Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 07/04/2009

As mentiras da Mirante

Em São Luís, principalmente, e no Maranhão é muito conhecida* a piada pronta oferecida pelo nome do grupo de comunicação da família Sarney.

A família real maranhense talvez ignorasse o que já havia dito, séculos antes, o sábio padre Antonio Viera: “No Maranhão até o sol e os céus mentem” (Sermão da Quinta Dominga da Quaresma – 1654).

A despeito disso, teve a péssima idéia de escolher um anagrama da palavra mentira para batizar a sua corporação de mídia: Sistema Mirante de Comunicação, basicamente formado pelo jornal O Estado do Maranhão; pela TV Mirante (afiliada da Globo, óbvio) e suas repetidoras e retransmissoras que cobrem todo o estado; pela rede de emissoras de rádio AM e FM na capital e no interior, também de alcunha Mirante, e pelo portal iMirante.

Adesivo de campanha feita pelo Diretório Acadêmico de Comunicação da UFMA (do qual tenho orgulho de ter feito parte) em 2003.

Adesivo de campanha feita pelo Diretório Acadêmico de Comunicação da UFMA (do qual tenho MUITO orgulho de ter feito parte) em 2003.


A lista de violações do sistema Mirante/Mentira contra a história e contra a verdade daria para compor umas quatro bíblias. A mais recente, porém, além de distorcer os fatos, ofende a inteligência de qualquer pessoa.

O “fato”: pesquisa da Fundação Getúlioo Vargas (FGV) divulgada pelo panfleto reacionário que atende pelo nome Veja aponta que o Maranhão foi o terceiro estado brasileiro que mais desenvolveu seus índices socioeconômicos entre 2001 e 2007.

Rose(ng)ana Sarney foi eleita para governar o Maranhão em 1994, numa eleição marcada por práticas que fariam corar de vergonha os ministros do TSE que cassaram Jackson Lago. Foi reeleita em 1998 e permaneceu no Palácio dos Leões até abril de 2002, quando renunciou ao cargo para se candidatar, mais tarde, a uma vaga no Senado.

O destaque dado por um dos colunistas – ou seria melhor calunistas da verdade? – da Mirante, em seu blog, porém, desafia qualquer lógica. O título diz tudo: “Resultados da era Roseana no Maranhão começam a ser reconhecidos nacionalmente”.

Ou seja, para ele, no escopo da pesquisa (sete anos), o único período que importa é aquele em que sua patroa comandou o estado, pouco menos de um ano e meio.

Esse é daquele tipo de cão de guarda** que perderia todos os caninos, molares e incisivos caso seu dono fosse golpeado logo abaixo da linha cintura. Sem mais comentários.

Onde quer que esteja, Padre Vieira deve dar boas gargalhadas diante do “jornalismo” da Mirante.
*Conheci a piada num panfleto da campanha de Jackson lago para a prefeitura de São Luís em 1996. Ironicamente, quatro anos depois, Jackson se reelegeu graças ao apoio de Rose(ng)ana Sarney e foi brindar a vitória com ela logo após o resultado das urnas. Quem duvida disso, clique aqui e leia esse texto histórico no endereço antigo do Walter Rodrigues.

**Recomendo enfaticamente a leitura do livreto “Os novos cães de guarda”, de Serge Halimi, sociólogo francês. Resenha feita pelo Observatório da Imprensa aqui.

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