Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 19/12/2010

Ministro indicado por Sarney pode cair antes de assumir

Midas tornou-se célebre pelo poder que atribuir-lhe-iam (engulam uma mesóclise pra variar!) de transformar qualquer objeto que tocasse em ouro.

Sarney vai entrar para a história — entre outros motivos — graças ao poder incomum que possui de enlamear qualquer ambiente, processo ou cargo político ao qual esteja vinculado.

A última segue abaixo. Da Folha. Agradeço ao Isnande Barros (isnandebarros.blogspot.com) e ao pessoal do @Rosengana_ pela dica no Twitter.

O deputado federal Pedro Novais (PMDB-MA), indicado por José Sarney para o cargo de ministro do Turismo no governo Dilma, foi flagrado em situação, no mínimo, constrangedora (sendo muito eufemista), envolvendo um sujeito que é chamado por alguns de “Michael Corleone do Maranhão”.

O "empresário" Fernando Sarney, o oligarca e o obscuro deputado

Falem o que quiser dela, mas Dilma é conhecida por não tolerar corrupção ao seu redor e não deixará essa passar em branco. Se a indicação de Novais cairá, ninguém pode afirmar, mas uma devassa será feita, certamente.

Torço muito pela queda do Novais antes mesmo da sua posse, não apenas por sua ligação intrinsecamente comprometedora com Sarney. Mas, também, pelo fato de o Ministério do Turismo ter avançado bastante nos últimos anos e a chegada da turma do El Bigodón pode fazer todo o bom trabalho acumulado escorrer pelo ralo.

Imaginem como deve estar com água na boca a turma da oligarquia sonhando em comandar o ministério do pré-sal (Minas e Energia) e a pasta do Turismo, cujo orçamento deve crescer bastante por conta da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016.

Tem gente no ministério que tem calafrios só de pensar em ter que trabalhar com/para os laranjas de Sarney.

Quem apoiar essa ideia, pode usar a tag #VazaNovais no Twitter.

Se Novais cair, ao menos poderá colocar no currículo: “Quase ministro” ou “Ministro indicado, mas não empossado”.

Alô Dilma, isso é o que dá ter Sarney por perto.

Leia a notícia da Folha de São Paulo (enviada pelo @tadeumeyer, a quem agradeço muito!).

Folha de São Paulo, 19/12/2010

Escuta da PF flagra ministeriável do PMDB

Deputado Pedro Novais pediu ao empresário Fernando Sarney que beneficiasse um aliado na Justiça Eleitoral

Conversas indicam que filho do senador Sarney foi procurado por sua relação próxima com Nelma Sarney, do TRE

FERNANDA ODILLA
ENVIADA ESPECIAL A SÃO LUÍS

O futuro ministro do Turismo, Pedro Novais (PMDB-MA), foi flagrado em escutas da Polícia Federal pedindo ao empresário Fernando Sarney que beneficiasse um aliado na Justiça Eleitoral.

Filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), Fernando é investigado há três anos pela PF. As conversas interceptadas pela polícia mostram que ele foi procurado pelo futuro ministro por manter uma relação próxima com a tia, a desembargadora Nelma Sarney, à época corregedora do Tribunal Eleitoral do Maranhão.

Indicado ao Ministério do Turismo pela bancada do PMDB da Câmara, Novais, que diz não se recordar das conversas gravadas pela polícia, é alinhado politicamente aos Sarney no Maranhão.

O pedido ao empresário seria em favor do prefeito de Bacuri (MA). Ele enfrentava problemas com a Justiça Eleitoral por não ter participado da convenção que escolheu o candidato do PSB à prefeitura e, a seguir, fez a própria reunião para ser aclamado como representante do partido para disputar o cargo.

Em 14 de julho de 2008, uma hora depois da primeira tentativa frustrada de falar com Fernando Sarney, o deputado e futuro ministro ligou novamente, por meio do gabinete na Câmara, em Brasília. Na conversa, ele pede ao empresário que interceda junto à desembargadora Nelma para ajudar o prefeito.

Novais diz que uma ala do PSB da cidade maranhense fez convenção paralela para impedir a candidatura do prefeito, que tentava a reeleição (veja a transcrição).

DIÁLOGOS

“Como o juiz local é uma pessoa ligada à Nelma, o prefeito me pediu para falar com você pra ver se você interfere no sentido de que o prefeito, que é o Washington [Oliveira], que votou em mim, [tenha decisão] favorável a ele”, diz o deputado.

“Manda um fax ou e-mail com informações detalhadas para eu falar com ela”, responde Fernando, dizendo que se encontraria com a desembargadora naquele dia.

No dia seguinte, Novais liga novamente para o empresário. Fernando Sarney diz estar com o prefeito naquele momento e que está “vendo como resolver” a situação.

Na ocasião, Novais e o prefeito aliado trocaram algumas palavras: “Está tudo encaminhado, né?”, pergunta o deputado. Diante da resposta positiva e do agradecimento a Novais, eles desligam.

O prefeito ganhou o caso com a decisão do juiz local. O processo seguiu ao TRE um mês depois, e Nelma Sarney foi nomeada relatora. Como estava de licença, um juiz substituto deu voto favorável ao prefeito, contrariando parecer do Ministério Público Eleitoral. Washington foi reeleito prefeito de Bacuri.

O advogado João da Hora, que defendeu a coligação adversária, está convencido de que foi derrotado pela ação de políticos poderosos.

Ele conta que foram muitas as pressões e diz que sempre suspeitou de tráfico de influência – definido como crime de solicitar ou obter vantagem para influir em órgão público, que prevê de dois a cinco anos de prisão.

“Ele [Washington] teve muita gente ao lado dele. Correu tudo ao arrepio da lei”, disse o advogado.

Além do pedido de Pedro Novais, as escutas da Polícia Federal indicam ao menos outras duas situações em que Fernando recebe pedidos de aliados, e os casos acabam passando pelas mãos de Nelma, com decisões favoráveis na Justiça Eleitoral.


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