Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 08/10/2010

Lúcio Maia e Maquinado cantam o amor de Dandara e Zumbi dos Palmares

Na humilde opinião deste escriba, Nação Zumbi — contando a era Chico Science — é, de longe, o que de melhor apareceu no rock brasileiro desde os Mutantes.

Os caras são tão bons, mas tão bons que a energia criadora não cabe apenas na Nação. Daí terem surgido tantos projetos e grupos do mais alto calibre musical.

Lúcio Maia no histórico show da Nação Zumbi com Siba & a Fuloresta, no carnaval do Recife de 2009

Los Sebosos Postizos, 3 na Massa, Almaz, Sonantes e Maquinado são tão desconhecidos do público quanto excelentes no que fazem.

Conheci o som do “Maquinado”, projeto alternativo do Lúcio Maia, guitarrista da Nação, quando saiu o primeiro disco (“O homem binário”, 2007), provavelmente por indicação do Zema Ribeiro.

Achei bem legal e espalhei pra uma pá de gente que me pedia indicações de coisa nova.

Já tinha escutado vários comentários elogiosos, mas apenas hoje (7/10), estimulado por uma indicação no Twitter do próprio Lúcio, resolvi parar e escutar o novo disco, “Mundialmente Anônimo – O Magnético Sangramento da Existência”, lançado em fevereiro desse ano.

Por Jah! Como demorei tanto pra ouvir esse disco?!

Homem Binário é muito bom, perfeito pra embalar estados ébrios resultantes de boas doses de vodca, rum ou Bom que Dói (meu caso neste momento).

Mas o “Mundialmente anônimo” é simplesmente DU-CA! Fodaralhaço, como diria minha querida amiga Mariana Hansen.

O Lúcio aprendeu a — ou perdeu a timidez pra — cantar e o álbum tem várias faixas que grudam nas “oiça” de primeira!

Tipo “Dandara”, a indicada no Twitter do Lúcio. Sensacional! Perdi a conta de quantas vezes a escutei, na versão ao vivo, do vídeo abaixo.

Maquinado – Dandara


Para converter do Youtube para mp3: http://www.video2mp3.net

Dandara
(Composição: Lúcio Maia)

(Ê… Dandara)
Foi esposa e guerreira de Zumbi dos Palmares
(Ê… Dandara)
Junto com ele lutava para livrar os negros da dura vida que levavam

(Ê… Dandara)
Suicidou em 6 de fevereiro de 1694
(Ê… Dandara)
Para não voltar a posição de escrava nunca mais

(Ê… Dandara)
Dandara e Zumbi foram esquecidos de serem mencionados nos livros de história
(Ê… Dandara)
Como os primeiros revolucionários das américas, protegendo Quilombo dos Palmares do império
(Ê… Dandara)
Palmares, o último refúgio e mausoléu desta triste história de amor
E por alguma razão não são considerados heróis entre os brasileiros

*****

Além do talento musical, o Lúcio Maia ainda é de luta!

A lembrança é muito boa! De fato, Dandara é personagem histórica injustamente esquecida nos livros de história, mesmo nos mais recentes. Marca do machismo também nesse campo?

Enfim, tomara que o Maquinado não demore a aparecer em algum show por Brasília, terra de uma galera boa que sabe, como em poucas cidades, apreciar esse tipo de som.

É possível baixar o disco completo (e algumas faixas extras) no site: http://www.maquinado.com.br

*Los Sebosos Postizos reúne uma parte da moçada da Nação Zumbi com alguns integrantes do Mundo Livre S/A, fazendo releituras de Jorge Ben Jor na época em que ele era só Jorge Ben, principalmente dos discos “A tábua de esmeralda” e “África Brasil”.

*3 na Massa reúne Dengue e Pupilo, da Nação, e Rica Anabis, do Instituto, na produção de um som marcante e original.

*Almaz traz Seu Jorge nos vocais acompanhado da turma da Nação, em magníficas regravações de muita gente boa daqui e de fora.

*Sonantes (como me lembrou a Mari Leal) também tem assinatura do Dengue e Pupilo e marca pela deliciosa voz da (ainda por cima) lindíssima Céu.

PS: Dandara, além de esposa do rei Zumbi dos Palmares,  é o nome da filha de um grande amigo, Márcio Jerry, lutador maranhense de primeira fileira na guerra contra a oligarquia Sarney e a favor de justiça e liberdade no Maranhão.

PS2: Uma das pessoas que me falou sobre o novo disco do Maquinado foi a Mariana Leal, pernambucana arretada que mantém um blog instigante já a partir do nome: De bubuia na bubuia (http://debubuianabubuia.wordpress.com)

PS3: Em “Mundialmente anônimo” tem música de Ben Jor (“Zumbi”), Mundo Livre S/A (“Super-Homem plus”) e participação do ótimo Lucas Santanna, entre outros convidados especiais.

BÔNUS
(também indicação do Lúcio Maia no Twitter)

Nação Zumbi – Canto de Xangô

//


Responses

  1. Sem comentários, é só escutar e curtir o som.

    Ah..faltou um danado de um projeto paralelo ai: Sonantes.

    http://www.lastfm.com.br/music/Sonantes

    Vale a pena, escute!

    =****

  2. cade a hestoria do zunbi kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    sobe que e linda bjbjbjbjbjbjbjbjjbjjbjbjjbjjbjbjjbjbjjjbjjbjjbjbjbjbj

  3. zunbi coisa de crianca
    boista cortei a mao

  4. […] gente conhece o Maquinado, bem como os outros inúmeros e geniais projetos alternativos da trupe da Nação Zumbi, mas essa versão da faixa-título do álbum de estreia de Hendrix é uma […]


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