Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 21/10/2009

Besouro – filme brasileiro de ação aborda capoeira e questão racial

Antes de ler qualquer coisa, sugiro que você assista ao trailler do filme “Besouro – da capoeira nasce um herói”.

A amostra é instigante. Um filme brasileiro de ação – dentro dos padrões internacionais de qualidade técnica no gênero – cujo enredo gira em torno de uma das nossas mais ricas manifestações culturais, a capoeira, rodado em um dos lugares mais lindos do mundo, a Chapada Diamantina, é algo que mexe demais com o nosso imaginário. Empolga.

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Em mim, provocou também uma curiosidade específica: como o filme aborda a questão racial? Toma partido ou posição sobre a opressão (existente ainda hoje, embora Kamelos e Magnólios insistam em tentar negar ou naturalizar) e a luta contra ela? Defende ou estimula alguma tese? Coloca isso numa perspectiva política ou apenas sociológica? Essas são apenas algumas das tantas perguntas que piscam na minha mente. Que serão (ou não) respondidas apenas quando eu assistir ao filme.

Independentemente de qualquer coisa, deixo claro, trata-se de uma obra de entretenimento. Diversão. E é assim que vou assistir.

É um super-herói brasileiro? Quem responde é o próprio diretor:

– Sim. Por que não? Um super-herói qe luta contra a opressão imposta ao seu povo. E que para isso usa os poderes que a sua cultura e as suas crenças lhe oferecem. É um autêntico super-herói brasileiro. [entrevista no site do filme]

E é bem como diz um amigo baiano do Intervozes, o Pedro Caribé: “A garotada agora vai querer imitar Besouro, ao invés dos Bruces Lees pós-modernos”.

O diretor, João Daniel Tikhomiroff, é novato no papel, mas quero crer que entrou no ramo para ficar – até porque o seu currículo e o seu DNA indicam isso.

Pelo que vi no trailler e noutros vídeos do site (http://www.besouroofilme.com.br – não deixe de visitar, há muita coisa interessante que não menciono nesse breve texto), os protagonistas principais, Aílton Carmo e Jéssica Barbosa, devem despontar como gratas surpresas do cinema nacional, que se torna cada vez melhor e diversificado nos gêneros, nas linguagens, nos temas e, melhor ainda, nos perfis de diretores e diretoras.

”]Áilton Carmo e Jéssica Barbosa. Guarde esses nomes.A estréia nacional será no próximo dia 30 de outubro, em 150 salas. Outro sinal muito positivo, considerando que a maioria dos filmes nacionais sequer chega às telas, quanto mais a tantas salas simultaneamente.

Não sou “chegado” a estréias, prefirover em horários e dias menos conturbados. Quanto menos gente no cinema, melhor. Mas, nesse caso, dia 30 estarei lá, cedo!

*****

Em tempo: não faz muito tempo que foi lançado o game “Capoeira Legends”, também nacional. Aos fãs, vale conferir:

http://capoeiralegends.com.br/

capoeira1capoeira2
capoeira3 capoeira4

PS: Existe vida no cinema (comercial) brasileiro fora da Globo Filmes?

PS2: Eu NÃO sou e nem pretendo ser crítico cultural, muito menos de cinema.

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Responses

  1. Meu c@ro,

    vi o trêiler no cinema e fiquei encantada! Também estou na fila para assistir ao nosso legítimo super-heroi brasileiro (foi exatamente isso que pensei!!!).

  2. sou capoeirista e esperei muito por um filme assim, mesmo com ficção envolvida ate por que os filmes orientais tem muita ficção encima do kong fu como seus sonhos e lendas na tela de cinema. to na espera por esse sucesso com certeza.

  3. Sou capoeirista da cidade de Luis Eduardo Magalhães – BA, e conheço esse ator do filme Ailton Carmo, conheci ele na cidade de Barreiras – Ba em intermedio do Grupo Esquiva de Capoeira comandado pelo Mestre Tall. Já estava esperando um filme desse para mostrar que a capoeira é uma luta genuinamente brasileira.
    Abração!!!!
    E parabéns pelo filme

    • ja assisti ao filme ele é maravilhoso..tanto que vai cair na minha prova de historia estou estudando ele atentamesnte..abraçao parabens plo grande sucesso!

  4. Assistir o filme, gostei muito.
    so que ele podia valorizar tanto a capoeira como o proprio movimento negro. Sertas cenas parece ser muito pretenciosa quando dar a possibilidade de colocar o negro como negadores da sua propria cor. Em senas como aquela que um branco coloca dois negros para lutar onde eles parece se negarem. Isto nos lembra aquele livro “vitimas algoses” de Joaquim Manuel de Macedo.
    gostaria que valorizasse um pouco mais a imagem do negro na sociedade. Um filme como esse tem capacidade de valorisar, assim como tem elevado a linda capoeira que eu amo.


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