Reinaldo Azevedo light, que xinga menos. O caráter reacionárip -e embora pretensamente liberal – é o mesmo e as ideias são praticamente as mesmas. O objetivo maior coincide: atacar o PT, os movimentos sociais e tudo que venha da esquerda.

Por conta do questionamento da Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM) à propaganda ultramachista da Hope com a modelo Gisele Bündchen, o calunista da Veja disparou sua metralhadora contra o órgão e, especialmente, contra a ministra Iriny Lopes, histórica militante de direitos humanos. O ataque pode ser lido aqui. Recomenda-se estômago forte.

Iriny Lopes: atacada pelo Reinaldo Azevedo light da Veja

O texto de Augusto Nunes é apenas o reflexo de quem se sente ameaçado. Ou melhor, de quem vê ameaçada uma cultura e um pensamento que não têm mais lugar no estágio atual da sociedade brasileira. Pensamento e cultura, vale dizer, que causam muitas mortes e não apenas piadas sem graça.

Abaixo segue artigo de Renata Rossi, militante feminista e dirigente do PT, escancarando a hipocrisia que domina a quase totalidade dos calunistas da “grande mídia”.

*****

http://www.pt.org.br/index.php?/noticias/view/artigo_os_jornalistas_e_a_liberdade_de_imprensa_por_renata_rossi

Os jornalistas e a liberdade de imprensa

Renata Rossi*

Nos últimos tempos temos ouvido vozes muito suspeitas se levantarem em defesa da liberdade de imprensa. Não falta satanás pregando quaresma toda vez que o assunto é a liberdade de imprensa. Ninguém em sã consciência, mesmo aqueles que fizeram coro com os militares usurpadores do poder, ousaria atacar essa cláusula pétrea de qualquer democracia que se respeite. Mesmo assim, tolera-se a hipocrisia em muitos discursos inflamados. Difícil de tolerar é quando um jornalista ataca a liberdade de imprensa servindo-se dessa mesma liberdade para fazer proselitismo político. Foi o que fez o jornalista Augusto Nunes na semana passada, quando produziu uma pérola em se tratando de mau uso da liberdade conquistada a duríssimas penas.

O oportunismo da matéria publicada no blog de Nunes, abrigado no site da revista Veja, resolve apontar as ações que a SPM deveria desenvolver em relação a exploração sexual de menores em ambiente carcerário. Oportunismo porque a grande imprensa em geral fecha os olhos para questões como estas que revelam as atrocidades cometidas contra mulheres todos os dias, em todos os lugares desse país

Dados da Central de atendimento a Mulher – Ligue 180, coordenado pela competente Ouvidora Ana Paula Schwelm mostram que, desde a criação do serviço, em abril de 2006,  até junho deste ano, foram contabilizados 1.952.001 atendimentos. Desses, 237.271 são relatos de violência sendo que 141.838 correspondem à violência física; 62.326, à violência psicológica; 23.456 à violência moral; 3.780, à violência patrimonial; 4.686, à violência sexual; 1021, ao cárcere privado; e 164, ao tráfico
de mulheres.

Os dados estão a uns poucos cliques de Augusto Nunes e de qualquer pessoa, jornalista ou não. O ponto é que os jornalistas têm a obrigação de diferenciarem-se dos não jornalistas pelo bom trato da notícia e pela apuração rigorosa das informações. Além de oportunista, a matéria é irresponsável ao afirmar que a SPM é “uma inutilizada mantida por Dilma Rouseff”. Ora, sabemos que a máquina do Estado brasileiro ainda luta para se desvencilhar da hegemonia política que não reconhece a importância da transversalidade das políticas para as mulheres, embora o Presidente Lula tenha criado a SPM ainda em 2003. Foi um passo fundamental nesse sentido, mas o pensamento anacrônico e machista de “formadores de opinião” como o blogueiro da Veja provam
que ainda é pouco. Essa realidade, portanto, não justifica considerar este avanço institucional como inútil.

Ao contrário, é preciso reforçá-la como instrumento de formulação de políticas que atendam a nada menos que mais da metade da população brasileira, formada por mulheres.

Por fim, causa indignação a tentativa de creditar diferenças entre a ministra Iriny Lopes e Gisele Bundchen por seus atributos físicos. No caso em análise, o blogueiro reincide no expediente machista que reforça o estereótipo equivocado da mulher como objeto sexual, como afirma a ministra. Ela acertou ao recorrer ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Públicitária, o Conar.

É preciso combater a exploração sexual de jovens, sim. Mas é preciso também enfrentar a violência doméstica, a violência psicológica, o tráfico de mulheres, o cárcere privado, a violência sexual, a violência patrimonial, o sexismo, e o aviltamento da condição da mulher como sujeita plena de direitos.

Por fim, o registro de um pesar muito franco ao ver a liberdade de imprensa servir à perpetuação de preconceitos e brincadeiras de profundo mau gosto e pouca graça, como a velha história dos dois neurônios. Incomoda aos machistas a idéia de ver uma mulher competente e de pulso forte governar o Brasil. O blogueiro expõe-se ao ridículo ao afirmar que a presidenta Dilma não sabe lidar com mais de um assunto por vez.

Decididamente, nem o mais ferrenho adversário diria bobagem tamanha. Se há escassez de capacidade intelectual, certamente o problema não está no Palácio do Planalto, mas textos como este de Augusto Nunes sugerem que a escassez afeta algumas grandes redações. A falta de vontade de informar corretamente, mais que a falta de inteligência, é uma ameaça à liberdade de imprensa.

*Renata Rossi é integrante da direção nacional do PT


Responses

  1. […] more: Resposta ao abutre da Veja que atacou SPM por se sentir … Tweet This Post Plurk This Post Buzz This Post Delicious Digg This Post Facebook MySpace […]

  2. Fazer troça com comparações sobre beleza de uma e de outra para explicar o porquê de ter sido tomada alguma ação é uma forçação de barra típica de Augusto Nunes. Cumpre lembrar que este camarada tem tirado o resto de brilho do programa Roda Viva. O camarada é muito ruim.

    Por aí percebemos a razão pela qual a Veja depende do Governo de São Paulo para sobreviver. Se uma empresa privada fosse, teria ido à falência.

  3. […] Augusto Nunes, “o abutre da Veja” var cid= 4645; Tweet (function() { var s = document.createElement('SCRIPT'), s1 = document.getElementsByTagName('SCRIPT')[0]; s.type = 'text/javascript'; s.async = true; s.src = 'http://widgets.digg.com/buttons.js'; s1.parentNode.insertBefore(s, s1); })(); 0 comments Por Rogério Tomaz Jr., no blog Conexão Brasília-Maranhão: […]

  4. o Augusto Nunes faliu o Roda Viva…

    • Pois foi… e ele continua a recortar comentários alheios em seu blog. Que mal lhe pergunte: reacionários como ele tem pouca ou muita identidade com ditadores?

  5. Trata-se de um rematado canalha.

  6. Criar delegacias e secretarias é importante, mas sem educar HOMENS e MULHERES nada muda. Afinal, em muitos casos, as próprias mulheres são machistas porque assim foram educadas. Só podemos mudar a situação da mulher com a educação dos gêneros. Leiam este texto abaixo.

    Bündchen também discrimina os homens

    FAUSTO RODRIGUES DE LIMA

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    Para a campanha referida, o marido ideal precisa ser o provedor; caso contrário, não pode ter uma mulher linda e disponível para o sexo

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    Para gastar todo o dinheiro do marido e conseguir sua compreensão, a mulher brasileira precisa lhe conceder sexo. O ensinamento de uma campanha da lingerie Hope, protagonizada por Gisele Bündchen, causou justa indignação a ponto de a Secretaria de Políticas para as Mulheres pedir sua suspensão.
    Essa e outras manifestações sexistas escamoteiam faceta pouca explorada: o homem também é discriminado. Ora, para a campanha referida, o marido ideal precisa ser o provedor; caso contrário, não pode ter uma mulher linda e disponível para o sexo. Como um cão no cio, necessita de sexo a todo momento e a todo custo. Não deve se importar com a satisfação da parceira; basta que ela finja prazer.
    Se analisarmos comerciais dirigidos aos homens, veremos que, nessas peças, eles são tratados como crianças abobalhadas. Os de cerveja os perfilam como tipos pouco inteligentes, fazendo (e rindo de) piadas idiotas, e com um só objetivo na vida: sexo. Um recente comercial da Volkswagen mostra um pai com vergonha do filho pois o menino, além de não surfar ou tocar guitarra, ainda não “pegou” uma garota.
    Como todo projeto de dominação e preconceito, a discriminação de gênero, embora baseada numa suposta inferioridade feminina, atinge a todos, porque cria regras “naturais” para o comportamento dessa ou daquela pessoa, baseando-se apenas em seu sexo. Adeus, individualidade e diversidade.
    No mundo que se convencionou chamar masculino, não há lugar para poesia, para emoções. Sensibilidade é uma capacidade indesejável, ligada a tudo o que é considerado inferior, ou seja, ao feminino.
    A educação dirigida aos meninos é completamente diferenciada. Bonecas são brinquedos educativos para as futuras mamães, mas causam horror se manipuladas por meninos. O “instinto materno” é aprendido desde a infância, mas não se ensina o paterno (não à toa, se considera tão natural as mulheres ficarem com os filhos numa separação).
    Homem não chora, é autossuficiente, não demonstra fragilidade e não leva desaforo pra casa. Se ele se irrita, agride pessoas, deve ser compreendido, porque, afinal, é apenas um… homem, infantilizado pela família e pela sociedade. Enquanto mulheres dividem com outras medos e frustrações, o homem se fecha. Do ambiente familiar, repleto de emocionalidades, resta a ele fugir. O bar e o álcool são o refúgio viril que a sociedade lhe dá.
    É preciso rever certos conceitos. Isso passa pelos meios de comunicação de massa, que reforçam estereótipos e criam outros, à guisa de fazer “piadas inocentes”.
    Nós, homens do século 21, somos seres pensantes. Não queremos prover ninguém, almejamos unir esforços. Se por acaso nossa renda for insuficiente ou nula, que nos respeitem. Gostamos, sim, de sexo, mas não pensamos nisso 24 horas por dia. Nos interessa o futebol mas também o balé, a música, a arte, a poesia. E choramos, sim.
    Por isso, pedimos ao Conar que suspenda a propaganda da Hope e outras ridículas, não só por ofenderem nossas mães, filhas e esposas, mas por nos agredirem profundamente enquanto homens.

    FAUSTO RODRIGUES DE LIMA é promotor de Justiça do Distrito Federal e coautor do livro “Violência Doméstica – A Intervenção Criminal e Multidisciplinar”

    • Valeu o toque, Assis. Já tinha publicado o artigo no dia que saiu na Folha.
      Abrs
      Rogério

  7. Bem. Como eu não tenho o mau/mal (os dois adjetivos são adequados) costume de ler jornais e revistas do PIG, desconhecia essa questão que é de fácil solução: basta não consumir mais os produtos da HOPE.


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