Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 11/08/2011

Mais um crime da Rede Globo

1965: a Rede Globo de Televisão nasce graças a um polpudo acordo financeiro com o grupo estadunidense Time Life, artifício proibido pela Constituição. A maior TV do Brasil já nasceu burlando a lei. E continua assim até hoje.

Na última terça-feira (9), a chamada para o Jornal Nacional, no início da noite, anunciava a prisão de Clarice Coppetti, ex-diretora da Caixa Econômica Federal, por conta de envolvimento com o escândalo do Ministério do Turismo devassado pela Polícia Federal no mesmo dia.

Clarice jamais teve qualquer vínculo ou relação com o Ministério do Turismo, comandado por um laranja do rei El Bigodón del Maragnón.

A mãe de Clarice, senhora idosa, chegou a passar mal enquanto não soube notícias da filha, que recebeu uma enchente de telefonemas de jornalistas abutres ávidos em mordiscar o fígado da vítima saber do seu envolvimento no esquemão do Turismo.

Curioso que isso aconteça poucos dias após as Organizações Globo terem divulgado uma espécie de código de ética ou manual de conduta ou sei lá o quê…

Nada de surprender, entretanto, vindo de um grupo empresarial que pediu, legitimou, apoiou e defendeu a ditadura militar entre 1964 e 1985.

Globo e ditadura militar: a gente viu por aí!

Abaixo a matéria do Felipe Prestes, do excelente portal Sul 21.

10/08/11 | 21:54

http://sul21.com.br/jornal/2011/08/foi-mais-que-um-erro-diz-ex-diretora-da-caixa-que-teve-falsa-prisao-anunciada-na-globo

‘Foi mais que erro’, diz ex-diretora da Caixa ‘presa’ pelo Jornal Nacional

Felipe Prestes

Às 18h10min desta terça-feira (9), Clarice Coppetti estava chegando em casa, após passar a tarde preparando uma palestra, quando recebeu a ligação de um parente desesperado. Ficou sem entender nada quando o familiar quis saber sobre sua prisão, uma vez que se encontrava em plena liberdade.  Minutos mais tarde se inteirou de tudo. Por volta das 17h, uma chamada para o Jornal Nacional, da Rede Globo, anunciara a prisão da ex-vice-presidente de TI da Caixa pela Polícia Federal, que investigava irregularidades no Ministério do Turismo. A esta altura, jornalistas já telefonavam freneticamente, querendo saber sobre seu suposto envolvimento no caso de corrupção.

Leia mais:
– Editorial: A criminalização da política

“Um veículo de comunicação me colocou como ré, me julgou, fazendo o papel do Judiciário, e me prendeu, fazendo o papel do Executivo. Ou seja, assumiu as funções do Estado brasileiro sem sequer procurar se informar sobre quem eu era, se eu tinha algo a ver com o Ministério do Turismo”, desabafa Coppetti, gaúcha de Ijuí, em entrevista ao Sul21.

Após assistir uma gravação da chamada, a ex-diretora da Caixa ligou para diversas instituições do governo e para a Rede Globo, tentando saber de onde partia a informação. Conversou com editores do Jornal Nacional e, segundo conta, nem eles souberam explicar como haviam anunciado a falsa prisão. “Disseram que foi um erro gravíssimo e que não sabiam a origem. Disse a eles que não queria apenas o esclarecimento do fato no jornal, mas uma retratação”, afirma.

O pedido foi atendido. Durante o JN, a Rede Globo pediu desculpas a Coppetti. Entretanto, ninguém explicou ainda como a informação errada chegou até os editores do jornal. “Até agora não tem nenhum explicação sobre como meu nome apareceu lá”, diz Clarice, que ainda analisa uma eventual medida judicial contra a emissora.

A ex-diretora da Caixa lembra que a Rede Globo anunciou nesta semana um código de ética. “Foi muito mais do que um erro, uma coisa gravíssima para uma instituição que acaba de lançar seu código de ética e de conduta de seus profissionais. A primeira coisa que qualquer veículo de comunicação tem que fazer é contatar o outro lado. Eu fui avisada por meus familiares”, reclama Clarice. “A gravidade é um veículo que tem à sua disposição tecnologia, pessoas, não ter feito esta checagem. A sensação que eu fiquei foi que eles queriam dar essa notícia”. Ela afirma que ainda não sabe se vai tomar alguma medida judicial contra a emissora, porque ainda está analisando o que, de fato, ocorreu.

Correção: originalmente, a matéria informava que a ex-diretora da Caixa ainda estava em seu período de quarententa, mas a informação correta é que o período já se encerrou.

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Responses

  1. O Jornal Nacional, num ato quase inédito, se desculpou (ao vivo, com uma nota lida pela Fátima Bernardes) pelo que chamou de erro grave.
    Agora, mais grave é a farra no Turismo. Essa tal necessidade de governabilidade com a junção PT e PMDB é tão suja quanto a Globo ou a Record (de onde vem o dinheiro da Record?). Santo??? Se existe, não conheço.

    • Assis, concordo com tudo que você diz e o pedido de desculpas está no post. Assumir o que chamaram eufemisticamente de “erro grave”, porém, está longe de reparar o absurdo fato – que chamo de crime, de natureza política, pois a emissora explorou politicamente o fato e por isso cometeu o abuso – de anunciar a prisão de uma pessoa que poderia ser encontrada com um único telefonema. Santos? Só o time de futebol.


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