Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 09/07/2010

Quantos Josias e Nanis valem uma prostituta?

Tem gente que conhece muito bem, mas insiste em (ou finge) esquecer o significado político dos Julgamentos de Nuremberg.

Não tenho a menor dúvida de que o chargista Nani e o jornalista Josias de Souza têm plena noção de que o Tribunal que julgou os crimes do Nazismo expressou o sentimento internacional de rejeição absoluta às concepções nas quais se baseava o regime de Hitler.

A base ideológica de sustentação do Estado nazista situava-se no racismo e nas outras formas de preconceito e discriminação contra todos os povos e grupos sociais que os arianos consideravam inferiores — e, portanto, merecedores de dominação.

Contra esse tipo de pensamento — ainda existente em muitas mentes supostamente sãs, sobretudo no PIG — a humanidade se insurgiu na II Guerra, nos Julgamentos de Nuremberg e, mais ainda, na Declaração Universal dos Direitos Humanos.

É por isso que não se pode confundir “liberdade de expressão” com disseminação de quaisquer tipos de preconceitos. Simplesmente não é tolerável!

Tampouco é admissível o uso da máscara do “humor” para esconder ou minimizar esse tipo de prática.

E também não adianta vir gente como o Reinaldo Azevedo — a escória da escória da humanidade — dizer que a crítica aos atos preconceituosos é a “patrulha do politicamente correto”. Aliás, se tivesse vivido na época da II Guerra, Reinaldo Azevedo teria sido réu em Nuremberg, fácil, fácil. A dúvida é se ele entraria na fila antes ou depois de Rosenberg, o principal teórico do Reich.

A charge do Nani retratando Dilma Roussef como prostituta — a pretexto de criticar a aliança da candidata à presidência — só não é mais abjeta do que a reprodução feita pelo Josias de Souza em seu blog ontem (8).

Os nazistas adoravam preconceitos

Nani e Josias, como bobos da corte, garantem o sorriso de gente que cultiva as mesmas teses dos oficiais de Hitler. Gente que detesta a massa do Bolsa Família, mas se enxerga e se vê representada na “massa cheirosa” da Eliane Cantanhêde.

Com o seu “trabalho”, conscientemente ou não (creio na primeira opção), Nani e Josias — tal qual o goleiro Bruno e seus comparsas, ou como os assassinos do adolescente Alexandre Ivo Rajão, morto por ser ligado a uma entidade de defesa dos direitos de gays, lésbicas, travestis e transsexuais — alimentam o que de pior existe nos seres humanos: a aversão e a repugnância ao diferente.

Além de alimentar o estigma carregado pelas prostitutas, Nani e Josias se valem desse mesmo estereótipo para violentarem simbolicamente não apenas a candidata petista, mas todas as mulheres que ousam enfrentar, de cabeça erguida, um mundo ultramachista para manterem intacta a sua dignidade.

E olha que do Josias não se pode esperar coisa muito diferente. Logo ele, que já escreveu matérias na Folha de São Paulo usando recursos do Incra de F(MI)HC para atacar o MST, reproduz uma referência à prostituição. O episódio das matérias da FSP pagas pelo Incra lhe rendeu o merecido apelido de Josincras de Souza (clique aqui).

Afinal, como se chama jornalista que é pago(a) pela fonte para fazer matéria favorável aos interesses desta? Não chame de prostituto(a), porque as profissionais que desempenham este ofício possuem muito mais dignidade e firmeza de caráter.

Talvez entre os conhecedores da psicanálise haja quem aponte na nota do Josias uma “projeção” deste sobre quem ele pretendia criticar.

E é bom lembrar que o Josincras é reincidente nesse tipo de jornaZismo. Veja o que ele publicou em fevereiro de 2009, criticado pelo Blog da Cidadania:

Denúncia

Um filho de chocadeira

JornaZismo de escriba vendido

Sou casado e tenho quatro filhos, sendo três mulheres. Tenho também uma neta. Além disso, tenho mãe, o que não parece ser o caso desse infeliz desse blog abjeto que aparece na imagem acima, desse empregadinho da mídia golpista, desse sujeitinho à-toa que acha que a escolha dessa manchete para uma matéria relativa a foto mostrando a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e a ex-prefeita Marta Suplicy, é coisa de homem. Eu não acho. Como filho, esposo, pai e avô, tenho, ao todo, seis bons motivos para não descer a esse ponto na guerra política, ao ponto a que desceu esse degenerado sem mãe.

Eduardo Guimarães – Blog da Cidadania

*****

Sigamos. Assim como os nazistas alemães, os seus seguidores brasileiros serão (novamente) derrotados… nas urnas.

O link original para esse texto do jornaZista está aqui.

O blog do Nani está aqui.

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Responses

  1. Rogério vc mandou bem.
    Ontem passei o dia fora, nem tava sabendo disso. Que absurdo!!!

  2. Eu sou psicanalista

    Tem tudo com projecao, sem duvidas. Isto e manifestacao grosseira do individuo que sente que dentro de si nao existe nada de bom. Os que sao capazes de criar e publicar tamanha ofensa se sentem como vermes.
    Dai a causa de Hitler e seus seguidores. Como eles externalizam o “verme” que existe dentro deles querem ataca los, tortura los e mata los.
    Nao sendo fonte de consolo para quem sente sua humanidade em seu total, acalanta um pouquinho a quem conhece saber que estes “vermes” simbolicos que vivem entre nos nao sabem, nao conhecem a paz interior. Sabem as vezes disfarcar e vivem externalizando o tal do “verme”, porem nunca conseguem se livrarem dele. isto e porque eles no fundo tem conhecimento organico que lutam contra algo que e do interior.
    Este senhor pode ser comparado com aqueles que estrupam e matam como os: SeriaL killers, so que este conseguiu fazer mais no nivel de simbologia, e como uma prostituta intelectual vende seu produto.
    As reais prostitutas da vida atingiram um nivel emocional muito mais sofisticado que este verme ambulante.

  3. Não encaro isso nem como machismo, mas sim como falta de compromisso com a dignidade humana.

    É aterrorizador ver um tipo de mensagem como essa ser publicada, sem qualquer receio, de no mínimo, estar sendo preconceituoso.

    E o pior, que foram esses que levantaram, e ainda levantarão muitas vezes, a bandeira da liberdade de expressão.

    Lamentável …

  4. Prezado Rogério,

    Tem horas que a “brincadeira” vira mal gosto. Este é uma caso. Caso algum cartunista não goste da dilma ou queira satirizá-la, que o faça. Só não precisa ser desrespeitoso nem preconceituoso.

    Piada sexixta, machista e ridícula.

    Não é assim que se faz.

    Bom artigo, amigo

  5. Excelente texto, para variar.
    Só gostaria de lembrar que o POliticamente correto, na minha apreensão, Pode possibilitar que os próprios grupos sociais que são representados de maneira “positiva” não sejam representados da maneira que escolheram. A semÂntica tem poder, e este poder tem que ser dado a eles…

    no mais. só temo que a comparação do NAzimo seja equivocada. Já seja uma etapa superior e mais avançada de uso do preconceito como arma social…

  6. Acho que a crítica que deve ser feita é simples: são de mau gosto. E pronto.
    Revisitar Nuremberg e colocar o autor como réu pelo simples fato de, numa charge infeliz, ele ter tentado retratar a prostituição de ideologias que ocorre na política, tanto na esquerda como na direita, é exagero. Mas pelo jeito a rusga de vocês é antiga…

    E não acho o politicamente correto saudável. É um véu que esconde o preconceito existente e, dessa maneira, o protege de encarar discussões sérias.

    Lembro até hoje de um quadro da extinta TV PIRATA, em que o Diogo Vilela fazia um negro que começou a ouvir “break” e bater no peito, dizendo “eu sou negro!”, enquanto o pai, Ney Latorraca, o mandava não dizer isso, com o argumento “o que os vizinhos vão pensar de nós!”. Hoje, seria considerado um quadro equivocado se olhado sob a luz do politicamente correto. Mas era um quadro representativo do gritante preconceito que há nesse país, que precisa mais é ser escancarado, justamente para poder ser combatido, do que continuar camuflado atrás do politicamente correto.

    Por sinal, ontem revi “Em nome da Rosa”. Um dos livros encontrados pelo personagem de Sean Conory mostrava uma ilustração onde o papa era uma raposa e o pastor um lobo.

    Pode? Ou não pode?

    • Rafael, curiosamente, eu tambem estava vendo O Nome da Rosa… rs
      Respeito sua visão, mas acho que não se trata de uma questão de “mal gosto”…
      Se trata de disseminar os valores em que se basearam o Nazismo. O preconceito, a discriminção e a intolerância.
      Desculpe, mas não consigo tolerar isso. E a crítica a isso, tampouco, tem a ver com “politicamente correto”… tem a ver com visão de mundo divergente daquele que acha aceitável ou “natural” usar o estigma das prostitutas para fazer uma crítica política.
      Abrs!

    • PS: Você conheceu o caso da loja de veículos em Natal que fez uma propaganda (num outdoor) com uma mulher espancada (rosto cheio de hematomas e inchado), sugerindo que as pessoas deveriam fazer uma revisão no carro? Aquilo era apenas mau gosto também? Para mim, isso se chama naturalizar a violência…
      http://img86.imageshack.us/img86/4748/postmulher279504aaakq2.jpg

      • Essa da lanternagem realmente é absurda. O “tá na cara” então…
        Quanto à prostituição, até os dicionários trazem tal estigma em seus significados. É difícil não escorregar para o preconceito com esse termo, geralmente usado dentro de uma hipocrisia muito grande.

        Realmente o que se faz dentro da política e é taxado como prostituição (me vem à cabeça imediatamente o caso do Augusto Carvalho (ex PCB) aqui em Brasilia) deveria ganhar outro nome, pois nada tem a ver com a prática das pessoas que vendem o corpo por dinheiro. É muito pior.


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