Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 17/09/2009

Sarney permite tortura e ainda persegue estudantes por causa de protesto no Senado

José Sarney é tido como uma pessoa amistosa, agradável e cordial no trato com as pessoas.

Quem é próximo a ele pode dizer se isso é verdade ou não.

Pouco me importa sua vida íntima. O que interessa é a sua atuação como homem público, representante eleito (e sustentado) pelo povo.

E na política, o senador eleito pelo Amapá é a um só tempo discreto e truculento. Sutil na forma como desfere seus golpes. Agressivo e impiedoso nos métodos e consequências de suas jogadas.

13 de agosto de 2009: dez estudantes driblam a segurança do Senado e promovem mais uma manifestação pedindo a renúncia de Sarney e toda a Mesa Diretora, entre outras reivindicações que foram omitidas pela grande mídia, ávida por arrancar o seu ex-dileto porta-voz do comando do Senado, mirando o presidente Lula.

Joedson Alves/Folha Imagem

Joedson Alves/Folha Imagem

Agentes da Polícia Legislativa, a “Gestapo do Senado”, como caracterizou um dos participantes do ato, reprimiram fortemente a manifestação, que nem de longe chegou a impedir a circulação ou o acesso dos senadores e servidores aos plenários e gabinetes.

Alguns integrantes do ato, organizado pelo Coletivo Independente de Manifesto e Ativismo (CIMA), foram levados a uma sala da “Gestapo” do Senado, nos porões do prédio. “Uma verdadeira masmorra”, apontou um dos manifestantes hoje (17), em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado, presidida por Cristivam Buarque (PDT-DF).

Na “masmorra” permaneceram detidos ilegalmente, já que nenhum crime havia sido configurado. Foram intimidados e ameaçados por várias horas, com requintes de socos na mesa, dedos em riste e palavrões. Isso tem nome. Se chama tortura. E é crime imprescritível. Os seguranças do Senado merecem, no mínimo, responder a processo judicial.

Mas a história não acaba aqui.

No dia 26 de agosto, Sarney encaminhou ofício (veja abaixo) ao presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, deputado Leonardo Prudente (DEM), denunciando um dos manifestantes, assessor da deputada distrital Érika Kokay (PT), e cobrando “providências que Vossa Excelência julgar cabíveis”.

O capo maranhense reviveu duplamente os tempos da ditadura civil-militar à qual tão fielmente serviu: além de permitir que seus gorilas da “Gestapo do Senado” torturassem os estudantes, Sarney fez o papel de dedo-duro, delator, em represália à “ousadia” dos estudantes, e os denunciou aos seus chefes… por terem exercido sua liberdade de expressão e de manifestação política, direitos que, no discurso, ele diz defender.

Um outro estudante que também foi vítima da sessão de tortura psicológica recebeu uma dose maior do veneno vingativo do distinto membro da Academia Brasileira de Letras.

José Sarney telefonou pessoalmente para o chefe desse estudante e pediu a sua demissão. O pedido não foi atendido. Felizmente, nem todos se curvam ao senhor que tem certeza que é dono do Maranhão e do Amapá e se julga dono do Brasil.

Ao que parece, a mesma disposição para empregar agregados da família – como o namorado da neta – é usada também para atacar e se vingar de adversários, não importando o tamanho deles.

No relatório (também abaixo) enviado ao senador Sarney, a “Gestapo do Senado” entendeu que “não houve contravenção penal, mas tão somente uma manifestação com a lavratura de uma ocorrência para registro do evento”. Isso não impediu que a ira do senador se transformasse em perseguição política.

Agora, reflita você, leitor(a): se ele é capaz de fazer isso contra estudantes inofensivos apenas por terem se manifestado publicamente, imagine do que ele é capaz de fazer, na surdina contra seus adversários políticos.

A censura de blogs no Amapá é peixe pequeno. Assim como ele censura a voz dos opositores no Amapá e até jornais grandes como O Estado de SP, o uso político da sua TV Mirante já foi confessado, involuntariamente, em suas próprias palavras (clique aqui para ver o vídeo com a conversa).

Ofício encaminhado por José Sarney ao presidente da CL-DF, denunciando um dos manifestantes que pediram sua saída da presidência do Senado:

Sarney: discreto e impiedoso

Sarney: discreto e impiedoso

Clique em “Leia Mais” para ver as duas páginas do relatório da “Gestapo do Senado” sobre o ato do dia 13 de agosto e os vídeos desse ato:

Relatório da Gestapo do Senadorelatorio_senado2

http://www.youtube.com/watch?v=HAq-wxUl1u0

http://www.youtube.com/watch?v=b9lN51DIRNU

http://www.youtube.com/watch?v=6FP5eXp4rsU

http://www.youtube.com/watch?v=Wxh75vKppBo

http://www.youtube.com/watch?v=EcheDMeKbOI

http://www.youtube.com/watch?v=cXzjGqQx9Zc

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Responses

  1. Infelizmente a grande maioria do povo brasileiro ainda não tem acesso a informação e vive sob o domínio desses falsos líderes. Infelizmente, aqui no Maranhão, a família Sarney ainda manda e, principalmente, desmanda em tudo e em quase todos. Só pra exemplificar, procurem saber porque mais de 50% dos prefeitos maranhenses estão morrendo de medo de perder o cargo e por isso estão tomando bençãos pra Roseana Sarney. A resposta está na presidência do TRE-MA.


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