Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 01/04/2009

O que a mídia disse em 1964

“O homem que tem memória faz sua própria história”.
Eduardo Galeano, “A descoberta da América (que ainda não houve)”, 1976.

Vlado foi uma das vítimas do golpe pedido, saudado e apoiado pelos (tu)barões da mídia.

Vlado foi uma das vítimas do golpe pedido, saudado e apoiado pelos (tu)barões da mídia

Parece distante. Parece que não volta mais.

Passaram-se 45 anos. Mas os golpistas de ontem ainda estão plenamente ativos hoje. E com as mesmas idéias e práticas, com (quase sempre) um pouco mais de sofisticação e vários disfarces.

Leia um pouco do que disseram em 1964 os principais jornais brasileiros, a maioria auto-proclamados defensores da liberdade de expressão, da democracia e do Estado de Direito.

Fabuloso trabalho de pesquisa publicado no Blog da BrHistória e divulgado pela Carta Maior.

(Começo, para efeito pedagógico, com um editorial de um dos cérebros da ditadura civil-militar que nos sufocou por 21 anos, escrito apenas há 25 anos)

“Participamos da Revolução de 1964 identificados com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas, ameaçadas pela radicalização ideológica, greves, desordem social e corrupção generalizada”. (Editorial do jornalista Roberto Marinho, publicado no jornal O Globo, edição de 07 de outubro de 1984, sob o título: “Julgamento da Revolução”.)

:: Escorraçado
“Escorraçado, amordaçado e acovardado, deixou o poder como imperativo de legítima vontade popular o Sr João Belchior Marques Goulart, infame líder dos comuno-carreiristas-negocistas-sindicalistas. Um dos maiores gatunos que a história brasileira já registrou., o Sr João Goulart passa outra vez à história, agora também como um dos grandes covardes que ela já conheceu”.
(Tribuna da Imprensa – Rio de Janeiro – 2 de Abril de 1964)

:: 31/03/64 – FOLHA DA TARDE – (Do editorial A GRANDE AMEAÇA): “… cuja subversão além de bloquear os dispositivos de segurança de todo o hemisfério , lançaria nas garras do totalitarismo vermelho, a maior população latina do mundo…”

:: 31/03/64 – CORREIO DA MANHÃ – (Do editorial, BASTA!): “O Brasil já sofreu demasiado com o governo atual. Agora, basta!”

:: 1o/04/64 – CORREIO DA MANHÃ – (Do editorial, FORA!): “Só há uma coisa a dizer ao Sr. João Goulart: Saia!”

“Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares que os protegeram de seus inimigos”. “Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significado das manobras presidenciais”. (O Globo – Rio de Janeiro – 2 de Abril de 1964)

De Norte a Sul vivas à Contra-Revolução
“Desde ontem se instalou no País a verdadeira legalidade … Legalidade que o caudilho não quis preservar, violando-a no que de mais fundamental ela tem: a disciplina e a hierarquia militares. A legalidade está conosco e não com o caudilho aliado dos comunistas”.
(Editorial do Jornal do Brasil – Rio de Janeiro – 1º de Abril de 1964)

:: A paz alcançada
“A vitória da causa democrática abre o País a perspectiva de trabalhar em paz e de vencer as graves dificuldades atuais. Não se pode, evidentemente, aceitar que essa perspectiva seja toldada, que os ânimos sejam postos a fogo. Assim o querem as Forças Armadas, assim o quer o povo brasileiro e assim deverá ser, pelo bem do Brasil”.
(Editorial de O Povo – Fortaleza – 3 de Abril de 1964)

:: 02/04/64 – O GLOBO“Fugiu Goulart e a democracia está sendo restaurada”… “atendendo aos anseios nacionais de paz, tranqüilidade e progresso… as Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a Nação na integridade de seus direitos, livrando-a do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal”.

:: 05/04/64 – O ESTADO DE MINAS – “Feliz a nação que pode contar com corporações militares de tão altos índices cívicos”. “Os militares não deverão ensarilhar suas armas antes que emudeçam as vozes da corrupção e da traição à pátria.”

“Sabíamos, todos que estávamos na lista negra dos apátridas – que se eles consumassem os seus planos, seríamos mortos. Sobre os democratas brasileiros não pairava a mais leve esperança, se vencidos. Uma razzia de sangue vermelha como eles, atravessaria o Brasil de ponta a ponta, liquidando os últimos soldados da democracia, os últimos paisanos da liberdade”. (O Cruzeiro Extra – 10 de Abril de 1964 – Edição Histórica da Revolução – “Saber ganhar” – David Nasser)

A lista completa da pesquisa está no blog.


Responses

  1. Hm! Nossa, gostei do seu blog! Recebi um email seu com essa postagem, mas confesso que não me lembro de vc, nem sei como vc conseguiu meu email.
    Abraços

  2. rogério
    essa história não se acaba pq os defuntos teimam em não morrer. eles vão continuar na ativa enquanto não forem enterrados.
    taí bolsonaro vivo, falando o memso que falavam na época. e com mais raiva porque perdeu. sim, o problema dos milicos golpistas é que eles acharam que tinham ganho a guerra contra os que eram contra a ditadura. dizimaram todos que acharam pela frente. jogaram no mar, tocaram fogo, enterraram. mas eles não morrem. em contrapartida, os milicos, são obrigados, por força da natureza patética de que são feitos, a defenderem o indefensável. é uma guerra perdida, porque não há moral ou tanque de guerra que justifique. isso vale para os milicos e para a nossa grande imrpensa golpista que defendeu e continua defenedendo golpes aqui, an venezuela, argentina ou líbia…

  3. […] https://brasiliamaranhao.wordpress.com/2009/04/01/o-que-a-midia-disse-em-1964/ […]


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