Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 25/03/2011

Mais uma dos ruralistas: leite materno contaminado por agrotóxico proibido

Mais um exemplo dos “benefícios” trazidos pelo grande agronegócio (me refiro ao modelo de monocultura extensiva voltado prioritariamente para exportação).

Em Lucas do Rio Verde, pólo agrícola matogrossense e orgulho da turma da Kátia Abreu, uma pesquisa demonstrou que até o leite materno está contaminado pelos agrotóxicos.

O Brasil é o campeão mundial no uso destes produtos e o principal destino dos itens banidos nos EUA e Europa, por conta da alta nocividade à saúde humana e ao meio ambiente.

Trabalho escravo; seguidos calotes nos cofres públicos; todo tipo de devastação ambiental; assassinatos de milhares de lideranças campesinas, indígenas, quilombolas e de outros grupos sociais; contaminação da nossa comida e agora o envenenamento do alimento mais importante para a vida humana.

Nosso alimento mais fundamental está ameaçado pelo agronegócio

Tudo isso está na conta dos ruralistas, a “classe” mais nefasta e truculenta que a sociedade brasileira foi capaz de produzir.

Como se não bastasse, pesquisadores que têm apontado os crimes do agronegócio estão sendo ameaçados, como se vê no artigo abaixo.

Do boletim 531 da campanha “Por um Brasil livre de transgênicos” (www.aspta.org.br).

http://www.aspta.org.br/por-um-brasil-livre-de-transgenicos/boletim/boletim-531-25-de-marco-de-2011

Em Lucas do Rio Verde, vitrine do agronegócio no Mato Grosso, até o leite materno está contaminado por agrotóxicos

###########################
POR UM BRASIL ECOLÓGICO,

LIVRE DE TRANSGÊNICOS E AGROTÓXICOS

###########################

Número 531 – 25 de março de 2011

Car@s Amig@s,

Uma nova pesquisa realizada na Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) revela mais um aberrante efeito do uso generalizado de agrotóxicos sobre a população das regiões de grande produção agrícola.

Em Lucas do Rio Verde, município situado a 350 km de Cuiabá, foram coletadas amostras de leite de 62 mulheres atendidas pelo programa de saúde da família. A coleta foi feita entre a 3ª e a 8ª semana após o parto.

Em 100% das amostras foi encontrado ao menos um tipo de agrotóxico. Em 85% dos casos foram encontrados entre 2 e 6 tipos. Entre as variáveis estudadas, ter tido aborto foi uma variável que se manteve associada à presença de três agrotóxicos.

A substância com maior incidência é conhecida como DDE, um derivado de outro agrotóxico, o DDT, proibido pelo Governo Federal em 1998 por provocar infertilidade no homem e abortos espontâneos nas mulheres.

O trabalho de pesquisa foi realizado pela mestranda em Saúde Coletiva da UFMT Danielly Palma, sob orientação do Prof. Wandeley Pignati.

Lucas do Rio Verde está entre os maiores produtores de grãos do Mato Grosso e entre os maiores produtores nacionais de milho “safrinha”, figurando como um dos principais pólos do agronegócio do estado e do país. Os defensores do modelo agroquímico que impera na região consideram o município como modelo de desenvolvimento.

Mas a imagem da cidade começou a ser manchada quando, em março de 2006, a cidade foi banhada pelo herbicida Paraquate, usado na plantação de soja. O veneno, despejado de um avião agrícola, destruiu plantações, hortas e jardins. Atingiu também cursos d’água, casas e pessoas, provocando problemas de saúde e colocando em risco toda a população local.

Este caso específico acabou ganhando divulgação nacional graças ao trabalho de um repórter da Radiobrás (seu trabalho originou o livro: MACHADO, P. Um avião contorna o pé de jatobá e a nuvem de agrotóxico pousa na cidade – história da reportagem. Brasília: Anvisa, 2008. 264 p.). Mas infelizmente, não se tratou de um caso isolado: ao contrário, ano após anos, “acidentes” como esse se repetem nas muitas cidades onde o agronegócio prospera.

Depois deste caso, uma pesquisa feita em parceria pela a Fundação Oswaldo Cruz e a UFMT encontrou resíduos de agrotóxicos no sangue e na urina de moradores, em poços artesianos e amostras de ar e de água da chuva coletadas em escolas públicas dos municípios de Lucas do Rio Verde e Campo Verde (dois dos principais produtores de grãos do estado).

O monitoramento da água de poços revelou que 32% continham resíduos de agrotóxicos. Das amostras de água da chuva analisadas, mais de 40% estavam contaminadas com venenos.

Boa parte desta contaminação é proveniente da pulverização aérea de venenos que é praticada na região. Vários estudos demonstram que, na prática, apenas uma parte dos agrotóxicos aplicados sobre lavouras se deposita sobre as plantas. O resto escorre para o solo ou segue pelos ares para contaminar outras áreas. Segundo diversas pesquisas realizadas pela Embrapa Meio Ambiente, em média apenas metade do que é pulverizado atinge o alvo. A parte que se perde no solo ou é carregada pelo vento pode comumente ultrapassar 70% do produto aplicado.

Mas um dos aspectos mais lamentáveis de todo este drama é que, ao prestar este valioso serviço à sociedade, estudando e comprovando os efeitos danosos dos venenos agrícolas sobre as pessoas e o meio ambiente, os pesquisadores têm se tornado vítimas de ataques pessoais. Via de regra, quando são divulgados resultados de pesquisas como estes, demonstrando a contaminação da água, do sangue ou do leite materno, os defensores do modelo agroquímico de produção partem para o ataque à reputação dos cientistas e, comumente, lançam dúvidas levianas sobre os métodos e a qualidade das pesquisas. Mas, claro, nunca propõem contraprovas ou a repetição dos testes.

Um exemplo tocante deste fenômeno está publicado na seção de comentários do site 24 Horas News, um dos veículos que divulgou a notícia da contaminação do leite materno em Mato Grosso. Diz o internauta Josué:

Já estou providenciando a foto dessa “pesquisadora” da UFMT e vou espalhar aqui pelo Nortão todo, nos postes, com a frase: PROCURA-SE – RECOMPENSA DE R$ 10 MIL. Depois vamos dar uma coça nela com pé de soja seco, que ela nunca mais vai pesquisar nada aqui” (18/03/2011 13:13:00).

Em agosto de 2010 o professor da Universidade de Buenos Aires Andrés Carrasco foi agredido ao visitar região produtora de soja no país onde participaria de evento para apresentar os dados de sua pesquisa que mostraram os danos causados pelo herbicida glifosato. O estudo foi publicado na Chemical Research in toxicology.

É por essas e muitas outras que poucas pesquisas têm sido realizadas sobre este tema. Este é apenas um exemplo grosseiro das pressões que pesquisadores sofrem — em muitos casos dentro de suas próprias instituições. É preciso muita coragem para cutucar o agronegócio com vara curta.

O que estas pesquisas estão mostrando é apenas a ponta do iceberg. Procurando, muito mais evidências dos efeitos nefastos do uso maciço de venenos agrícolas serão achadas.

Com informações de:

Jornal da Band, 21/03/2011.

O Globo, 23/03/2011.

24 Horas News, 17/03/2011.

Universidade Federal do Mato Grosso, 15/03/2011.

About these ads

Responses

  1. Oh! Deus, essas pessoas que só sabem criticar, não conhecem 1% dos benefícios que os agricultores trazem… Perdoa Deus essas pessoas ignorantes… Um dia o Brasil vai aprender…

    • Não se condena 100% dos agricultores, e sim aqueles que possuem uma ambição desmedida , e se esquecem que o “exagero” é uma faca de dois gumes!
      Deus perdoará sim os ignorantes, inclusive……………

  2. é POR PESSOAS como esse tal de josue, que as pessoas estão morrendo. Mas o futuro deles está chegando. É um enfeliz, que so pensa nele e esquece que um dia nasceu com auxilio de duas pessoas e não de embrião fertilizado, como deve ser tudo que ele ve por ai. Me irrita com seres humanos tão futeis, que acham que a vida é so ter lucro. Esse egosimo que mata e escraviza.

  3. voce comeu hoje pessoinha??? se comeu agradeça aos ruralistas.

    • Não, Vitor. Eu agradeço aos pequenos agricultores, que produzem 75% dos alimentos que chegam à nossa mesa. Os seus amigos ruralistas plantam soja, cana, eucalipto, fumo e mais uma ou outra monocultura extensiva, 90% para exportação.

  4. Concordo em partes com todos os comentários acima. Não podemos ser extremistas e muitos menos hipócritas. A demanda por alimento é gicantesca e tende ser cada vez maior. Agricultura puramente orgânica é uma utopia bem longe da realidade. É verdade que os grandes produtores exportam, mas e daí? O mundo todo precisa de alimento e a agricultura “tipo exportação” representa uma fatia significativa em nossa balança comercial, o que impacta diretamente em outros segmentos da nossa economia, e por sua vez, no desenvolvimento do país rumo ao primeiro mundo. Por outro lado, precisamos que esses exageros inconsequentes de “alguns produtos”, seja corrigido. Para isso, o ponto de partida seria uma fiscalização mais intensa dos órgãos reguladores do agrotóxico, quanto a aplicação da legislação já existente. Por exemplo, em alguns lugares, como é o caso aqui do GO, aplicação via avião tem que distar 3 kilômetros da área urbana e etc..

  5. A maioria das pessoas não viu a conclusão da pesquisa, mas este tipo de pesquisa não “tem” (ou não deveria ter) o objetivo de dizer se o agrotóxico é bom ou mau se estão usando muito ou não. Vejam o que o correu é que alguém achou o agrotóxico no leite materno este tipo de substância pode ser disperso no ambiente e gradativamente acumula-se nas pessoas. O que ninguém esta levando em conta é que a maioria destas substâncias tende se acumular nas gorduras das pessoas e estas gorduras são “queimadas” quando se amamenta e isto pode liberar os agrotóxicos novamente.


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Categorias

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 175 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: