Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 03/08/2011

Manuela D’Ávila, fã de Eduardo Galeano

Manuela D’Ávila é reconhecida pela sua energia intensa e inteligência arguta a serviço da política – e também conhecida pela sua beleza e jovialidade.

O que poucos sabem é que a deputada federal pelo PCdoB gaúcho é fã do escritor e jornalista uruguaio Eduardo Galeano.

Mulheres é um dos livros que mais me influenciaram”, contou, referindo-se à coletânea de textos de Galeano sobre o tema-título.

O tamanho do livro (sempre pulicado em edição de bolso pela L&PM) é inversamente proporcional à sua qualidade e à intensidade das narrativas, sempre no estilo mesclado de poesia, crônica, jornalismo e história que marca o autor e fascina seus leitores.

A obra aborda o mundo feminimo basicamente em duas dimensões, digamos assim, que se cruzam e dialogam entre si.

A dimensão da ação política, na qual são retratadas várias personagens históricas e figuras anônimas que participaram ou contribuíram para a erupção de fatos políticos relevantes.

E a dimensão afetiva, na qual Galeano partilha/conta histórias de amor, paixão e todos esses sentimentos e episódios tão marcantes, comuns e importantes para a vida quanto o brilho do sol.

Já dei “Mulheres” como presente de aniversário à amiga jornalista Gabriela Guedes e muitos outros a amigos e amigas com quem dividi as alegrias e as tristezas cotidianas da vida.

Hoje pude entregar a Manuela D’Ávila um exemplar com dedicatória especial do autor, sobre o qual estou escrevendo um livro-reportagem que se arrasta há alguns anos, mas já começa a ganhar corpo e me faz visualizar suas páginas sendo rodadas na impressora industrial.

Deixo uns goles do livro para quem não o conhece.

Manuela D'Ávila com "Mulheres", de Eduardo Galeano (Foto: Rogério Tomaz Jr.)

Manuela Sáenz

Nasceu Quito entre vulcões, alta, distante do mar; e entre a catedral e o palácio, na Praça Maior, nasceu Manuela. Chegou a Quito em leito de cetim, sobre lençóis de Bruxelas, filha de amores secretos de don Simón Sáenz, o matador de criollos que aqui se tinham sublevado.

Aos quinze anos, Manuela vestia roupa de homem, fumava e domava cavalos. Não montava de lado, como as senhoras, e sim de pernas abertas e desprezando as selas. Sua melhor amiga era sua escrava negra, Jonatás, que miava feito gato, cantava feito pássaro e caminhava ondulando que nem serpente. Manuela tinha dezesseis anos quando a trancaram num dos muitos conventos dessa cidade rezadora e pecadora, onde os frades ajudam as monjas velhas a morrer melhor e as monjas jovens a viver melhor. No convento de Santa Catarina, Manuela aprendeu a bordar, a tocar clavicórdio, a fingir virtudes e a desmaiar virando os olhos. Aos dezessete anos, louca pelos uniformes, fugiu com Fausto D’Elhuyar, oficial do rei.

Aos vinte, cintila. Todos os homens querem ser a ostra dessa pérola. Acaba casando com James Thorne, respeitável médico inglês.

A festa dura uma semana inteira.

PS: Este é apenas um dos inúmeros textos sobre Manuela Sáenz – libertadora da Colômbia e companheira do libertador de vários países, Simon Bolívar – no “Mulheres”.

*****

A autoridade

Em épocas remotas, as mulheres se sentavam na proa das canoas e os homens na popa. As mulheres caçavam e pescavam. Elas saíam das aldeias e voltavam quando podiam ou queriam. Os homens montavam as choças, preparavam a comida, mantinham acesas as fogueiras contra o frio, cuidavam dos filhos e curtiam as peles de abrigo.

Assim era a vida entre os índios onas e os yaganes, na Terra do Fogo, até que um dia os homens mataram todas as mulheres e puseram as máscaras que as mulheres tinham inventado para aterrorizá-los.

Somente as meninas recém-nascidas se salvaram do extermínio. Enquanto elas cresciam, os assassinos lhes diziam e repetiam que servir aos homens era seu destino. Elas acreditaram. Também acreditaram suas filhas e as filhas de suas filhas.

*****

Cinco mulheres

– O inimigo principal qual é? A ditadura militar? A burguesia boliviana? O Imperialismo? Não, companheiros. Eu quero dizer só isso: nosso inimigo principal é o medo. Temos medo por dentro.

Só isso disse Domitila na mina de estanho de Catavo e então veio para La Paz, a capital da Bolívia, com outras quatro mulheres e uma vintena de filhos. No Natal começaram a greve de fome. Ninguém acreditou nelas. Vários acharam que esta piada era boa:

– Quer dizer que cinco mulheres vão derrubar a ditadura?

O sacerdote Luis Espinal é o primeiro a se somar. Num minuto já são mil e quinhentos os que passam fome na Bolívia inteira, de propósito. As cinco mulheres, acostumadas à fome desde que nasceram, chamam a água de franco ou peru, de costeleta o sal, e o riso as alimenta.

Multiplicam-se enquanto isso os grevistas de fome, três mil, dez mil, até que são incontáveis os bolivianos que deixam de comer e deixam de trabalhar e vinte e três dias depois do começo da greve de fome o povo se rebela e invade as ruas e já não há como parar isso.

Em 1978, as cinco mulheres derrubam a ditadura militar.

PS: A história de Domitila Barrios de Chungara é contada num dos livros mais fortes que já li na vida: “Se me deixam falar”, um relato da próprio Domitila escrito por Moema Vizzer. Mais sobre esse livro está aqui.

Anúncios

Responses

  1. Curiosidade sobre “Mulheres” e eu:
    Este livro foi deixado/esquecido em um dos comitês de campanha da nossa presidenta. Durante a transição o encontrei perdido em meio a cartilhas e folders de campanha empilhados em uma das salas do CCBB. Perguntei de quem era, ninguém soube responder e fiquei com ele. rs Depois de ganhar o “Livro dos Abraços”, não resisti quando vi “Mulheres” ali, dando sopa, rs.

    • Que maravilha de sorte, hein?! rs

  2. Parte 1-2- Mas como a política é uma caixinha de surpresas, abre-se uma nova esperança para São Paulo, com sustância e qualidade em um nova aliança do PT com o apoio de lideranças dignas de admiração e respeito de todos nós. Como Rabelo, Manuela Dávila e Tarso Genro se aliando à Lula.
    Sendo Manuela Dávila é projeto do futuro do Brasil, suas disputas em Porto Alegre fazem parte de uma preparação natural de quem vem assumir responsabilidades a nível nacional o mais breve que a sua idade permita.
    vou deixar um comentário feito sobre o apoio do PC do B ao PT de São Paulo, mudando-o para os personagens certos, para que o leitor tenha noção do que estou falando:
    Parte 3: Agora sim eu posso dizer com segurança e certeza:
    “O Galo Cantou Canto Certo”
    E só agora fui saber que o certo deste canto era; para São Paulo
    caminhar de mãos dadas com Manuela Dávia, Renato Rabelo, Haddad, Tarso Genro, PC do B e PT.
    A falta de preconceito e farsas, apoiou Hadadd, e se chama Renato Rabelo. Botando a prova todos os seus anos de luta pelo bem do Brasil. Ao lado da maior liderança política jovem que surgiu nos últimos anos no país, Manuela Dávila, com certeza em carreira breve e mulher já na idade exigida, possivelmente ven ser nossa presidenta da República.
    Parte 4: Porto Alegre ao elege-la, Manuela Dávila, prefeita, dará-lhe a oportunidade de mostrar aos brasileiros toda a sua capacidade de governar, inclusive a nação na hora certa politicamente.
    E o que um dia em vários Blogs foi comentado por mim exageradamente emocionado para a aliança Haddad e Erundina, descubro que foi puro engano, do que entendi sobre “O Canto Certo que O Galo Cantou”.
    Então repito tudo o de bom que descrevi, substituindo os personagens errados pelos certos, obedecendo ao canto do galo.
    “O Galo Cantou Canto Certo”
    São Paulo forma a mais genial e eclética aliança política que sequer o maior dos gênios do marketing político poderia imaginar.
    Parte 5 : O que naturalmente levará à vitoria da disputa eleitoral mais cobiçada do país, a prefeitura de São Paulo. São tantos acertos políticos, da prefeitura de São Paulo à Prefeitura de Porto Alegre, governo federal, à até a Presidente Dilma. De onde naturalmente gerará maior aproximação, melhor administração e mais projetos para os estados de São Paulo e Rio Grande do Sul. Agora sim, é de se admirar e repetir para acreditar, estratégia política racionalmente inimaginável, um golpe de sorte, dar a vitória da disputa pela prefeitura de São Paulo, mudando todo o quadro político nacional.
    Como se projeto planejado em universidades como Federal de Juiz de Fora, UFRJ ou UFRS, mas por político conhecedor de nossas mazelas. P.S. Dividido em partes. Como se fosse uma tese de doutorado, PHD, com o título, “Passo a passo para mudar a política brasileira de mãos para sempre” ou “Os novos rumos do Brasil” ou mais brilhante ainda;
    Parte 6: “Brasil acordado em solo esplendido”, ousando um pouco mais, “Brasil acordado em solo esplendido com Manuela Dávila futura presidente”.
    Como para o PT no início das negociações para a campanha eleitoral de São Paulo perder o apoio de Kassab foi considerado uma derrota fatal. A surpresa da chegada da surpreendente Manuela Dávila (PC do B, do gigante Renato Rabelo (PC do B) e do próprio PC do B na aliança com Haddad foi sensacional.
    E ainda como a cereja do bolo ganharam o apoio do cobiçado, e também ápto líder à assumir a presidência do Brasil, Tarso Genro, como padrinho e costurador político de uma aliança PT PC do B para Porto Alegre.
    Paro por aqui, porque sobre este tema há muito o que conjecturar. Em outra oportunidade volto à ele com prazer, e haverá, um tanto bom. E diferentemente da primeira vez, verdadeiro, verdadeiramente compromissada a coligação aqui anunciada.
    José da Mota.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Categorias

%d blogueiros gostam disto: