Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 04/02/2011

Você sabe o que significa a “Tonga da Mironga do Cabuletê”?

Reproduzo e-mail que recebi da querida amiga Maiana Diniz.

[Atualização, 5/2, 18h: esse post foi originalmente publicado no blog Por Trás da Letras, de Luís Pini Nader. Clique aqui para ir até lá]

Boa reflexão para uma sexta-feira.

Grande Vinícius!

Você sabe o que significa a “Tonga da Mironga do Cabuletê”?
Lembra da música do Vinicius de Moraes? então leia abaixo, entenda e veja que interessante!

O Poetinha tirou sarro dos milicos

Ano de 1970.

Vinícius e Toquinho voltam da Itália onde haviam acabado de inaugurar a parceria com o disco “A Arca de Noé”, fruto de um velho livro que o poetinha fizera para seu filho Pedro, quando este ainda era menino.

Encontram o Brasil em pleno “milagre econômico”, que milagre… a censura estava em alta, DOPS, ato 5, torturas… a Bossa Nova em baixa.

Opositores ao regime pagando com a liberdade e com a vida o preço de seus ideais.

O poeta Vinicios é visto como comunista pela cegueira militar e ultrapassado pela intelectualidade militante, que pejorativa e injustamente classifica sua música de easy music.

No teatro Castro Alves, em Salvador, é apresentada ao Brasil a nova parceria.

Vinícius está casado com a atriz baiana Gesse Gessy, uma das maiores paixões de sua vida que o aproximaria do candomblé, apresentando-o à Mãe Menininha do Gantois.

Sentindo a angústia do companheiro, Gesse o diverte, ensinando-lhe xingamentos em Nagô, entre eles “tonga da mironga do cabuletê”, que significa “o pêlo do cu da mãe”.

O mote anal e seu sentimento em relação aos homens de verde oliva inspiram o poeta.

Com Toquinho, Vinícius compõe a canção para apresentá-la no Teatro Castro Alves.

Era a oportunidade de xingar os militares sem que eles compreendessem a ofensa.

E o poeta ainda se divertia com tudo isso: “Te garanto que na Escola Superior de Guerra não tem um milico que saiba falar nagô”.

Fonte: Castello, José. Vinicius de Moraes: o poeta da paixão: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 1994. 452p.

Toquinho e Vinícius – Tonga da Mironga do Cabuletê

Eu caio de bossa eu sou quem eu sou
Eu saio da fossa xingando em nagô

Você que ouve e não fala
Você que olha e não vê
Eu vou lhe dar uma pala
Você vai ter que aprender

A tonga da mironga do cabuletê
A tonga da mironga do cabuletê
A tonga da mironga do cabuletê

Você que lê e não sabe
Você que reza e não crê
Você que entra e não cabe
Você vai ter que viver

Na tonga da mironga do cabuletê
Na tonga da mironga do cabuletê
Na tonga da mironga do cabuletê

Você que fuma e não traga
E que não paga pra ver
Vou lhe rogar uma praga
Eu vou é mandar você

Pra tonga da mironga do cabuletê
Pra tonga da mironga do cabuletê
Pra tonga da mironga do cabuletê

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Responses

  1. Eu ADOREI essa história! Mas também era ilusão demais achar que os intelectuais não conseguiriam driblar a ignorância dos militares…
    E esse agora é meu xingamento oficial! kkk

  2. Ah, vale destacar que também recebi esse texto por e-mail. Acho que veio originalmente do blog Por trás da letra. Segue o link: http://portrasdaletra.blogspot.com/2007/04/tonga-da-mironga-do-cabulet.html

  3. poxa..eu amo essa música! valeu, rogério!

    • Em Natal, o General Duque Estrada comandava a 7ª Brigada e o time de futebol do América local contratou um técnico, que, por sinal, chamava-se DUQUE. Aí, o jornalista Cassiano Arruda Câmara, hoje dono do “Novo Jornal”, dá a seguinte notícia na coluna que mantinha no jornal “Tribuna do Norte”, de Alúízio Alves: “O DUQUE já vem pela ESTRADA”. Gozação simples, sem nenhuma ofensa, mas, para a época, tudo era ofensa. No outro dia, Cassiano estava preso, respondendo processo por crime contra a segurança nacional. Por isso que eu acho que os milicos entenderam a piada de Vinícius, sim. Apenas se fizeram de desentendidos, pera não acirrar mais ainda a revolta popular e a contestação ao regime, pois, no caso do poetinha era diferente, em virtude do seu foco nacional. Ora, se um artista faz uma música, num contexto político daquele, rogando praga para alguém e mandando o dito cujo para um canto qualquer, vocês acham que a milicada não iria desconfiar que era com eles?


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