Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 14/07/2009

A queda da Bastilha e a Marselhesa

14 de julho é feriado nacional da França. Na terra de Victor Hugo, essa data é celebrada em razão do início, de fato, da Revolução Francesa, simbolizada no episódio conhecido como “Queda da Bastilha”.

No outro blog que mantenho, meio errante, o Bocas do Tempo, focado no pensamento de Eduardo Galeano, publiquei um texto sobre outro símbolo da Revolução, a Marselhesa, o hino nacional francês. Reproduzo aqui.

Parabéns ao povo francês.

*****

A Marselhesa

A Marselhesa é, sem qualquer sombra de dúvida, uma das canções mais belas e emocionantes que a humanidade já produziu. Verdadeiramente arrepiante.

Tenho várias versões aqui, mas a versão de Edith Piaff… sem comentários… (se ainda não ouviu, clique aqui para baixar – letra aqui)

Poucos sabem a sua história, entretanto.

A Marselhesa

O hino mais famoso do mundo nasceu de um famoso momento da história universal. Mas também nasceu da mão que o escreveu e da boca que pela primeira vez o cantarolou: a mão e a boca de seu nada famoso autor, o capitão Rouget de Lisle, que o compôs numa noite.
A letra foi ditada pelas vozes da rua, e a música brotou como se o autor a tivesse dentro dele, desde sempre, esperando para sair.
Corria o ano de 1792, horas turbulentas: as tropas prussianas avançavam contra a revolução francesa. Discursos inflamados e declarações alvoraçavam as ruas de Estrasburgo.
– Às armas, cidadãos!
Em defesa da revolução acossada, o recém-recrutado exército do Reno partiu rumo à frente de batalha. O hino de Rouget deu brio às tropas. Soou, emocionou; e alguns meses depois, reapareceu, sabe-se lá como, na outra ponta da França. Os voluntários de Marselha marcharam para o combate cantando essa canção poderosa, que passou a se chamar “A Marselhesa”, e a França inteira fez coro. E o povo invadiu, cantando, o palácio das Tulherias.
O autor foi preso. O capitão Rouget era suspeito de traição à pátria, porque tinha cometido a insensatez de divergir da dona Guilhotina, a mais afiada ideóloga da revolução.
No fim, saiu do cárcere. Sem uniforme, sem salário.
Durante anos arrastou sua vida, comido pelas pulgas, perseguido pela polícia. Quando dizia que era o pai do hino da revolução, todo mundo ria na sua cara.

Eduardo Galeano, “Espelhos – uma história quase universal”.

Dedicado ao meu primo-irmão Ricardo Ferraz, que morou três anos em Paris, onde fez o doutorado e onde teve o desprazer de assistir, rodeado de franceses, à segunda humilhação que Zinedine Zidane impôs sobre a seleção canarinho.

*****

A Marselhesa (trecho do filme “La vie en rose”)


Responses

  1. Arrasou no post. Vou re-postar.
    bjs Jandira

  2. A Marselhesa

    O hino mais famoso do mundo nasceu de um famoso momento da história universal. Mas também nasceu da mão que o escreveu e da boca que pela primeira vez o cantarolou: a mão e a boca de seu nada famoso autor, o capitão Rouget de Lisle, que o compôs numa noite.
    A letra foi ditada pelas vozes da rua, e a música brotou como se o autor a tivesse dentro dele, desde sempre, esperando para sair.
    Corria o ano de 1792, horas turbulentas: as tropas prussianas avançavam contra a revolução francesa. Discursos inflamados e declarações alvoraçavam as ruas de Estrasburgo.
    – Às armas, cidadãos!
    Em defesa da revolução acossada, o recém-recrutado exército do Reno partiu rumo à frente de batalha. O hino de Rouget deu brio às tropas. Soou, emocionou; e alguns meses depois, reapareceu, sabe-se lá como, na outra ponta da França. Os voluntários de Marselha marcharam para o combate cantando essa canção poderosa, que passou a se chamar “A Marselhesa”, e a França inteira fez coro. E o povo invadiu, cantando, o palácio das Tulherias.
    O autor foi preso. O capitão Rouget era suspeito de traição à pátria, porque tinha cometido a insensatez de divergir da dona Guilhotina, a mais afiada ideóloga da revolução.
    No fim, saiu do cárcere. Sem uniforme, sem salário.
    Durante anos arrastou sua vida, comido pelas pulgas, perseguido pela polícia. Quando dizia que era o pai do hino da revolução, todo mundo ria na sua cara.

    Eduardo Galeano, “Espelhos – uma história quase universal”.

    Dedicado ao meu primo-irmão Ricardo Ferraz, que morou três anos em Paris, onde fez o doutorado e onde teve o desprazer de assistir, rodeado de franceses, à segunda humilhação que Zinedine Zidane impôs sobre a seleção canarinho.


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