Há poucos dias finalmente adquiri a coletânea “Poetas da América de Canto Castelhano”, selecionada e traduzida pelo amazonense Thiago de Mello, “o poeta da floresta”, e publicada pela editora Global em 2011.
Nas suas 496 páginas o livro traz 400 poemas de 120 poetas de 19 países.
Para quem, como eu, é apaixonado pela cultura dos nossos vizinhos, dos quais estamos tão distantes no plano cultural, embora tão próximos geograficamente, a obra é uma relíquia.
Paulatinamente compartilharei por aqui um pouco desta grandiosa peça, cujo preço (R$ 79) é ridículo se comparado ao seu valor incalculável.
Começo com o costarriquenho Alfonso Chase, que é romancista, ensaísta e também autor de livros infantis, além de poeta e professor-fundador da Escola de Literatura e Ciências da Linguagem da Universidade Nacional da Costa Rica.

Preço irrisório comparado ao seu valor
Entre o lobo e a noite
É mais importante estar
a favor da saúde
do que contra a enfermidade. É mais nobre
amar a paz que manifestar-se
contra a guerra. A tempo,
a glória do cristal e o riso
são mais formosos do que a morte.
O mundo está caindo, não com a força
da bigorna, mas com a verdade da água
minando a pertinácia da pedra.
O dinheiro apodrece com a primeira chuva.
O que compra e esconde rouba a essência do trigo
e a verdade fúlgida do sal. O olho
da agulha é mais radical
que a boca insone do canhão.
Não tenho muito a explicar. A língua
devora o ferrolho do cárcere. A andorinha
rompe o eco e o coração é uma árvore
descascando-se entre as mãos. 0 homem
é apenas um animal golpeado pela história.
E sobrevive.
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Alfonso Chase: um dos 120 poetas incluídos na coletânea organizada por Thiago de Mello

Qué bueno que en la mirada hacia otras latitudes de América Latina, hayan puesto el ojo en el poeta y escritor costarricense Alfonso Chase, un éxito más y luz que a muchos guía y guiará.
Por: Miguel Angel Salas C. em 04/06/2012
às 21:37