O espírito arguto de Shakespeare – em sua frase mais conhecida – resumiu o mundo em duas faces opostas: ser ou não ser.
Porém, não é difícil constatar que essa visão, embora útil e conveniente em muitos casos, é superficial e limitada.
Na política, a complexidade e a variedade de elementos que contribuem – atuando isolada ou simultaneamente – para o estabelecimento de uma determinada situação não cabem na fórmula do poeta inglês.
No Maranhão não existem apenas jackistas e sarneístas, como muitos querem fazer (ou fingem) crer.
Não entro no Fla-Flu que disputam os partidários de um e outro lado, mas estou longe de ficar em cima do muro.
Jackson Lago, ao vencer a eleição para governador em 2006, passou a representar a esperança de boa parte da população maranhense em viver livre do domínio do clã Sarney*.
O seu desastrado e efêmero governo, entretanto, decepcionou uma imensa parcela de seus eleitores e apoiadores (eu entre eles). Pior do que isso, deu motivos e argumentos muito concretos para que os porta-vozes do sarneísmo o deslegitimassem como gestor e, mais ainda, como símbolo dos anseios libertários e desenvolvimentistas no estado mais miserável do país.
A vitória eleitoral, política e simbólica em 2006 foi sucedida por uma administração ineficiente, corrupta e completamente dominada por um grupelho entranhado até o último fio de cabelo com as forças mais reacionárias e atrasadas da política maranhense – o apoio a João Castelo para prefeito, entulho da ditadura, atesta isso nitidamente.
A derrota no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é o desfecho para um processo que serve de lição política e histórica e confirma dois princípios que considero basilares: os fins não justificam os meios e pavimentar bem o caminho é mais importante do que chegar rápido ao destino.
Por um lado, o retorno de Rose(ng)ana Sarney ao Palácio dos Leões é um triste e doloroso retrocesso. Por outro, foi o próprio governo Jackson que se tornou politicamente indefensável pelos atos que cometeu e pelos caminhos que escolheu trilhar – que o digam os professores e outras categorias de funcionários públicos. O certo é que estamos diante de uma janela aberta de possibilidades, dada a corrosão da hegemonia sarneísta, o descrédito e desgaste do grupo de Jackson Lago e o vácuo de grandes referências políticas que já vem se descortinando há algum tempo.
Flávio Dino, Roberto Rocha, Bira do Pindaré (?) e outros nomes surgem como postulantes a ocupar esse espaço, mas o cenário ainda está muito indefinido para se fazer qualquer aposta sobre quem (e em que medida) prevalecerá.
*A derrota política e eleitoral do clã Sarney em 2006 não significou a superação da sua hegemonia, mas sim um forte abalo nos pilares que a sustentam. Não devemos esquecer que o Judiciário, boa parte do Legislativo estadual, da mídia nativa e do empresariado estão controlados pela família de El Bigodon e seus títeres.
rojão, seja bem re-vindo à blogosfera. serei o cobrador constante de constantes atualizações, as primeiras textos sobre o show do eddie e o encontro com o rennó.
abração!
Por: zema ribeiro em 26/03/2009
às 16:51
Caro Rogério,
Parabéns pelo blog. Votos de sucesso e vida muito longa.
Márcio Jerry
Por: Márcio Jerry em 26/03/2009
às 19:35
talvez só “política, cultura e afinidades” seja suficiente…
e manter o vigor em tempos de crise
Por: velho em 27/03/2009
às 10:51
Tu arrasa….
Parabens!!!
Por: Luana Lula em 27/03/2009
às 11:24
BOA SORTE.
JA COLOQUEI EM FAVORITOS.
Por: IGOR TOMAZ em 27/03/2009
às 11:59
Não esqueço do telefonema emocionado que me deste, minutos depois da derrota do clã em 2006. Um momento símbolo e síntese da história política da terrinha que está a se diluir pelo acovardamento consciente e ação calhorda de patifes.
É isso aí, Roger! Parabéns pelo blog, na medida do possível, quero vê-lo atualizado
Por: Allyson Veras em 27/03/2009
às 12:46
Parabéns pelo blog! colocarei como “blogs que leio” no meu. Atualiza frequentemente, ok? beijocas
Por: Jeanne em 27/03/2009
às 18:12
Já está aqui no meu “favoritos”. Parabéns!!!
Por: Fábio Marcelo em 01/04/2009
às 21:11