Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 11/05/2011

Música do Dia (20): Bob Marley completa 30 anos de eternidade

Em 2010, nesse mesmo 11 de maio, escrevi aqui no blog sobre a eternidade do Rei Bob Marley.

Ao texto do ano passado, que reproduzo abaixo, acrescento apenas duas coisas.

A obra dele é tão vasta e rica em várias dimensões — musical, sociocultural e política — que é imprescindível um longo tempo para perceber e entender toda essa riqueza.

A isso se agrega algo parecido com uma das qualidades dos bons vinhos e das boas bebidas: quanto mais se escuta Bob Marley, melhor e mais saboroso fica esse ato.

Uma música que você não admirava tanto, se apreciada com mente aberta e espírito leve, acaba conquistando o seu coração — que é, afinal, onde tocam as boas músicas.

Foi assim comigo, por exemplo, com a belíssima Concrete Jungle. Sempre achei uma bela canção, mas nada excepcional. Até uns cinco anos atrás, quando ouvi a versão da Céu. A voz, o arranjo e o ritmo diferentes me tocaram de um jeito diferente… e aí parei de verdade para escutar as várias versões do Bob… céus! Que música forte!

E é uma dessas tantas e tão gostosas versões que sugiro como música do dia nessa data especial.

Abaixo seguem mais vídeos e reflexões sobre um dos maiores vultos do século XX.

Bob Marley – Concrete Jungle (Catch a Fire)

*****

A eternidade de Bob Marley: há vinte e nove anos se despedia um dos gênios do século XX

“É melhor atirar-se à luta, mesmo correndo o risco de perder tudo, do que permanecer estático como os pobres de espírito, que não lutam mas que também não vencem. Que não conhecem a dor da derrota, mas que não têm a glória de ressurgir dos escombros. Estes pobres de espírito, no final da jornada na Terra, não agradecerão a Jah por terem vivido, e sim pedirão desculpas por terem simplesmente passado pela vida”.

30 anos de eternidade

Estas palavras de Robert Nesta Marley são a epígrafe (citação que abre um trabalho acadêmico ou livro) da minha monografia na graduação em Jornalismo na UFMA, defendida em agosto de 2003.

Vivendo em São Luís do Maranhão, é absolutamente impossível não sentir as vibrações positivas, em vários aspectos, do reggae na Ilha do Amor.

Apesar disso, o Rei Bob Marley é menos escutado nas festas que embalam as noites ludovicenses do que cultuado nas roupas, atitudes (como as cabeleiras “rasta”) e palavras de quem vive na Jamaica Brasileira.

Assim, ainda que não se faça concreto para os ouvidos o tempo todo, o Rei é onipresente. Está em qualquer lugar onde haja quem curta o reggae.

Partilho essa observação – que comporta divergências, certamente – antes de registrar o que realmente quero escrever porque a importãncia do jamaicano Bob Marley para o mundo transcende bastante a fronteira musical.

Embora fique relegada a segundo plano no senso comum, a vida de Bob Marley possui um significado cultural muito mais amplo do que a música, mesmo quando se considera que ele foi um dos mais geniais – senão “O” mais genial dos – artistas musicais do século XX.

Exatamente há vinte e nove anos, no dia 11 de maio de 1981, Bob Marley deixou os palcos da vida para ocupar seu lugar na eternidade.

Vítima de um câncer que inicialmente relutou em tratar adequadamente, Marley nos deixou no plano físico aos 36 anos, apenas cinco meses após o mundo perder outro gênio musical, John Lennon, assassinado em Nova Iorque.

Ativista político de tendência libertária, há quem diga que ajudou a financiar os Panteras Negras em sua luta contra o racismo nos EUA. Como também há quem aponte uma contradição que seria um suposto vínculo com grupos políticos direitistas na sua terra natal.

É fato, porém, que criticou duramente – tanto em suas canções quanto em entrevistas e aparições públicas – o regime de seu país, o Apartheid na África do Sul, o cenário belicista da Guerra Fria e outros temas candentes na década de 1970.

War

Until the philosophy which hold one race
Superior and another inferior
is finally and permanently discredited and abandoned
Everywhere is war, me say war.
(…)
And until the ignoble and unhappy regimes
that hold our brothers in Angola, in Mozambique,
South Africa sub-human bondage
have been toppled, utterly destroyed
Well, everywhere is war, me say war.

Líderes políticos adversários no "One Love Peace Concert"

Também não há confirmação do próprio, mas diz-se que saiu dos EUA de volta para sua Jamaica, no final dos anos 60, após dois anos morando com a mãe em Wilmington, Delaware, com o objetivo de driblar uma possível convocação para a Guerra do Vietnã.

Exortou os compatriotas a lutarem por seus direitos e chegou a fazer dois líderes de partidos adversários subirem ao palco e apertarem as mãos, no histórico “One Love Peace Concert”, de 1978.

E nunca cansou de compor e cantar contra a opressão sob a qual viviam os negros e demais povos subjugados na África ou em qualquer parte do mundo. Tinha na música a sua arma visível, mas sempre defendeu que a verdadeira força de homens e mulheres estava nas suas mentes. Era preciso, antes de tudo, libertá-las para que a liberdade pudesse ser alcançada – com a luta, em muitos casos – e experimentada plenamente.

Get up, Stand up

Get up, stand up: stand up for your rights!
Get up, stand up: don’t give up the fight!

‘Burnin and Lootin’

This morning I woke up in a curfew;
O God, I was a prisoner, too – yeah!
Could not recognize the faces standing over me;
They were all dressed in uniforms of brutality.

Independentemente de qualquer controvérsia, a mensagem fundamental que Bob Marley espalhou ao redor do mundo continua atualíssima.

Redemption Song

Emancipate yourselves from mental slavery
None but ourselves can free our minds…

Obviamente, a música de Bob Marley não se resume à sua verve política. Era um poeta e filósofo, na acepção mais elevada do termo: pensava e, sobretudo, fazia (e ainda faz) as pessoas pensarem… através da arte.

Abaixo, outras duas das minhas preferidas.

Vale a dica: para converter qualquer vídeo do Youtube em arquivo mp3, use o site:

http://www.video2mp3.net/pt-br/

Concrete Jungle

*****

High Tide or Low Tide

*****

PS: Dedico esse texto à queridíssima Nanda Barreto, que lembrou a data logo cedo.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Categorias

%d blogueiros gostam disto: