Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 13/07/2009

Grande escândalo da Fundação José Sarney não é projeto da Petrobrás

Muito boas as matérias de Leandro Colon e Rodrigo Rangel sobre a Fundação José Sarney e possíveis fraudes em projetos financidos pelda Petrobrás (leia aqui e aqui as principais).

Porém, no afã de abastecer a onda de denuncismo contra o jovem político maranhense que a grande imprensa nacional só descobriu há poucas semanas, o jornal deixou de lado um escândalo muito mais graúdo, dedicando-se ao tema apenas superficialmente.

A Fundação José Sarney, criada para organizar e conservar o acervo do ex-presidente da República, apropriou-se indevidamente de um prédio que representa uma das maiores riquezas arquitetônicas do Maranhão e do Brasil.

Instituição de caráter privado, a FJS foi beneficiada em 1990 por um ato ilegal e imoral do então governador João Alberto (PMDB, atual vice de Roseana e célebre por ter dito que seu governo era “90% honesto”).

Em abril daquele ano, uma lei estadual tornava o Convento das Mercês (fotos abaixo) propriedade da Fundação da Memória Republicana  – nome original da FJS´e ironia pura, em se tratando de um senhor que sempre teve dificuldades para distinguir entre seus interesses particulares e os interesses republicanos.

O Convento é um belíssimo prédio encravado no centro histórico de São Luís, datado do século XVII – consta que foi concluído em 1654 – e adquirido pelo governo estadual em 1905. Roteiro obrigatório para quem visita a capital maranhense, seu valor é incalculável (ao contrário do projeto da Petrobrás). E é um patrimônio público que a Fundação José Sarney utiliza com fins comerciais – o espaço é alugado para festas, casamentos, congressos e outras festividades particulares.

Prédio de 1654 que Sarney considera seu por direito

Prédio de 1654 que Sarney considera seu por direito

A usurpação do Convento pela Fundação é mais um golpe espúrio – dentre tantos – que José Sarney aplicou no povo maranhense.

Sarney não tem pudor em pensar que - e agir como - o Maranhão lhe pertence

Sarney não tem pudor em pensar que - e agir como - o Maranhão lhe pertence

Na verdade, talvez seja a melhor síntese do tipo de postura que o patriarca – em seu outono, como diria Gabriel Garcia Marquez – adota em relação ao Maranhão. Negar-lhe a posse Convento seria como rejeitar – algo inaceitável! – a legitimidade da lógica sob a qual funcionam o seu pensamento e a sua prática. Embora não assumida publicamente pelo senador, um dos seus livros traz de forma implícita no título essa lógica: “O dono do mar(anhão)”.

Felizmente, muitos reagiram e o Convento deve voltar em breve ao controle do Estado (embora esse não saia do controle da famiglia Sarney). Sobre essas reações, leia aqui, aqui e aqui.

*****

PS: Recomendo a leitura do artigo de Franklin Douglas, do blog Ecos das Lutas, sobre o assunto.

PS2: Justiça seja feita: o maior adversário da doação do Convento à Fundação de José Sarney foi Aderson Lago, ex-deputado estadual tucano de vários mandatos. Aderson, porém, era membro graduado do clã de El Bigodón à época do governo João Alberto, do qual fez parte como presidente da Companhia de Águas e Esgotos do Maranhão (CAEMA).

Anúncios

Responses

  1. Vale lembrar que em um dos jardins do Convento das Merces o ilustre maranhense José Sarney já mandou construir um mausoléo onde pretende ser enterrado. Quer dizer, nem depois de morto ele pretende deixar de usar o que é público como se fosse privado.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Categorias

%d blogueiros gostam disto: