Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 03/06/2011

Um tiro no coração do ceticismo

Reproduzo abaixo as ELEVADAS palavras e imagens do Impedimento (blog que tem alguns dos melhores textos sobre futebol na internet brasileira) sobre a heróica classificação do Peñarol para a final da Libertadores da América, eliminando os argentinos do Vélez Sarsfield.

A primeira foto pode ser premonitória. Ao fundo, um jogador de branco despenca para a eternidade dos quase-vencedores. O próximo time a enfrentar o Peñarol também veste branco.

Nesta final, serei carbonero e torcerei pelo Peñarol, pela redenção do futebol charrúa. “O Santos é o Brasil na Libertadores” é para adeptos do Galvão Bueno e suas estultices pseudonacionalistas.

Vamos, vamos Peñarol!

PS: Sempre vale a pena ler e se deleitar com os comentários no Impedimento.

PS2: O vídeo da partida de ontem segue ao final do post.

Um tiro no coração do ceticismo

http://impedimento.wordpress.com/2011/06/03/um-tiro-no-coracao-do-ceticismo/#comment-156416

03/06/2011

Continuávamos todos cheios de certeza, quando aqueles cabeludos de camisas brancas, com detalhes vermelhos, e calções azuis desfilavam chuveirinhos para a área adversária e se atiravam como cavalos pra cima da bola. “Não vão longe”. E não iam. No ano passado, nem a comoção da camisa celeste nos convenceu totalmente. “Ganharam dos asiáticos e dos africanos, perderam para os europeus”. Mas nosso ceticismo, justificado pelos tempos do futebol-negócio, combinado com a derrocada econômica da “Suíça da América”, já começava a cambalear. O apito final de Enrique Osses em Liniers foi um tiro no peito de nosso ceticismo.

E quis o destino que o escolhido para fazer com que o futebol uruguaio retomasse de vez o protagonismo perdido, fosse o que melhor representava a agonia charrua das últimas duas décadas. O Peñarol, que carregava nas costas o peso de cinco copas, via o rival e até equipes menores do Uruguai, como o Defensor, VILIPENDIAREM sua posição. Os carboneros andavam como aristocratas empobrecidos, ostentando glórias passadas, olhando por uma fresta a comemoração brega de uma patuleia que não sabe se comportar. Mas, como até o torcedor colorado nos anos 90, eles tinham certeza, aquela certeza que só o torcedor tem, de que o Campeón del Siglo disputaria a final da Copa pela décima vez.

Eu falei em destino no início do parágrafo anterior. Eu que sou ateu até a raiz do cabelo, sem essa frescura de dizer “sou agnóstico”. Mas agora eu sinto que devo falar em destino, porque este jogo que assistimos na noite passada foi todo ele para destruir um ceticismo construído durante vários anos, na adolescência rebelde. O Peñarol se agigantando fora de casa com o gol de Mier. O Velez empatando no finalzinho do primeiro tempo, só para dar um gostinho do porvir. A canelada de Olivera, seguida pelo gol do Velez, um minuto depois. Em seguida, a expulsão de Ortiz. A glória e o fracasso de Santiago Silva em minutos. Este enredo perfeito, recheado com todos os clichês que queremos ver em uma partida de futebol. Tudo isto reforça a ideia de que havia roteirista maior.

Na minha cabeça, este roteirista é alguém como um destes escritores latino-americanos que já nascem velhos, comunistas e sonhadores incuráveis, varando a madrugada pitando um cigarro atrás do outro e batendo o roteiro da partida na máquina de escrever. A cada trecho genial, ri sozinho pensando na emoção e nas peças que prega nos corações dos leitores. Um jogaço de semi-final de Libertadores, com tudo o que há de melhor no futebol sul-americano, é daquelas obras-primas que provocam incredulidade no próprio criador. Depois de pronto, lê. Relê. Ri sozinho novamente.

A sensação de dever cumprido só é maior quando pensa em tudo o que vem sendo construído há meses. A classificação do Santos, um jovem prodígio com a camisa 11, um time acostumado a jogar bonito que, finalmente, encontrou um comandante capaz de torná-lo competitivo como poderia ser. Um Peñarol que ‘pone todo en la cancha’ e foi provando a cada mata sua capacidade de brigar pelo título, mostrando gradativamente maior qualidade técnica, a ousadia de Martinuccio em campo, e de Diego Aguirre, na casamata. “Peñarol x Santos, de novo, como em 1962? Porque não?” – vinha pensando o roteirista entre um cigarro e outro, desde as oitavas-de-final. Lembrou até da semifinal de 1965, em que o Peñarol vingou a derrota numa melhor de três decidida em Buenos Aires.

Nesta madrugada, terminada a partida, Spencer e Joya bateram à porta do escritor.

– Uma pena que Pelé, Gilmar, Zito, Coutinho e Pepe insistem em assistir este jogo por lá. Estes brasileiros… Até Obdulio diz que vem tomar umas cervejas conosco.

É tudo verdade,
Felipe Prestes

As fotos são do Reuters, à exceção da terceira, que é da EFE

*****

Vélez 2×1 Peñarol – 02/06/2011

Pênalti perdido com narração emocionante em espanhol


Responses

  1. a verdade é que o santos é una mierda. salvo neymar (cai-cai). eduardo é ruim, elano só joga a bola para trás, quando não perde. arouca é bom mas preguiçoso.
    não vi o jogo do penãrol. espero que seja um bom time.
    vi barça e manchester e vi que o futebol ainda existe no mundo. o barcelona não cobra escanteio! eles tocam a bola. tocam. e avançam, e chutam e driblam. e avançam. e driblam. e jogam bonito. e não dão porrada! seis faltas numa decisão da copa: é espetacular.
    aqui galvão bueno reclama do árbitro europeu que “deixa o jogo correr”. não é assim. eles deixam jogar bola. teve porrada no jogo do barça? sim. mas nada comparado a essas touradas do brasil.
    por falar em brasil, o brasil faz mais faltas que a holanda. diz a toupeira do galvão que é “característica do jogador brasileiro”. conversa medíocre. porrada é para jogador medíocre. lúcio não faz falta. aliás, na última copa, eles queriam que lúcio batesse,. porrada!.
    por tudo isso eu não sou santos. e não sei se sou peãrol. não vi o jog não opino. sei que essa libertadores tá muito fraca. se o santos chegou a final é porque a libertadores tá uma merda.


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