O uruguaio Eduardo Galeano é um caminhante assíduo. “Me economizou milhões que seriam gastos em terapia”, diz ele sobre o hábito.
Pois no seu mais recente livro, o escritor – tido por amigos como “um perigo como motorista” – dedica um texto ao movimento do Dia Mundial sem Carro, celebrado neste 22 de setembro.

Galeano em Copacabana (Foto: Austral Foto)
22 de setembro
Dia sem Automóveis
Os ecologistas e outros irresponsáveis propõem que por um dia, o dia de hoje, os automóveis desapareçam do mundo.
Um dia sem automóveis? E se esse exemplo se contagia e passa a ser todos os dias?
Deus não permita, e o Diabo tampouco.
Os hospitais e cemitérios perderiam sua clientela mais numerosa.
As ruas se encheriam de ciclistas ridículos e patéticos pedestres.
Os pulmões já não poderiam respirar o mais saboroso dos venenos.
As pernas, que tinham se esquecido de caminhar, tropeçariam em qualquer pedrinha.
O silêncio aturdiria os ouvidos.
As autopistas seriam desertos deprimentes.
As rádios, as televisões, as revistas e os jornais perderiam seus mais generosos anunciantes.
Os países petroleiros ficariam condenados à miséria.
O milho e a cana de açúcar, agora transformados em comida de automóveis, regressariam ao humilde prato humano.
—

Gostei! Eu ando de carro. Mas vou chegar ao estado avançado onde não precisarei mais dele. Sou um caminhante. Um andarilho da lua cheia. Prego a caminhada como terapia.
Parabéns a todos que no dia mundial sem carro, saíram de casa como nasceram: andando com os pés.
Moisés Matias
Por: panakui em 23/09/2012
às 8:08