Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 06/04/2009

Arruda entre amigos na Band

“Imprensa é oposição, o resto é armazém de secos e molhados”.
Millôr Fernandes

Ontem (5/4) o Canal Livre da Band entrevistou o governador José Roberto Arruda (DEM)*, do Distrito Federal.

Os entrevistadores e o governador não conseguiam esconder o clima de cordialidade visceral, bem diferente do que ocorre quando o convidado é do PT ou de qualquer setor “perigoso” para os “defensores da democracia” tupiniquim. Para virar conversa de botequim, só faltava a cerveja (ou o vinho) e os petiscos.

As perguntas, todas amenas e aparentemente surgidas de uma pauta elaboradapelo estagiário de plantão, eram feitas sorrindo, enquanto a câmera mostrava o entrevistado com os olhos brilhando e um sorriso mais largo ainda. Teatro de roteiro pobre, interpretado por péssimos atores.

Jornalistas desinformados – A principal pergunta que deveria ter sido feita, caso o programa fosse sério, tem origem numa investigação realizada pelo Ministério Público e divulgada há duas semanas (ver matéria do Noblat).

O MP apurou que o amistoso Brasil x Portugal, disputado na cidade-satélite do Gama, em 19 de novembro, foi realizado através da contratação de uma empresa fantasma, a Ailanto Marketing LTDA.

O ex-tucano, o "vamos nos livrar dessa raça" e o dono de Brasília.

Arruda, o ex-tucano, com Jorge "vamos nos livrar dessa raça" Bornhausen e Paulo Octavio, um dos donos de Brasília (e vice-governador).

Para organizar a partida no Distrito Federal, que marcou a inauguração do estádio Bezerrão, o governador Arruda – que se afirma com “moderno” – autorizou o pagamento de nove milhões de reais a uma empresa cujo endereço fica no Rio de Janeiro e não possui sequer telefone.

Pior: Arruda desconsiderou um parecer da Procuradoria Geral do DF, que apontou as possíveis ilegalidades envolvendo a Ailanto.

Mais: durante a conversa com os amigos da Band, Arruda elogiou enfaticamente a sua Procuradoria, citando-a como exemplo de “excelência” do funcionalismo público. Nem diante da deixa perfeita, os entrevistadores – coitados, devem estar muito ocupados para se informarem – não perguntaram sobre este caso que, tal qual o balaio de escândalos do governo da tucana Yêda Crusius (RS)**, será abafado solenemente pela grande mídia. Ou alguém tem dúvida disso?

Confissão – Durante a peça, ops, entrevista, Arruda também confessou aquilo que todas as pedras do Planalto Central já sabem: Gilmar I, Imperador do STF, fez o que a oposição no Congresso Nacional não havia conseguido até agora: chamou a atenção para a “ilegalidade” e o caráter “revolucionário” do MST.

De forma explícita e talvez involuntária, Arruda carimbou o ativismo político de um senhor*** que afirmou, quando era o Advogado-Geral da União (nomeado por Fernando Collor), em relação às revelações do Esquema PC Farias que desembocaram no processo de impeachment do seu presidente: “Isso não vai dar em nada”.

A Band, que gosta de afirmar a sua independência editorial, inclusive fazendo ataques à Rede Globo, mostra que tipo de “jornalismo” pratica quando a pauta é a oposição ao governo Lula.

*Arruda é o único governador do partido intitulado Democratas. O nome da legenda é ação de marketing que busca (sem sucesso) apagar a sombra reacionária de PFL, PDS e Arena, diante das seguidas vassouradas que levou nas eleições após o fim do reinado de F(MI)HC. Para se ter uma idéia do nível dessa decadência, o PFL passou de 1.028 prefeituras em 2000 para 790 em 2004 e 496 em 2008. Ou seja, perdeu mais da metade dos seus governos municipais em menos de uma década. E o governador Arruda é aquele ex-tucano que, junto com ACM, violou o painel do Senado e renunciou ao mandato para não ser cassado. Felizmente, para ele, a população do Distrito Federal é bem complacente.

** Leia sobre isso aqui, aqui, aqui e aqui.

***Vale a pena ler as 25 perguntas formuladas por Idelber Avelar a quem é chamado de “Berlusconi Brasileiro”.

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Responses

  1. Esses caras não são desinformados. Eles simplesmente são amigos demais do Arruda e submissos demais pra levantar a voz. Assim, meu caro, não tem jornalismo. Só balela… Ou teatro, como vc disse.


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