Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 07/02/2011

Agnelo Queiroz e a comunicação do século passado

Acredito que Agnelo Queiroz fará o melhor governo da história do Distrito Federal. Torço muito por isso.

Afora esse desejo, o governador do Partido dos Trabalhadores (PT) parece não ter a comunicação entre as suas prioridades.

Pior. Ao que parece, repito, ao que parece, a concepção predominante na cúpula do Governo do Distrito Federal (GDF) para a área é a da tradicional assessoria de imprensa, sinalizada pela nomeação de Samanta Sallum para a Secretaria de Comunicação. “Ela é a cota do esquemão do Correio [Braziliense]”, me disse um experiente jornalista que cobre o Congresso Nacional e conhece muito bem os bastidores da imprensa do DF.

Agnelo Queiroz (Foto: Dinah Feitoza)

A escolha de Samanta contrasta, inclusive, com a campanha de Agnelo. Embora a nova titular da SECOM-DF tenha comandado parte da comunicação da campanha ao Buriti, esta foi marcada pela forte presença nas redes sociais e na Internet em geral, bem como pela intensa participação de militantes e simpatizantes da comunicação popular, em todas as cidades-satélites e regiões administrativas.

Inclusão digital? Democratização da comunicação? Apoio à mídia alternativa e comunitária? O perfil da pessoa definida pelo governador para comandar a pasta ligada a esses temas não é muito animador para quem defende essas bandeiras.

Tomara que eu esteja errado, mas é lamentável que este cenário de desprezo da comunicação como política pública ocorra em pleno século XXI, ainda mais num governo de esquerda e num lugar que poderia ser a vanguarda do Brasil no tema, já que o DF é pequeno em extensão e rico em orçamento, entre várias outras condições positivas (o terreno plano, por exemplo).

É decepcionante constatar que um governo petista, depois de sombrios anos de Roriz, Arruda & caterva, não tenha aprendido que as políticas de comunicação, contemporaneamente, são tão vitais para o desenvolvimento econômico/social/cultural quanto eficazes para fortalecer e capilarizar os vínculos do governo com a população — muito mais do que a comunicação institucional, aliás.

Comunicação enquanto política pública, enquanto meio para promover e garantir direitos, está para democracia como a comunicação institucional pura e simples está para o fisiologismo e patrimonialismo da velha política. É preciso avançar e sepultar esta concepção retrógrada, o que não quer dizer, obviamente, ignorar ou subestimar a dimensão institucional que a comunicação deve ter para qualquer governo. Mas esta dimensão, entretanto, deve ser apenas um aspecto de um conjunto amplo de estratégias que deve ter como objetivo fundamental o desenvolvimento da sociedade como um todo.

Cartão de visitas – No final de janeiro, um grupo composto por dezenas de entidades da sociedade civil do DF, que organizou a etapa local da Conferência Nacional de Comunicação, solicitou reunião com a secretária Samanta Sallum para debater as pautas do setor. As entidades foram recebidas pela secretária-adjunta e pelo secretário de Publicidade [sic]… Se o pedido partisse dos diretores do Diários Associados ou da Rede Globo, a secretária também mandaria a “sub” para lhe representar?

A propósito, a reunião apenas confirmou as impressões gerais: por enquanto, o GDF se preocupa mesmo com assessoria e propaganda. Políticas de comunicação…? Quem sabe sobra alguma verba para isso.

PS: No site do GDF, a única secretaria que não possui página própria é justamente… a de Comunicação. Casa de ferreiro…

PS2: Como consolo, podemos celebrar a excelente escolha de Hamilton Pereira, o nosso querido “Pedro Tierra”, como Secretário de Cultura.


Responses

  1. Grande artigo, Rogério!!!! Já republiquei no Amigos do PT: http://www.amigosdopt.com.br

    ABRAÇOSSS

  2. parte do pt tem isso: não evolui.
    é a mesma coisa de sempre.

    quanto à cultura. quando agnelo asusmiu cortou tudo que é cargo comissionado. a ráido cultura, que tinha 80% de cargos comissionados levou sua porrda. hoje é uma radio-vitrola pq não tem funcionário. os que ficaram trabalham pra caramba pra garantir o mínimo. que é muito.
    até nem foi indicado o diretor da rádio cultura!

  3. Cuidado… a Samanta e umas outras boquinhas que ela lewvou para trabalhar com ela costuma dizer que quem a critica é porque ela não deu emprego e não passa de argumento de frustrados. Ela, por sinal, foi incompetente como editora do Correio.

  4. […] área de comunicação, como já alertei ainda no segundo mês do governo, o GDF tem sido praticamente nulo. A maior “realização” do GDF até o momento foi ter […]


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Categorias

%d blogueiros gostam disto: