Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 18/08/2010

É hoje o julgamento da anistia de Betinho!

Quando eu era criança, em Fortaleza, lembro de ter visto muitas notícias sobre um senhor magro, de cabelos grisalhos, que havia contraído o vírus HIV porque era hemofílico. Eu desconhecia o termo e achava que deveria ser algo muito ruim, provavelmente influenciado pelo contexto de forte preconceito relacionado ao tema. O preconceito, que se alimenta da desinformação, ainda é algo presente nos dias atuais, mas diminuiu bastante, sem sombra de dúvidas, inclusive graças ao trabalho daquele senhor

E apenas muitos anos depois da minha infância fui descobrir, de fato, quem era aquele senhor que costumava aparecer na TV com um sorriso cativante.

Uma vida inspiradora

Herbert de Souza, sociólogo de formação, militante por opção e ativo protagonista das principais lutas políticas do Brasil nas últimas quatro décadas do século XX, até nos deixar, em 1997, é um daqueles indivíduos capazes de inspirar a ação de muitas gerações na defesa dos melhores sonhos e dos mais elevados sentimentos que a humanidade é capaz de produzir.

Betinho, para quem nunca teve contato com política ou com a militância, mas conhece o mínimo da música popular brasileira, é “o irmão do Henfil” consagrado na canção “O bêbado e o equilibrista”, de Aldir Blanc e João Bosco, imortalizada na voz de Elis Regina.

Hoje, quarta-feira, 18 de agosto, exatos treze anos e nove dias após sua partida para outras paragens, Betinho será agraciado com a anistia oficial do Estado brasileiro.

O julgamento do processo de anistia de Betinho, juntamente com outros seis casos, ocorrerá durante a 41ª Caravana da Anistia, em Brasília(DF), a partir de 14h, no auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados. A Caravana encerrará o IV Seminário Latino-Americano de Anistia e Direitos Humanos, promovido pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara.

O evento será transmitido ao vivo pela Internet: www.camara.gov.br/webcamara (clicar no link da Comissao de Direitos Humanos e Minorias).

Nas palavras do presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, Paulo Abrão, a Caravana da Anistia é a oportunidade de o Estado brasileiro pedir desculpas oficiais aos cidadãos e aos familiares daqueles que foram perseguidos politicamente durante a ditadura militar.

As Caravanas costumam ser momentos carregados de emoção e acabam se convertendo em momentos de homenagem aos anistiados.

Betinho merece, assim como todos aqueles que lutaram contra a ditadura e ainda hoje enfrentam seus herdeiros e representantes do mesmo pensamento que colocou o Brasil nas trevas da arbitrariedade durante 21 anos.

O vídeo abaixo, extraído da minissérie “Queridos amigos”, da Rede Globo – ironicamente, uma das maiores apoiadoras e beneficiárias do regime que tão profundamente feriu a nossa sociedade como um todo e milhares de seus indivíduos diretamente – mostra imagens e um breve e emocionado depoimento de Betinho, no seu retorno do exílio.

Acompanhe a Caravana pela Internet e manifeste-se pelo Twitter da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara (http://twitter.com/cdhcamara).

Segue a lista dos processos de anistia a serem julgados hoje na Caravana, todos de personagens extremamente valorosos:

Herbert José de Souza – Foi um dos fundadores da organização marxista Ação Popular (AP) e um dos símbolos da campanha pela anistia. Natural de Minas Gerais, é o terceiro filho de oito irmãos. Em 1962, graduou-se em Sociologia e Política e também em Administração Pública na Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG. Com o golpe de 1964, passou a atuar na resistência contra a ditadura militar, dirigindo organizações de cunho democrático no combate ao regime. No começo da década de 1970, foi para o exílio. Morou no Chile, Panamá, Canadá e México. Em 1979, retornou ao país. Dedicou-se ao Instituto Brasileiro de Análises Sócio-Econômicas (Ibase) e defendeu intensamente o direito à vida e a dignidade dos portadores do HIV/AIDS. Hemofílico, contraiu o vírus em uma transfusão de sangue.

Mário Alves de Souza Vieira – Jornalista, diretor do jornal Momento, dirigiu as publicações Voz Operária, Tribunal Popular e Novos Rumos. Foi porta-voz do PCB e articulador e fundador do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). Seqüestrado e torturado no DOI-CODI no Rio de Janeiro, nunca mais foi visto. É considerado desaparecido político, de acordo com a Lei 9.140/95, além de ser o primeiro preso político a ter a responsabilidade pelo seu desaparecimento imputado ao Estado por meio de decisão judicial.

José Moraes Silva – Camponês, foi perseguido durante a Guerrilha do Araguaia, entre 1972 e 1975.

Raul de Carvalho – Escriturário do Banco Lar Brasileiro e preso em 1969. Foi detido por várias vezes no DOI-CODI. Condenado, teve seus direitos políticos suspensos. Cumpriu pena em Ilha Grande (RJ) entre 1970 e 1972. É filho de Apolônio de Carvalho, preso e banido do país.

Jom Tob de Azulay – Ingressou por meio de concurso público no Instituto Rio Branco em 1965. Sofreu perseguição em seu ambiente de trabalho, o que o obrigou a solicitar remoção para o Consulado-Geral em Los Angeles (EUA), onde permaneceu até 1974. Afastou-se do trabalho no Itamaraty em 1976.

Jeferson Cardim de Alencar Osório – Militar do Exército, foi líder da Operação Três Passos, articulada pelo movimento guerrilheiro no Rio Grande do Sul. Considerado comunista, foi reformado pelo Ato Institucional nº. 1 e condenado a oito anos de prisão em 1964. Teve suspenso seus direitos políticos por dez anos pelo Conselho Especial de Justiça da 5ª Região Militar. Fugiu para o Paraná, onde foi preso. Cumpriu pena até 1977.

Maria do Socorro – Participou do Movimento Estudantil em Fortaleza, onde cursava Letras na Faculdade de Filosofia do Ceará e fazia parte do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). Face às perseguições, teve que abandonar a faculdade e o trabalho como professora. Mudou-se para Recife e trocou de nome. Foi presa e processada, voltou ao Ceará em 1972, onde foi novamente presa.

(Com informações da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça)

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Responses

  1. DENÚNCIA: SÍTIO CALDEIRÃO, O ARAGUAIA DO CEARÁ – UMA HISTÓRIA QUE NINGUÉM CONHECE PORQUE JAMAIS FOI CONTADA

    “As Vítimas do Massacre do Sítio Caldeirão
    têm direito inalienável à Verdade, Memória,
    História e Justiça!” Otoniel Ajala Dourado

    O MASSACRE DELETADO DOS LIVROS DE HISTÓRIA

    No município de CRATO, interior do CEARÁ, BRASIL, houve um crime idêntico ao do “Araguaia”, foi a CHACINA praticada pelo Exército e Polícia Militar em 10.05.1937, contra a comunidade de camponeses católicos do SÍTIO DA SANTA CRUZ DO DESERTO ou SÍTIO CALDEIRÃO, cujo líder religioso era o beato “JOSÉ LOURENÇO GOMES DA SILVA”, paraibano negro de Pilões de Dentro, seguidor do padre CÍCERO ROMÃO BATISTA, encarados como “socialistas periculosos”.

    O CRIME DE LESA HUMANIDADE

    O crime iniciou-se com um bombardeio aéreo, e depois, no solo, os militares usando armas diversas, como metralhadoras, fuzis, revólveres, pistolas, facas e facões, assassinaram na “MATA CAVALOS”, SERRA DO CRUZEIRO, mulheres, crianças, adolescentes, idosos, doentes e todo o ser vivo que estivesse ao alcance de suas armas, agindo como juízes e algozes. Meses após, JOSÉ GERALDO DA CRUZ, ex-prefeito de Juazeiro do Norte/CE, encontrou num local da Chapada do Araripe, 16 crânios de crianças.

    A AÇÃO CIVIL PÚBLICA PROPOSTA PELA SOS DIREITOS HUMANOS

    Como o crime praticado pelo Exército e Polícia Militar do Ceará é de LESA HUMANIDADE / GENOCÍDIO é IMPRESCRITÍVEL conforme legislação brasileira e Acordos e Convenções internacionais, a SOS DIREITOS HUMANOS, ONG com sede em Fortaleza – CE, ajuizou em 2008 uma Ação Civil Pública na Justiça Federal contra a União Federal e o Estado do Ceará, requerendo: a) que seja informada a localização da COVA COLETIVA, b) a exumação dos restos mortais, sua identificação através de DNA e enterro digno para as vítimas, c) liberação dos documentos sobre a chacina e sua inclusão na história oficial brasileira, d) indenização aos descendentes das vítimas e sobreviventes no valor de R$500 mil reais, e) outros pedidos

    A EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO DA AÇÃO

    A Ação Civil Pública foi distribuída para o Juiz substituto da 1ª Vara Federal em Fortaleza/CE e depois, para a 16ª Vara Federal em Juazeiro do Norte/CE, e lá em 16.09.2009, extinta sem julgamento do mérito, a pedido do MPF.

    RAZÕES DO RECURSO DA SOS DIREITOS HUMANOS PERANTE O TRF5

    A SOS DIREITOS HUMANOS apelou para o Tribunal Regional da 5ª Região em Recife/PE, argumentando que: a) não há prescrição porque o massacre do SÍTIO CALDEIRÃO é um crime de LESA HUMANIDADE, b) os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO não desapareceram da Chapada do Araripe a exemplo da família do CZAR ROMANOV, que foi morta no ano de 1918 e a ossada encontrada nos anos de 1991 e 2007;

    A SOS DIREITOS HUMANOS DENUNCIA O BRASIL PERANTE A OEA

    A SOS DIREITOS HUMANOS, como os familiares das vítimas da GUERRILHA DO ARAGUAIA, denunciou no ano de 2009, o governo brasileiro na Organização dos Estados Americanos – OEA, pelo DESAPARECIMENTO FORÇADO de 1000 pessoas do SÍTIO CALDEIRÃO.

    QUEM PODE ENCONTRAR A COVA COLETIVA

    A “URCA” e a “UFC” com seu RADAR DE PENETRAÇÃO NO SOLO (GPR) podem localizar a cova coletiva, mas não o fazem porque para elas, os fósseis de peixes do “GEOPARK ARARIPE” são mais importantes que as vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO.

    A COMISSÃO DA VERDADE

    A SOS DIREITOS HUMANOS em julho de 2010 passou a receber apoio da OAB/CE pelo presidente da entidade Dr. Valdetário Monteiro, nas buscas da COVA COLETIVA das vítimas do Sítio Caldeirão, e continua pedindo aos internautas divulguem a notícia, bem como a envie para seus representantes no Legislativo, solicitando um pronunciamento exigindo do Governo Federal a localização da COVA COLETIVA das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO.

    Paz e Solidariedade,

    Dr. Otoniel Ajala Dourado
    OAB/CE 9288 – 55 85 8613.1197
    Presidente da SOS – DIREITOS HUMANOS
    Editor-Chefe da Revista SOS DIREITOS HUMANOS
    Membro da CDAA da OAB/CE
    http://www.sosdireitoshumanos.org.br
    sosdireitoshumanos@ig.com.br
    http://twitter.com/REVISTASOSDH
    http://revistasosdireitoshumanos.blogspot.com


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